LIVROS NOVOS PARA COMUNIDADES CARENTES

Uma grande e louvável idéia do escritor Wilson Rossato: um projeto de inclusão cultural, com o objetivo de valorizar o livro e a leitura em comunidades carentes do Distrito Federal. O personagem principal do projeto é seu livro O DJ e as Armas Proibidas, publicado com o patrocínio do Fundo da Arte e Cultura (FAC), do governo do Distrito Federal. Rossato vai promover lançamentos de seu livro em escolas, entidades, bibliotecas, clubes de serviço e outras instituições de locais desassistidos, como Estrutural, Varjão, Itapoã e também no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje), que recolhe adolescentes infratores. Cada exemplar será vendido a R$ 1,00. "Aposto que muitos garotos vão ter, pela primeira vez na vida, um livro novo, saído da gráfica para suas mãos, e não livro usado, de segunda mão. Acho isso importante", comenta Rossato.

O primeiro lançamento do livro será neste sábado, 6 de dezembro, a partir de 10h da manhã, na Casa de Ismael, entidade assistencial sem fins lucrativos que abriga crianças órfãs. Fica na 914 Norte, local de fácil acesso para o público brasiliense que costumeiramente comparece a lançamentos literários. Como o preço do livro é simbólico, Rossato propõe que o comprador pague cinco e leve dois ou três, contribuindo, assim, para a distribuição gratuita de exemplares para os meninos da Casa de Ismael e do Caje. Depois desse lançamento, ele fará uma série de outros em comunidades carentes, até esgotar a edição.

Parabéns ao Rossato, e que seu gesto inspire outras iniciativas semelhantes.

UMA LIVRARIA SÓ DE POESIA


A boa notícia desta semana vem de Portugal. Mais precisamente do Bairro Alto, de Lisboa, onde se localiza a livraria Poesia Incompleta. Além de boa, a notícia é inusitada: trata-se de uma livraria dedicada exclusivamente à poesia, que se propõe a vender livros novos, raros e esgotados em mais de 20 línguas. Um espaço pequeno e aconchegante, como se vê na foto cedida pela jornalista e blogueira Sara Matos.

O proprietário da livraria, Mário Guerra, partiu de uma lógica simples: a grande quantidade de poetas, e conseqüentemente de poesia, que existe em Portugal. Segundo Mário, seu objetivo é reunir a mais alta produção poética portuguesa e estrangeira.

Torçamos para que, apesar de suas características anti-mercantis, a poesia e seu público cativo façam dessa iniciativa um sucesso. A Poesia Incompleta fica na Rua Cecílio de Sousa n. 11, entre a zona do Príncipe Real e a Praça das Flores.

Quem não puder comparecer à livraria, pode ser atendido pela internet. E aproveite para visitar o blog de Sara Matos, que nos permitiu conhecer a loja, localizada a um oceano de distância.

ENFIM, UMA GRANDE NOTÍCIA

O Diário Oficial da União de ontem, 17/11, publicou na Seção 1, página 28, os classificados do Programa de Bolsas de Estímulo à Criação Artística, e este autor que lhes escreve é um dos selecionados. Isso significa que a Funarte vai patrocinar durante seis meses o meu trabalho de criação de um livro de poemas, cujo título, ainda provisório, é Exília. O projeto foi inscrito sob o número 306. A Funarte vai distribuir 10 bolsas para criação literária, duas para cada região do país.

O Centro-Oeste teve 27 projetos, dos quais também foi selecionado o de Jamesson Buarque de Souza, de Goiás, como o título Outra Tróia. Além de criação literária, serão distribuídas bolsas para dramaturgia, música (erudita e popular), artes visuais e fotografia, além de produção crítica em diversas áreas. Esclareço aos polemistas que cumpri todas as exigências do edital e não tenho a menor idéia dos nomes dos jurados.

O Programa de Bolsas de Estímulo à Criação Artística foi lançado pela Funarte no ano passado.
No Brasil, receber uma bolsa para desenvolver um projeto artístico, ainda mais um livro de poesia, é um privilégio. Outra iniciativa semelhante é o Programa Petrobras Cultural, que está com inscrições abertas. Não vamos nos esquecer de que a criação de programas desse tipo foi uma das propostas do Movimento Literatura Urgente apresentadas ao então ministro da Cultura, Gilberto Gil, em novembro de 2004, no documento "Temos fome de literatura", assinado por centenas de escritores brasileiros.

ORGULHO E VERGONHA

A senhora sorridente da foto levará desta vida um orgulho e uma vergonha. O orgulho é por ser filha de um dos maiores escritores brasileiros, João de Guimarães Rosa. A vergonha é por ter solicitado à Justiça a proibição de um livro, inspirada, quem sabe, nos truculentos censores da ditadura militar, de triste memória. Pior, essa sorridente senhora, que se apresenta como Wilma Guimarães Rosa, tenta retirar de circulação o livro Sinfonia Minas Gerais: a vida e a literatura de João Guimarães Rosa, biografia escrita por Alaor Barbosa e publicada pela LGE Editora, de Brasília.

O fato que leva D. Wilma a orgulhar-se independe de suas ações. Ela é filha dele por força da natureza, e o pai foi grande escritor por força dos méritos dele. Quando, além de grande escritor, se tornou um herói, durante a segunda guerra mundial, trabalhando como diplomata e salvando a vida de milhares de judeus, Guimarães já vivia outro casamento e construíra outra família.

Já o fato que a marcará para sempre com a mancha da vergonha foi fruto de seu gesto consciente e deliberado. Ela moveu uma ação contra a LGE e Alaor Barbosa, pedindo à justiça que o livro seja retirado de circulação. Sua parceira nesse ato de censura, pasmem, é a Editora Nova Fronteira, uma casa publicadora de livros.

Ambas alegam incorreções e inverdades na obra de Barbosa, mas a verdade é cristalina: o interesse é comercial. Um livro escrito há tempos por Wilma Guimarães Rosa, Relembramentos, será reeditado pela Nova Fronteira. "Escrito" é força de expressão: o livro é apenas uma coleção de documentos, fotografias, bilhetes. A obra de Alaor Barbosa poderia prejudicar sua venda.

Wilma disse ao jornal Folha de S. Paulo que Alaor Barbosa nunca foi amigo de seu pai, contestando os encontros freqüentes entre os dois, na década de 50, narrados na biografia. Além disso, Wilma chamou Alaor de "vigarista", que, segundo ela, "se aproxima de gente importante para ganhar dinheiro".

Wilma cometeu crimes de calúnia, injúria e difamação. Mas Alaor Barbosa não vai processá-la. "Não quero incorporar à minha biografia a autoria de uma ação penal contra uma anciã que a experiência de quase 80 anos de vida não livrou de tremenda incontinência verbal morbidamente compulsiva", explicou ele.

Ao tomar conhecimento da ação de Wilma contra o livro, a LGE Editora se adiantou e o retirou das livrarias, contestando a ação em seguida. Por mais inconsistentes que sejam as razões de Wilma Guimarães Rosa e infrutífera a sua ação, é triste que um País que tanto lutou contra a censura assista agora, em pleno século XXI, tal gesto obscurantista da filha de Guimarães Rosa.

NOVOS LIVROS EM BRASÍLIA

Nesta terça-feira, 14 de outubro, o poeta Ésio Macedo Ribeiro lança Estranhos Próximos, no Rayuela (CLS 412), a partir das 19h.

Na quinta-feira, 16 de outubro, Mário Araújo lança o livro de contos Restos, na Livraria Dom Quixote do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a partir das 19h30. Haverá um bate-papo com o jornalista Sérgio de Sá. É interessante conhecer o que Millôr Fernandes escreveu sobre o livro: "Os contos do escritor paranaense são observações angustiantes do mundo que vivemos. Estilisticamente imprecisos em sua estonteante imprecisão. Mário é um escritor perigoso."

POESIA CENSURADA

A imprensa tem noticiado nos últimos dias a demissão, pela Escola Parque do Rio de Janeiro, do professor de literatura Oswaldo Martins, dedicado mestre que lecionava para as turmas de sétima e oitava séries do Fundamental. Martins é poeta. Tem quatro livros de poesia publicados pela editora carioca 7 Letras. O mais recente é Cosmologia do Impreciso, de 2008.

A Escola Parque é uma escola de classe média alta, que segundo a Folha de S. Paulo, cobrava mensalidade de R$ 1.161 dos alunos de suas unidades da Barra da Tijuca e da Gávea. O slogan da instituição: "Uma escola que estimula a expansão cultural."

Por que Oswaldo Martins foi demitido? Alguns pais de alunos "descobriram" que ele escreve poemas eróticos e pediram sua cabeça. Como se escrever poemas eróticos fosse uma atividade ilegal, criminosa, a escola atendeu ao pedido.

Oswaldo Martins é formado em letras pela PUC, mestre pela Universidade Estadual do Rio, com a dissertação Erotismo e gramática, índices da defloração - uma leitura de Manoel de Barros. Na Universidade Federal Fluminense, prepara doutorado com tese sobre o poeta italiano Pietro Aretino (1492-1556), conhecido autor de poesia erótica.

A Escola Parque promoveu em setembro uma semana literária. Martins foi convidado a comentar seu processo de escrita. Depois de ouvi-lo falar de sua paixão pela literatura, os estudantes foram à internet e descobriram seu blog, onde publica alguns de seus poemas. Não durou muito para que o pedido de demissão chegasse à escola. No dia 11 de setembro, foi demitido.

A hipocrisia da direção da escola e dos pais de alunos é incomensurável. Ou será que pensam mesmo que jovens de 14, 15 anos não sabem o que é sexo e não pensam no assunto? Será que vão proibi-los de ler Capitães de Areia, de Jorge Amado?

Sexo faz bem à saúde e derruba máscaras. Que Oswaldo Martins possa, agora, escrever seus poemas em paz.

A VELHA SENHORA ABENÇOA A CIDADE

É uma velha senhora, uma avó centenária, com seus longos braços abertos para o aconchego dos netos. Enorme, como se fosse gorda, oferece colo e conforto. A longa cabeleira redonda toma conta da praça, de uma rua a outra. Na verdade não é uma cabeleira, é uma copa, e não são cabelos, são folhas. É uma árvore, mas tem nome de mulher e, mais que isso, de santa: Árvore de Santa Bárbara. Não tem certidão de nascimento, mas há registros que lhe asseguram muito mais que 100 anos de vida. 

A história da árvore mistura-se à história da cidade que cresceu à sua sombra – Passos, que já foi uma pequena vila no sudoeste de Minas e hoje se espalha por antigos campos de café e pastagem. Conheci e convivi com essa árvore até a adolescência, e desde então penso nela sempre, se estou longe, e periodicamente volto para revê-la. Essa história de amor dura coisa de meio século. Ao dizê-lo, penso que estou velho, você também pensará, mas olho para a árvore e ela está quase do mesmo jeito que sempre a vi, jovem e bonita - então concluo que o tempo não faz tanto estrago assim. 
 
Perdi a conta de quantas vezes fotografei essa velha árvore. As fotos estão espalhadas em paredes, em alguns velhos álbuns, outras arquivadas no computador, estou cercado de árvores de Santa Bárbara. Também fiz vários poemas para ela, e é possível que faça outros, porque a árvore é um depositário de histórias e segredos, que se escondem estrategicamente a seus pés, dentro das dobras de sua pele, nos caminhos que só os pássaros conhecem, ainda que as crianças também andem por seus galhos à procura de aventuras ou para fazer voar suas fantasias.
 
A árvore posta-se, com elegância e paradoxalmente certa displicência, na praça do Cemitério - para ser mais exato, do lado oposto. É posição estratégica. Quase todos os passenses que vão a um velório, ou a algum enterro, ou simplesmente chorar diante de algum túmulo, passam antes sob sua sombra, e o estado emocional em que se encontram os deixa sensíveis para receber os benditos fluidos dessa santa árvore. Aconteceu comigo em dezembro passado, quando viajei em estado de desespero por 740 quilômetros, desde Brasília, para visitar minha mãe no hospital e acabei tendo de mudar o rumo, para vê-la pela última vez. 
 
Antigamente, os passenses velavam seus mortos em casa - foi assim com meus avós maternos - e os enterros percorriam as ruas diante dos homens que tiravam os chapéus e as lojas que cerravam as portas. E o último consolo do morto, depois dos sofrimentos deste mundo, era a sombra da árvore, que o acolhia por breves minutos, importantes minutos, ainda que o futuro fosse a eternidade. 
 
Falar de mortos e velórios pode ser triste, mas a Árvore de Santa Bárbara tem uma aura de felicidade e esperança, que atrai os passarinhos para seus galhos e os passantes para os bancos distribuídos sob sua copa. São taxistas, moradores das redondezas, gente que passa a trabalho, gente que passa vadiando, mendigos, engravatados, prostitutas, pensantes. Ali debaixo acaba o estresse, acabam os maus pensamentos, e o choro, se não acaba, pelo menos vem sem desespero. 
 
A árvore de Santa Bárbara é um símbolo. É um símbolo de Passos e do aconchego que a cidade oferece a seu povo e a esses passenses desgarrados. Ao olhar para ela, ao vivo ou em fotos, penso que esta cidade pode continuar bonita e forte, como cada vez mais tem sido, serena, acolhedora, de braços abertos. É assim que a árvore está, num velho desenho do artista plástico Wagner de Castro, ele mesmo com idade de tê-la conhecido pouco mais que um arbusto, e ainda assim até hoje exalando os bons fluidos de sua arte, como a própria árvore. No desenho, ela oferece sombra a um animal que pasta a seus pés, em cenário quase rural. Ela deve se espantar com a urbanidade que se espalhou a seu redor. 

A árvore é o vínculo histórico de Passos com seu povo. É um símbolo porque Passos, para mim, se parece com ela: uma sombra onde eu posso respirar e ser acolhido. Ao vê-la, sonho que a sabedoria que exala de seus velhos galhos e o carinho que transpira de sua casca grossa são incorporados pelas ruas, pelos paralelepípedos, pelas paredes das casas e pelas almas de seus viventes, numa relação abençoada. 

BREVE MEMÓRIA DA BIENAL DE POESIA

Ao falar para uma platéia de 700 pessoas que lotavam o auditório do Museu da República, na abertura oficial da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, o poeta Affonso Romano de Sant´Anna perguntava por que o século XX, o mais sangrento da História, insistiu tanto em decretar a morte da poesia. E não apenas da poesia – falou-se em morte do livro, morte do romance, morte da história, morte da arte. Ninguém soube responder – espera-se, agora, que se decrete, isto sim, a morte dessa conversa. Em Brasília, a poesia mostrou-se viva e vigorosa, ao longo dos cinco dias da Bienal. Foi um contraponto aos chatíssimos desfiles militares da Semana da Pátria.

O QUIXOTE CONTRA OS POLÍTICOS CABEÇA-DE-VENTO
O evento, promovido pela Secretaria de Cultura do DF com o apoio de grande número de instituições e entidades, realizou-se graças à batalha quixotesca de Antonio Miranda, poeta, professor e diretor da Biblioteca Nacional de Brasília. Houve falhas, gafes, frustrações. Mas houve também grande mobilização de escritores e público em torno de uma proposta, reconheçamos, pretensiosa. Não do poder público, é claro. A experiência só vai se tornar tradição na cidade se for transformada em lei. Fora algumas experiências isoladas, o poder público no Brasil não prioriza eventos como esse.

O GOVERNADOR CONFESSOU QUE ERA POETA

Ao contrário do poeta e compositor Arnaldo Antunes, que não veio abrir o evento porque faltou dinheiro, o governador José Roberto Arruda compareceu à abertura. Chegou de helicóptero. Falou sobre sua infância e adolescência, e confessou que não estudou letras porque o pai não permitiu. Teve a coragem de recordar a derrubada dos totens poéticos do artista plástico Gougon por funcionários do governo. E até falou um poeminha. O público estava de alto astral e preferiu não vaiá-lo.

UM NOVO MOVIMENTO POÉTICO
“A modernidade fez a apologia do desencontro, invertendo o pacto que sempre houve entre poeta e comunidade”, falou Affonso Romano. “Se no passado o poeta era um oráculo e falava em nome da tribo, nos tempos atuais ele se escondeu para monologar.” Sant´Anna convoca os poetas para tomar de assalto os novos canais e recuperar o tempo perdido no século XX. É possível, se não mensurável, que isso já esteja acontecendo com a ajuda da internet, que abriu novas possibilidades de troca e divulgação, e um novo movimento poético se encontre em plena eclosão.

POETAS ESTRANGEIROS NÃO ATRAÍRAM PÚBLICO
A multiplicação de eventos cidade adentro levou bom público a auditórios, galerias, bares e cafés, bibliotecas, exposições. O Simpósio de Crítica de Poesia, realizado na UnB, foi prestigiado e agradou os ouvintes inscritos. Infelizmente, aquele que era talvez o programa mais interessante da Bienal, que reuniu grande número de poetas estrangeiros para leitura de seus textos, foi o que menor público atraiu. Acuado nos auditórios do Museu da República e com um nome péssimo – “Sessões magnas” – o evento estimulou pouca gente a se mover até lá.

REVERÊNCIA À POESIA E AOS LIVROS
Mais importante que a dimensão do público foi a reverência à poesia, o que se observou em praticamente todos os espaços. A ampla distribuição gratuita de livros, no primeiro dia da Bienal, chegou a ser surpreendente. Às quatro antologias comemorativas do evento se juntaram grande número de livros, por autores e editores a quem parecia importar apenas a disseminação da poesia. Foi um espetáculo.

UMA GRANDE CELEBRAÇÃO
A idéia de distribuição gratuita de livros foi de Antonio Miranda, que contagiou participantes e o próprio público a fazer parte dessa idéia grandiosa. Muitos supunham que o projeto era excessivamente grande. Miranda achava que não, mas fez questão de advertir que só daria certo se houvesse empenho e envolvimento dos próprios poetas. Houve. Tanto de Brasília, quanto dos que espontaneamente vieram de outros lugares, movidos pela vontade de participar. Ao contrário de outras bienais envolvendo livros e literatura, a Bienal de Poesia de Brasília nada teve de comercial; foi uma grande celebração.

FIGURAÇAS, OS HOMENAGEADOS
A Bienal Internacional de Poesia de Brasília elegeu quatro poetas como homenageados oficiais, e eles estiveram entre as figuras mais interessantes do evento. Affonso Romano de Sant´Anna fez uma belíssima palestra sobre a resistência da Poesia. Reynaldo Jardim, garoto de 82 anos, marcou presença nos eventos, surpreendendo até quem o conhece. E a exposição sobre sua obra, no terceiro andar da Biblioteca Nacional, é simplesmente imperdível. Thiago de Mello, na Feira do Livro, e Wlademir Dias-Pino, na exposição Obranome-2, outras boas lembranças.

CAMPANHA PELA IMPLOSÃO DO CONJUNTO CULTURAL
Apesar do aspecto imponente, o Conjunto Cultural da República, formado por um museu inadequado para grandes exposições e uma biblioteca sem espírito agregador de leitores, é o grande vacilo na obra do arquiteto Oscar Niemeyer. Sem rampas de acesso ou mesmo escadas, a não ser as de incêndio, a biblioteca provoca aglomerações diante dos elevadores em qualquer evento que atraia mais de uma dezena de pessoas. Deveriam implodir tudo e fazer de novo.

O JORNAL E AS PAUTAS PERDIDAS
A imprensa agiu burocraticamente, sem espírito de reportagem. O Correio Braziliense, principal jornal de Brasília, anunciou o evento com bons espaços, mas dele nada aproveitou. Apesar da presença de grandes autores na cidade, muitos estrangeiros, foi incapaz de realizar uma entrevista ou uma matéria mais aprofundada. Não teve a curiosidade de ver – e informar sobre – o que estava acontecendo nos mais diversos espaços onde houve programação. Havia dezenas de boas pautas se oferecendo ao Caderno de Cultura, e todas se perderam.

FEIRA DO LIVRO, O VEXAME
A Feira do Livro, que a Câmara do Livro do Distrito Federal insiste em realizar em local inadequado e improvisado – os corredores externos do shopping Pátio Brasil – tentou pegar carona na Bienal e acabou se tornando um vexame. Trouxe quatro escritores portugueses para um lançamento que não houve, as palestras e recitais foram prejudicados pela falta de isolamento acústico de ambientes improvisados, e ainda foi ameaçada de terminar antes da data marcada, por falta de recursos.

LIGA TRIPA ENCERRA POEMAÇÃO

A participação do grupo Liga Tripa foi o fecho perfeito para o Poemação, evento realizado no sábado, 9 de setembro, no Café Martinica, dentro da programação da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília. O Liga Tripa é uma instituição da cultura brasiliense e vários poetas gravitam ao redor do grupo, que na verdade é mais que um grupo de música: é um movimento cultural.

O Poemação do Café Martinica reuniu poetas da cidade, além de alguns convidados de fora, para apresentar sua poesia ao público. O evento aconteceu de quinta a sábado, e outros bares e cafés promoveram eventos semelhantes. No Martinica, todos os poetas eram jornalistas profissionais. A I Bienal Internacional de Poesia de Brasília envolveu milhares de pessoas, entre público e participantes, muitos dos quais vindos de fora de Brasília e do Brasil.

O Martinica recebeu grande público nas três noites, que permaneceu atento e curioso. No sábado, participaram este que lhes escreve (também responsável pela coordenação do projeto), Ariosto Teixeira, Fernando Marques, Aloísio Brandão, Ivan Sérgio, Luís Martins, Paulo José Cunha e Vicente Sá. Apresentaram-se ainda Ronaldo Werneck, vindo de Cataguases (MG), o músico Octávio Scapin, vindo de Goiânia, e o ator Adeilton Lima.

Os músicos José Cabrera e Tiago Vovô acompanharam, respectivamente, Fernando Marques e Octávio Scapin. O poeta Fábio Carvalho leu alguns versos (ou artigos?) de seu livro A Constituição da Poesia.

Leia aqui todas as notas e informações sobre a Bienal Internacional de Poesia de Brasília publicadas neste blog.

POESIA FAZ A CABEÇA EM BRASÍLIA


O poeta Fabrício Carpinejar está em Brasília mergulhado nas atividades da I Bienal Internacional de Poesia. Para não deixar dúvidas, ele trouxe a poesia na cabeça. Veja esta e outras fotos da Bienal no Flickr.

POETAS JORNALISTAS NO MARTINICA

O Poemação, evento integrante da programação da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, apresenta, nesta quinta-feira, 4, e no sábado, 6, no Café Martinica (303 norte), um grupo de jornalistas da cidade que têm na poesia seu meio de expressão pessoal.

A apresentação começa pontualmente às 21h30. Na foto, alguns dos participantes: Ariosto Teixeira, Ivan Sérgio, Guido Heleno e Alexandre Marino (de pé); Luiz Martins, Aloísio Brandão, Paulo José Cunha e Carla Andrade (sentados).


Na sexta-feira, 5, será a vez do grupo OiPoema, formado por Luís Turiba, Nicolas Behr, Amneres Santiago, Cristiane Sobral, Bic Prado e Paulo Djorge.

POESIA PARA TODOS OS GOSTOS

O livro de poemas Arqueolhar, deste autor que lhes escreve, e a antologia Deste Planalto Central, que reúne 50 poetas participantes da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, estarão ao alcance do público a partir desta quarta-feira, 3 de setembro, na Mini-Feira do Livro de Poesia, que funcionará até o próximo domingo, 7, nos pilotis da Biblioteca Nacional de Brasília.

Arqueolhar, editado pela parceria LGE-Varanda em 2005, com ótimo acolhida da crítica, será vendido pela metade do preço de tabela. Ele também poderá ser adquirido no Café Martinica, durante o Poemação, evento que acontecerá na quinta, sexta e sábado (4, 5 e 6), a partir das 21h, reunindo diversos poetas da cidade numa grande confraternização lírica.

Deste Planalto Central, organizado por Salomão Souza, será distribuído gratuitamente aos interessados, a partir da tarde desta quarta-feira, 3, na Biblioteca Nacional, durante e após a abertura oficial da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, marcada para as 18h30, no auditório do Museu da República.

Veja a programação completa da I BIP no sítio oficial do evento .

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Bienal de Poesia-2008 para ler todas as notícias e comentários sobre a I BIP neste blog.

TUDO PRONTO PARA A FESTA DA POESIA


A I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (BIP) será aberta oficialmente nesta quarta-feira, 3 de setembro, no auditório do Museu da República. O poeta Affonso Romano de Sant´Anna, um dos homenageados da Bienal, fala sobre "As muitas vidas e muitas mortes da Poesia", e em seguida o grupo VivoVerso, da UnB, realiza recital que enfatiza a vertente lírica da obra de Sant´Anna.

Os eventos que fazem parte da I BIP estarão acontecendo desde cedo. Na Biblioteca Nacional, podem ser vistas mostras de Poesia Visual e Arte Poética. O Simpósio de Crítica e Poesia, que acontece de 3 (quarta) a 5 (sexta) no Anfiteatro 9 da UnB, terá início às 8h30, prosseguindo à tarde, a partir das 14h30.

A Câmara do Livro do DF organiza a Mini-Feira do Livro de Poesia, nos pilotis da Biblioteca Nacional, no Conjunto Cultural da República, com abertura às 15h30. No mesmo local, a partir das 17h30, terá início o Poemação da Praça da Cultura, com a Cena Contemporânea e poetas convidados.

No Cine Brasília, sessões às 16h30 e às 20h exibem vários filmes, entre curtas e longas, sobre poetas brasileiros.

As sessões magnas, dedicadas aos poetas estrangeiros e brasileiros convidados, terão leituras de poemas pelos autores, na língua original, com tradução simultânea projetada em telão. Serão realizadas no auditório do Museu da República, nos dias 4, 5 e 6, às 19h e 21h.

O concerto poético-musical Canto Latino América, da cantora chilena Elga Perez-Laborde, encerra a noite, no auditório do Museu, a partir das 22h30. Também participam o teatrólogo peruano Mario Delgado e a poetisa brasiliense Aglaia Souza, os violonistas Carlos Pascoal e Felipe Valoz; Kátia Almeida no violoncelo e piano e Jorge Macarrão na percussão.

Veja a programação completa da I BIP no sítio oficial do evento .

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BIENAL DE POESIA: PROGRAMA DA QUARTA-FEIRA

SOLENIDADE DE ABERTURA DA I BIENAL INTERNACIONAL DE POESIA DE BRASÍLIA
Museu Nacional do Conjunto Cultural da República
Homenagem aos poetas Reynaldo Jardim, Affonso Romano de Sant’Anna, Wlademir Dias-Pino e Thiago de Mello
Início às 18h30

Conferência Magna Inaugural da I BIP
Affonso Romano de Sant’Anna
Recital-homenagem ao poeta Affonso Romano - Fale-me de Amor!
Grupo VivoVerso – Grupo de Pesquisa de Poesia Contemporânea da UnB

Canto Latino América
Auditório do Museu Nacional
Conjunto Cultural da República, 22h
Concerto poético-musical com Elga Pérez-Laborde (Chile) interpretando as vozes poéticas de Garcia Lorca e Pablo Neruda, José Marti e Violeta Parra, Chico Buarque e Antonio Miranda, entre outros. Declamação de poemas de Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Cassiano Nunes e outros, por Mario Delgado (Peru) e Aglaia Sousa (DF). Com Carlos Pascoal e Felipe Valoz (violões); Kátia Almeida (violoncelo e piano) e Jorge Macarrão (percussão). Entrada franca.

DIARIAMENTE (confira os detalhes no sítio oficial da BIP):

SIMPÓSIO DE CRÍTICA DE POESIA
Homenageado: Affonso Romano de Sant’Anna.
UnB/Anfiteatro 9
De 3 a 5 de setembro, das 8h30 às 12h e 14h30 às 18h.
Exige inscrição prévia.

SESSÕES MAGNAS
Dedicadas aos poetas estrangeiros e brasileiros convidados, consistirão em leituras de poemas pelos autores, na língua original, com tradução simultânea projetada em telão. Serão realizadas no auditório do Museu da República, nos dias 4, 5 e 6, às 19h e 21h.

POEMAÇÃO

Recitais de poesia e música; projeções de vídeos poéticosAo longo da semana, na Praça da Cultura, Café Martinica, Balaio Café, Rayuela Bistrô, T-Bone, Livraria Café com Letras e vários outros locais. Confira dias, horários e poetas participantes no sítio oficial da BIP. Toda a programação do Poemação acontece à noite, com exceção da Praça da Cultura, a partir das 17h.

Poemação Praça da Cultura
Cena Contemporânea
Praça do Conjunto Cultural da República
A partir de 17h, nos dias 3, 4, 5 e 6.

EXPO ARTES PLÁSTICAS & POESIA

OBRANOME 2 – Expo de Poesia Visual
Homenageado: Poeta gráfico Wlademir Dias-Pino
Projeto e curadoria: Wagner Barja
Museu da República
Até 28/09
Terça a domingo, de 9h a 18h30

REVANGUARDA - Mostra da arte poética


Reynaldo Jardim, homenageado da I BIP
Biblioteca Nacional de Brasília, 3. andar.
Segunda a domingo, de 9h a 18h
e várias outras mostras na Biblioteca Nacional, no mesmo horário

MINI-FEIRA DO LIVRO DE POESIA


Exposição de títulos e lançamento coletivo
Pilotis da Biblioteca Nacional de Brasília
15h30

MOSTRA DE CINEMA POESIA

Cine Brasília - 4 a 7 de setembro - 16h30 e 20h.

20h, 4 e 5 de setembro,
A Babel da Luz (Sylvio Back)
Cruz e Sousa, o Poeta do Desterro (Sylvio Back)

20h, 6 e 7 de setembro
Cora, Doce Coralina (Armando Lacerda e V. Fonseca)
Castro Alves – Retrato Falado do Poeta (Silvio Tendler)

16h30, 4 a 7 de setembro
O Poeta (Paulo Munhoz)
Cora Coralina - O chamado das pedras (Adriana de Andrade e Waldir Pina)
Assaltaram a Gramática (Ana Maria Magalhães)
Viva Cassiano! (Bernardo Bernardes)

Também há eventos na Feira do Livro de Brasília, realizada no Pátio Brasil Shopping.

Veja a programação completa da I BIP no sítio oficial do evento
.

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Bienal de Poesia-2008
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BRASÍLIA EM CLIMA DE POESIA

A I Bienal Internacional de Poesia de Brasília será aberta na próxima quarta-feira, 3, mas a cidade já se adianta e entra no clima poético antes mesmo da abertura oficial.

No Espaço Cultural Mosaico (SCRN 714/715, Asa Norte), poetas diplomatas e estrangeiros residentes em Brasília conversam nesta terça-feira, 2 de setembro, com o ator Adeilton Lima e com o público e apresentam seu trabalho. Participam: Eduardo Mora-Anda (Equador), Wilfredo Machado (Venezuela), Carlos Guerrero e Maria Romeu (México), Alfonso Hernández (Espanha), Javier Iglesias (Cuba) e o músico brasiliense George Durand.

Na quarta, 3, o escritor português José Luís Peixoto autografa seus dois romances publicados no Brasil, Nenhum Olhar (Ed. Agir) e Cemitério de Pianos (Ed. Record) na Livraria Café com Letras (CLS 203, Asa Sul). Peixoto é poeta e tem um texto elaborado que por si só vale a leitura.

Este blog dará informações diárias sobre a Bienal de Poesia e recomendará alguns eventos, dentro da vasta programação que terá início na quarta e prosseguirá até o domingo, 7.

Que semana da Pátria, que nada. É semana da Poesia!!

POETAS JORNALISTAS NO POEMAÇÃO


O jornalista Clark Kent tinha uma identidade secreta que todos conhecemos. Alguns jornalistas de Brasília têm uma identidade secreta que poucos conhecem: são poetas. Nos dias 4, 5 e 6 de setembro (quinta, sexta e sábado), eles se revelarão ao público, falando seus poemas no palco que será montado no jardim do Café Martinica (CLN 303, bloco A), dentro da programação do Poemação, evento que integra a I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (BIP). Esses profissionais do jornalismo brasiliense mostrarão que, embora não sejam super-homens, também têm superpoderes.

Dois grupos de poetas (alguns, também músicos) ocuparão o palco nas noites de quinta, 4, e sábado, 6. Está confirmada a participação de Alexandre Marino, Anand Rao, Angélica Torres, Ariosto Teixeira, Carla Andrade, Guido Heleno, Ivan Sérgio, Fernando Marques, Luiz Martins, Paulo José Cunha e Vicente Sá.

A noite de 5 de setembro será reservada ao grupo OiPoema, formado por Luís Turiba, Amneres, Bic Prado, Cristiane Sobral, Nicolas Behr e Paulo Djorge.

Está prevista ainda a participação muito especial do cantor e compositor Octávio Scapin, jovem revelação da boa música de Goiânia, e de alguns poetas convidados da Bienal, vindos de outras cidades do Brasil.

ADEUS A ELIAS JOSÉ

A morte de Elias José é a má notícia que circula na manhã deste primeiro domingo de agosto. Elias vivia em Guaxupé, cidade mineira que adotou desde a juventude, e ficou conhecido por ter escrito mais de cem livros de literatura infanto-juvenil. Mas para quem conheceu pessoalmente aquela alma generosa, e leu, com espanto e admiração, seus primeiros livros, ele foi muito mais do que um autor para crianças.

Elias José, nascido em Santa Cruz da Prata em 1936, começou a publicar em 1970, quando a Imprensa Oficial de Minas Gerais lançou A Mal-Amada, uma surpreendente coleção de minicontos, e em seguida O Tempo, Camila. O livro seguinte, Inquieta Viagem ao Fundo do Poço, ganhou o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro em 1974.

Elias foi um grande incentivador da revista Protótipo, que este que lhes escreve lançou na cidade de Passos no início dos anos 70, ao lado de Antonio Barreto, Marco Túlio Costa e outros adolescentes que se lançavam à literatura.

Seus contos e poemas foram publicados em antologias e revistas literárias no México, Argentina, Estados Unidos, Itália, Polônia, Nicarágua e Canadá. Professor universitário, estava aposentado e se dedicava a ministrar cursos, oficinas e palestras, e era intelectual atuante em eventos de educação e literatura.

Esperemos que este país sem memória não o esqueça. E que alguma editora com boa visão reedite seus primeiros livros, que certamente têm muito mais a acrescentar à literatura brasileira que grande parte dos textos insossos que constituem as grandes "novidades" impostas pelo mercado literário de nossos dias.


Foto: capturada no sítio www.literaturaonline.com.br, feita durante lançamento do livro Deu Doideira na Cidade, Ed. Martins Fontes, em 20 de março de 2003.

O POEMAÇÃO VEM AÍ

Um dos mais aguardados eventos da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (BIP), o Poemação, começa a tomar forma. Na noite de ontem (quarta-feira, 30), começamos a definir como será a apresentação dos poetas nas noites de 4, 5 e 6 de setembro no Café Martinica.

O Poemação será realizado, nessas datas, em vários espaços da cidade - Balaio Café, Rayuela, Livraria Café com Letras, Café Savana, Bistrô Bom Demais, entre outros. No Café Martinica, o Poemação reunirá poetas-jornalistas, alguns também músicos, como Anand Rao e Ivan Sérgio. Também poderão ser incluídos, nessas apresentações, poetas convidados da Bienal vindos de outras cidades.

Na foto que ilustra esta postagem, quatro poetas que participarão do Poemação no Martinica: Ariosto Teixeira, Ivan Sérgio, Carla Andrade e este que lhes escreve.

Vamos em frente. Tudo indica que a BIP será o maior evento de poesia que a cidade já viu.

EVENTOS EM BRASÍLIA

Alguns eventos culturais previstos para o próximo fim de semana (24/25/26 de julho), em Brasília:

Pingos de Chuva - Noite de música e poesia, com Carla Andrade, Anand Rao e Luísa Peters. No Rayuela, 412 sul, bloco B, subsolo, a partir de 21h do dia 24, quinta-feira.

Latinidades: uma nação, dois países e sete artes - A Embaixada da Venezuela e o Fotoclube f/508 inauguram exposição binacional de fotografias na quinta-feira, 24, às 19h. Participam 14 fotógrafos (sete venezuelanos, seis brasileiros e um representante do cruzamento - um venezuelano que mora no Brasil). A Embaixada da Venezuela - em cujo salão as obras permanecerão até 7 de agosto - está situada no Setor de Embaixadas Sul, Avenida das Nações, quadra 803, lote 13, Brasília. O horário de visitas será das 9h às 12h, e de 15h às 17h. As visitas monitoradas podem ser agendadas pelo número 3347.3985

Meu Nome Agora é Jaque - Eltânia André, escritora mineira de Cataguases, convida para o lançamento do livro de contos Meu Nome Agora é Jaque. Será na sexta-feira, 25 de julho, a partir das 19h, no Martinica Café, 303 Norte, Bloco A, (3326-2357).

FLIP: IMPRESSÕES DE UM VISITANTE

A festa é intensa, o motivo justo: celebrar a literatura e aqueles que lhe dão sentido, escritores e leitores. O cenário é um sonho, não poderia ser mais literário; Paraty, cidade histórica do litoral fluminense. Sua população, de menos de 30 mil pessoas, recebeu cerca de 20 mil visitantes entre 2 e 6 de julho, e ainda conseguiu ser hospitaleira. Mas, ainda que tomada por essa multidão, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em sua sexta edição, continuou elitista. Julgue-se pelos altos preços de todos os serviços, incluindo os da própria Flip, a começar pelos R$ 25,00 do ingresso de cada palestra. E quem pagou R$ 25,00 pelo show de abertura, com Luís Melodia, deve ter se arrependido, pois quem não pagou viu do mesmo jeito, só que do lado de fora da cerca.

Não faltaram turistas estrangeiros, que puderam entrar em contato com algo que muitos deles adoram – a vocação brasileira para a esculhambação. O anfiteatro montado para o público permanecia fechado até o momento marcado para o início das palestras, e a fila crescia lá fora. Depois, privilegiados e “acompanhantes” entravam na frente e ocupavam os melhores lugares. Os convidados estrangeiros apresentavam-se com seriedade, mas alguns brasileiros pareciam ter sido convocados à última hora para participar de algo que nem sabiam direito o quê era. Foi o caso do crítico de arte Rodrigo Naves, que caiu de pára-quedas em meio ao evento. “Tenho 53 anos e só publiquei um pequeno livro de contos”, disse ele. “Não sei se sou escritor, isso não é uma coisa bem resolvida para mim.” Participante da mesa “Formas Breves”, com o brasileiro Modesto Carone e o alemão Ingo Schulze, parecia tonto. Modesto Carone tentou improvisar uma pergunta para Schulze que ninguém entendeu. Restou ao público ouvir o alemão narrar suas experiências de escritor nascido na Alemanha Comunista, testemunha da queda do Muro de Berlim.

Uma das pérolas da esculhambação foi proporcionada por Carlos Augusto Calil, mediador da mesa que reuniu Schulze, Carone e Naves. “Formas breves”, definiu ele, “são aqueles textos curtos, ideais para quem não tem tempo a perder com literatura e abre brechas no seu tempo para leituras rápidas.” Sem comentários...

Não foi o único caso de mediador que tentou aparecer mais do que os palestrantes. Manuel da Costa Pinto chegou a ouvir protestos do público, na mesa que teve os italianos Alessandro Baricco e Contardo Calligaris. Ángel Gurria-Quintana por várias vezes tentou impedir o colombiano Fernando Vallejo de disparar sua verve polêmica, na mesa que promoveu seu encontro com o holandês Cees Noteboom.

A sexta edição da Flip contou com novo diretor de programação, Flávio Moura, que não se deu ao trabalho de trazer qualquer poeta para a festa. Literatura, para ele, parece ser apenas ficção. Houve muita badalação, elogios, aquelas coisas. Representantes das principais editoras brasileiras estavam lá, talvez para conferir se os nomes que indicaram participaram de fato. Era o caso da Companhia das Letras e da Cosac-Naify, entre os patrocinadores da festa. Assim como a Folha de S. Paulo, cujos colunistas, cada um mais chato que o outro, ocuparam várias mesas.

Mas a Flip não frustrou o público. O crítico e ensaísta Roberto Schwarckz fez a abertura da festa com uma brilhante conferência sobre o homenageado deste ano, Machado de Assis. Ele mostrou que a obra do escritor nada tem de conservadora. Ao contrário, Machado era um crítico da sociedade de seu tempo, que tentava convertê-lo em seu aliado, e somente após a descoberta de sua obra por estudiosos estrangeiros ele pôde ser melhor compreendido em sua terra.

A psicanalista francesa Elizabeth Roudinesco fez uma interessante palestra sobre a perversão, com base em livro publicado recentemente, que aborda o comportamento doentio de personagens clássicos da literatura, como Dorian Grey, do livro de Oscar Wilde. O escritor colombiano Fernando Vallejo, polêmico e irônico, previu que a palavra “fome” será banida dos dicionários brasileiros pelo “seu presidente, gordinho e contente” e distribuiu farpas a suas costumeiras vítimas – o papa, a Colômbia, etc, etc. O holandês Cees Noteboom falou de suas viagens ao redor do mundo, de onde retira a riqueza de seus personagens.

Houve outros autores dignos de nota, mas também é preciso falar do casario de Paraty, da paisagem, da Serra do Mar, de sua gente simpática, do Teatro de Bonecos, do Armazém da Cachaça, do Bombom da Maga, do restaurante Banana da Terra e seus pratos feitos com esmero, da moqueca vegetariana do Arpoador e do restaurante Grão da Terra e sua deliciosa cozinha vegetariana, grande descoberta. E dos passeios às praias do Sono e de Trindade. A Flip foi uma experiência proveitosa. Paraty é sempre um convite à volta.

FESTIVAL PREMIA 'OS PÁSSAROS'

O poema Os pássaros de Bagdá, deste escriba, foi classificado em terceiro lugar no Festival de Poesia Falada de Varginha, realizado no dia 28 de junho. O vencedor foi Reginaldo Costa de Albuquerque, de Campo Grande, e em segundo lugar ficou Eder Rodrigues da Silva, de Belo Horizonte. Ana Maria Gilli Martins, de São Paulo, ganhou o prêmio de interpretação.

Integraram o júri do Festival o professor e poeta Messias Israel Balboni, de Poços de Caldas (MG); o escritor e professor Moacyr Vallim Filho, de Varginha, e Adolfo Maurício Pereira, advogado e ex-prefeito de Cruzília (MG).

ARQUEOLHAR NA OFF FLIP, EM PARATY

Os visitantes e participantes da Festa Literária Internacional de Paraty terão a oportunidade de conhecer (e adquirir!) o livro de poemas Arqueolhar, deste escriba, no dia 5 de julho, sábado. Sou um dos autores convidados da Off Flip - Circuito Paralelo de Idéias, um dos muitos eventos agregados à imensa e intensa programação da Festa.

Arqueolhar está incluído no lançamento coletivo que reunirá diversos autores convidados da Off Flip, entre os quais Alice Ruiz, Chacal, Frederico Barbosa, Jeanette Rozsas, Marcelino Freire, Nelson de Oliveira, Orlando Tejo e Ovídio Poli Junior, num total de 32 autores. O evento acontece a partir das 20h, logo após a entrega do Prêmio Off Flip de LIteratura, na Villas de Paraty Pousada.

FESTIVAL DE POESIA DE VARGINHA


Este escriba participa do Festival de Poesia Falada de Varginha no próximo sábado, 28, apresentando o poema acima [Clique sobre o texto para para lê-lo]. Participam 20 poemas, de autores de vários estados do Brasil. O evento acontece no Teatro Marista, no centro da cidade mineira.

BIENAL DE POESIA PROMETE AGITAR BRASÍLIA

Saraus poéticos, exibição de filmes, projeção de audiovisuais, exposições de artes plásticas, apresentações musicais - todas essas linguagens, sempre girando na órbita da poesia, comporão a programação da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que acontece de 4 a 7 de setembro. O evento terá ainda o Simpósio de Crítica de Poesia, coordenado pela professora e poeta Sylvia Cintrão, da UnB.

Os organizadores trabalham, agora, para fechar a programação, que contará com dezenas de poetas convidados, do Brasil e exterior. Um dos eventos que promete agitar a cidade é o Poemação, que reunirá autores de diferentes estilos em bares e cafés da cidade. Destaque para o Café Martinica (303 norte), que contará com a apresentação de um grupo selecionado de poetas jornalistas. O Martinica também abrirá seu espaço para um espetáculo do Oi Poema, grupo que reúne Luís Turiba, Amneres Santiago, Nicolas Behr, Bic Prado e Cristiane Sobral, entre outros.

A abertura do evento, no dia 4, terá uma apresentação do ex-titã Arnaldo Antunes. Entre os autores do exterior, virão, entre outros, os peruanos Antonio Cisneros, Manuel Pantigoso e Mario Delgado, o português Luis Serguilha, os espanhois Eduardo Garcia, Juan Pajares, Alicia Miralles e Juan Carlos Reche, entre outros. Entre os brasileiros, destaque para Capinan, Affonso Romano de Santanna, Fabrício Carpinejar, Alice Ruiz, Sylvio Back, Horácio Costa, Xico Chaves e Floriano Martins.

Leia
aqui todas as notas e informações sobre a Bienal Internacional de Poesia de Brasília publicadas neste blog.

PROGRAMAÇÃO DE CINEMA É DESTAQUE DA BIENAL DE POESIA

A Mostra de Cinema-Poesia da I BIP, que ocupará o Cine Brasília na primeira semana de setembro, vai oferecer oito imperdíveis filmes sobre poetas brasileiros. Em dois longas, um média e cinco curtas, entre ficção e documentário, todos premiados, o público vai ver a história e a poesia de Castro Alves, Cruz e Sousa, Cora Coralina, Cassiano Nunes e Paulo Leminski, Waly Salomão, Chico Alvim, Chacal e Helena Kolody.

Os dois longas narram a conturbada e apaixonada trajetória de Castro Alves (Retrato Falado do Poeta), sob a direção magistral de Silvio Tendler; e de Cruz e Sousa (O Poeta do Desterro), o primeiro simbolista brasileiro, biografado por Sylvio Back. Entre os curtas está mais um de Back, A Babel da Luz, em que o polêmico cineasta e poeta catarinense revela a poetisa sulista Helena Kolody, então com 80 anos.

Outra poetisa protagonista da mostra é a goiana Cora Coralina, homenageada em dois belos curtas pelos cineastas brasilienses Waldir Pina (Cora Coralina: O Chamado das Pedras) e Armando Lacerda/Vicente Fonseca (Cora Doce Coralina). Também de Brasília é a produção de Viva Cassiano!, com que Bernardo Bernardes celebra o poeta Cassiano Nunes, patrimônio da literatura brasiliense, falecido no ano passado.

Assaltaram a Gramática, de Ana Maria Magalhães, apresenta em linguagem de videoclipe os poetas da geração chamada marginal, Paulo Leminsky, Chico Alvim, Waly Salomão e Chacal numa ficção performatizada. Raridade, o documentário homenageia Ana C. César e tem Lulu Santos, os Paralamas e Scarlet Moon na canção-tema. A mostra da BIP traz ainda o desenho animado O Poeta, de Paulo Munhoz, filme premiadíssimo e que tem novamente Leminsky na trama, além de Fernando Pessoa.

Mostra de Cinema Poesia na I BIP – No Cine Brasília

4 e 5/9, às 20h: A Babel da Luz (Sylvio Back) e Cruz e Sousa, o Poeta do Desterro (Sylvio Back).
6 e 7/9, às 20h: Cora, Doce Coralina (Armando Lacerda e V. Fonseca) e Castro Alves – Retrato Falado do Poeta (Silvio Tendler).
4 a 7/9, às 16h30: O Poeta (Paulo Munhoz), Cora Coralina - O chamado das pedras (Waldir Pina), Assaltaram a Gramática (Ana Maria Magalhães) e Viva Cassiano! (Bernardo Bernardes).

(Com informações da Assessoria da Biblioteca Nacional de Brasília, que promove o evento)

POESIA SOBRE AS ÁGUAS

Em Brasília já é tempo de seca, mas quando se fala em poesia a previsão é de chuva na horta. Neste fim de semana (21 e 22), o grupo OiPoema levou poetas e grande público a navegar nas águas do Lago Paranoá. Desta vez, com três convidados especiais: Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto e Alexandre Brito, do grupo AmeOpoema, de Porto Alegre. A bordo da Barca Brasília, a poesia deitou e rolou durante mais de três horas. Na foto acima, Luís Turiba, Bic Prado, Nicolas Behr, Cris Sobral e Paulo Djorge, que compõem o OiPoema, fazem as primeiras intervenções, ainda à luz do pôr-do-sol. Abaixo, Alexandre Brito, Ronald Augusto, Ricardo Portugal e Ricardo Silvestrin posam para o painel histórico da Barca.

Além de interpretar seus poemas, os gaúchos também mostraram um criativo trabalho musical, cantando algumas canções do cd Música Legal com Letra Bacana. O tipo de música que eles fazem é isso mesmo. Quem não foi, perdeu. Na imagem abaixo, o registro do grupo no palco.

Durante o passeio, outros poetas convidados deram seu recado, inclusive este que lhes fala (foto abaixo).

A presença dos poetas do AmeOpoema em Brasília, participando da Barca Poética e promovendo um lançamento coletivo no Café da Rua 8 (CLN 408, bloco B) na sexta, 20, contribuiu para agitar a cena literária brasiliense neste fim de semana. Espera-se que tenham levado boas lembranças.

Quem estiver em Brasília pode programar um passeio na Barca com o comandante Edmilson (61 8419-7192). Quem estiver navegando na internet, pode visitar os sítios do AmeOPoema, do Ricardo Silvestrin, do Ronald Augusto e da Editora Éblis.

AME O POEMA

O grupo AmeOpoema chega a Brasília nesta sexta-feira, 20, para um lançamento coletivo de livros, no Café da Rua 8 (CLN 408, bloco B). Haverá um sarau, autógrafos, bate-papo, essas coisas que reúnem as pessoas em torno dessa poção mágica chamada poesia. Comparecerão Alexandre Brito, Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto e Ronaldo Machado, do time dos gaúchos, a que se unirão Luís Turiba, Nicolas Behr, Fred Maia e Ricardo Portugal, de Brasília. AmeOpoema, além de um grupo, é uma editora premiada. O Prêmio Açorianos, da Secretaria de Cultura de Porto Alegre, reconhece a qualidade dos livros, da idéia e dos autores. O propósito do grupo tem tudo a ver que a inquietação que move a poesia.

CHUVA DE POESIA EM BRASÍLIA

A Câmara do Livro do DF anuncia para esta quinta-feira, 19, uma Chuva de Poesia em Brasília. Está marcada para as 17h, na área externa do Museu da República, no Eixo Monumental, entre a Catedral e a Rodoviária.

Será uma chuva estranha, porque vai chover para cima. Acontecerá assim: centenas de poemas subirão pelos ares, dentro de balões de gás. Então só vai chover mesmo quando os balões descerem... o que ninguém sabe quando ou onde acontecerá.

De acordo com a Câmara, a pessoa que encontrar um desses balões deve retirar o poema e informar à entidade, por telefone ou e-mail, seu nome, endereço e um código impresso no poema, para posteriormente receber pelos correios uma antologia com os trabalhos que fizeram parte da Chuva.

Às 19h, haverá outro evento, no auditório do Museu: o lançamento oficial da I Bienal de Poesia Internacional de Brasília, a XXVII Feira do Livro e o XXIV Prêmio Global de Poesia sem Fronteiras de Línguas e de Formas de Expressão, promovido pelo Centro Gianni Estudi Bosio, da Itália.

A má notícia: os livreiros que promovem a Feira do Livro de Brasília não tiveram a coragem de abandonar os corredores externos do shopping Pátio Brasil e fazer um evento grandioso, vinculado de fato à Bienal Internacional de Poesia. Pelas presenças prometidas e programação prevista, a Bienal tem tudo para ser um acontecimento marcante. A Feira continuará como nos últimos anos.

FESTIVAL DE POESIA EM VARGINHA

A cidade de Varginha, no sul de Minas, realiza no sábado, 28, seu Festival de Poesia Falada. É evento tradicional, que nos anos 70/80 já reunia poetas reconhecidos, de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e outras origens. Este ano, o festival recebe Mano Melo, cearense radicado no Rio, Alê Machado e Márcio Cassoni, de São Paulo, Glênio Vilela, de Belo Horizonte, e vários poetas vindos de Minas, São Paulo, Rio, Mato Grosso do Sul - interior e capitais. Este escriba também foi selecionado. Três representantes de Varginha serão escolhidos na sexta, 27, para se unirem no sábado aos outros 17 poetas, que apresentarão seus trabalhos, pessoalmente ou por intermédio de outros intérpretes. O evento será realizado no Teatro Marista, centro de Varginha, a partir das 20h.

BIZARRAS CRIATURAS MUTANTES (BCM) [1]

O desequilíbrio ecológico, desastres naturais e a explosão demográfica são as causas mais prováveis do aparecimento no interior do Brasil de um ser mutante identificado pelos cientistas como homo bregus, popularmente conhecido como breganejo. As teorias mais aceitas indicam que se trata de um fenômeno involucionista, que fez surgir um ramo horizontal na escala ascendente da evolução do homo sapiens.

A mutação da criatura se deve ao derretimento da área do cérebro responsável pelo bom gosto, fato cujas causas são ainda desconhecidas pelos cientistas. Concomitantemente ocorrem profundas alterações nas cordas vocais desses indivíduos, levando-os a emitir ondas sonoras características, uma inusitada mistura de tons e semitons altamente prejudicial aos cérebros de indivíduos normais, que dessa forma passam por idêntica mutação. É fenômeno semelhante ao dos lendários vampiros, que ao se alimentar do sangue de pessoas normais as transformam em novos vampiros.

A terceira característica comum a tais criaturas, também motivo de polêmicas entre os pesquisadores, é a sua incapacidade de ter vida autônoma e independente, o que freqüentemente os leva a reunir-se dois a dois (veja foto). Essa forma de hermafroditismo bicorpóreo os torna gêmeos siameses unidos não pelos corpos, mas por ondas cerebrais e sonoras interdependentes.

De acordo com alguns cientistas, há indivíduos normais resistentes à ação dos breganejos. A razão para isso parece ser o desenvolvimento de bom gosto musical desde a infância, o que lhes criaria uma capa protetora eficiente. Ouvidos moucos também são excelente proteção. Os cientistas, no entanto, divergem quanto ao grau de resistência e vulnerabilidade. É conhecido o caso de um cineasta brasileiro que, ao realizar um filme sobre essas criaturas, foi inoculado pelo veneno sonoro e tornou-se um deles. Também há registros de casos de contaminação de pesquisadores, jornalistas, artistas e até um presidente da República (o que, convenhamos, não quer dizer muita coisa).

A mutação dos homo bregus tem sido muito explorada pela indústria musical, devido ao seu alto potencial lucrativo, o que torna ainda mais difícil a sua cura, devido aos altos investimentos na disseminação da doença - ou seja o que for esse fenômeno, que alguns cientistas insistem em inserir na categoria de desarranjo psicossocial, e não de doença.

Sabe-se, com certeza, que é ocorrência extremamente contagiosa, podendo alastrar-se por comunidades inteiras. Há casos conhecidos até em países civilizados, o que leva muitos cientistas a alertar para um perigo que talvez seja maior que originalmente suposto. De acordo com esses estudiosos, há teoricamente o risco de toda a civilização humana ser afetada, o que reduziria os resistentes a uma pequena seita.

Poema de amor

Um retrato

Alexandre Marino

Teu olhar me abraça, mulher,
e me sobrevoa
como o silêncio das corujas
como os que temendo os abismos
à borda de si mesmos se debruçam

Tua viagem imóvel
faz de mim um pirata arrependido
que naufraga em si próprio
para não morrer no mar como um corpo estranho

E diante de teu rosto permaneço estático
deixando que teus olhos se escorreguem
sobre minha superfície pálida

(Eu bebo soluços, mulher,
e vomito sonhos
por não ter como os engolir)

É o que sente um homem
ao levantar o rosto e rever-te nua
refletida nas estrelas entre roupas no varal
e ao tentar voar descobrir que a lua
se desprendeu da poça d´água
e despenca no quintal

E eu revolucionário aleijado
que jogo sal no café
entre poemas e biscoitos
sem poder tomar em armas
ou destruí-las todas
miro mais uma vez o teu retrato
e sorrio quando teu cheiro
invade o quarto

Mas antes que me asfixies com um sorriso
eu bebo a multidão para ficarmos sós
e sem procurar caminhos
ou dividir fronteiras
fecho os olhos como um pescador de almas
que perdeu a linha
e se feriu com os anzóis.


Publicado no livro
O delírio dos búzios (Varanda, 1999), Um retrato venceu o XI Festival de Poesia Falada de Varginha em 1986. Voltaremos ao Festival este ano.

Poesia no Jardim da Filosofia

O poeta Luís Turiba volta a falar de poesia nesta quarta-feira, 4 de junho, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, desta vez na companhia do músico Zeca Baleiro. O tema do encontro é "A música da palavra e a palavra na música". O projeto chama-se Jornada de Poesia no Jardim da Filosofia e a sua curadora, Viviane Mosé, será a apresentadora. O evento acontecerá na primeira quarta-feira de todos os meses, até outubro.

Poesia e vinho no Mosaico

O Espaço Cultural Mosaico vai aos poucos marcando presença em Brasília com eventos artísticos. Localizado na entrequadra 714/715 Norte, o Mosaico oferece oficinas de arte, workshops, peças de teatro e outros encontros periódicos. Quinzenalmente, às terças-feiras, promove o Poesia e Vinho, quando o ator e poeta Adeilton Lima recebe um convidado para conversar e apresentar seu trabalho. No dia 27 de maio, lá esteve o poeta Luís Turiba, dando uma pequena amostra do novo livro que prepara (foto). Isto não é propaganda - é apoio sincero. É o que o Espaço Cultural Mosaico merece e espera do público em geral. Brasília precisa de iniciativas desse tipo. O telefone de lá é o 3032-1330. É possível que algum evento programado interesse a você.

Tramas

É hoje a abertura de Tramas, exposição do artista plástico Gomes de Souza na Marcos Caiado Galeria de Arte, em Goiânia. Sempre surpreendente e inquieto, Gomes recicla alguns de seus trabalhos antigos, alguns com mais de 10 anos, retalhando-os com estilete, destruindo e reconstruindo, renovando. Gomes, agora, é mais artesão que artista plástico: recorrendo a materiais como couro de boi, plásticos, borrachas e papéis, e os próprios filetes que sobreviveram de suas obras recicladas, dá vida nova ao antigo. O resultado são imagens como esta, ricas em efeitos de óptica. A galeria fica na rua 1136, número 56, no Setor Marista, e a abertura é às 20h. Visitação até dia 13 de junho.

O Globo em Cannes

A atriz paulista Sandra Corveloni, protagonista de Linha de Passe, filme de Walter Salles e Daniela Thomas, deve ter ficado com essa expressão desconsolada ao ler a capa do Caderno 2 do O Globo de sábado. A matéria de Rodrigo Fonseca, reverente e bajuladora, apresentava um perfil da atriz Angelina Jolie, e a anunciava como virtual vencedora da Palma de Ouro do Festival de Cannes. Segundo o repórter, não havia concorrência. Sandra Corveloni, paulista? Nem pensar.
Acontece, é bom que se diga, que Angelina Jolie era a atriz principal de um concorrente hollywoodiano - The Exchange, de Clint Eastwood.
Bem, aconteceu o que Fonseca não esperava. O júri de Cannes premiou Sandra Corveloni. Melhor atriz do Festival.
Na segunda-feira, de ressaca moral, Rodrigo Fonseca anunciou os premiados e escreveu um pequeno box, com um tímido perfil da brasileira vencedora. No texto da matéria principal, ele falou que "Audácia é o adjetivo ideal para descrever as decisões do júri" (sic).
Qualquer dicionário da Língua Portuguesa que você consultar esclarecerá que "audácia" é um substantivo, não um adjetivo. Mas para saber disso os bons redatores não precisam consultar dicionário algum. O repórter estava mesmo atordoado.
Jornalismo colonizado, reverente ao cinema hollywoodiano. Não tem conserto.

Ainda é tempo

O Festival de Poesia Falada de Varginha (MG) recebe inscrições até a próxima terça-feira, 20, valendo o carimbo dos correios no envelope. Varginha tem 116 mil habitantes e fica a 320 quilômetros de Belo Horizonte, no sul de Minas. A cidade ganhou fama folclórica com aquela história do "ET de Varginha", mas para os poetas, especialmente os mineiros, o vínculo é outro.

O Festival de Poesia Falada é uma tradição. O prêmio é pequeno, mas para quem tem tempo e disposição para a viagem, vale a participação e a visita. Nos anos 70 e 80, a cidade era tomada por uma caravana dessas figuras estranhas, vindas principalmente de Belo Horizonte. Por lá passaram Pascoal Mota, Fritz Teixeira de Salles, Antonio Barreto, Geraldo Reis, Henry Correa de Araújo, grandes nomes da poesia mineira, revelados nas páginas do heróico e histórico Suplemento Literário do Minas Gerais, cria de Murilo Rubião.

Agora que a poesia volta a ganhar força de expressão no país, é bom saber que Varginha entra novamente no circuito. O Festival recebe até três poemas por autor até a próxima terça-feira, seleciona 20 até o dia 6 de junho e realiza a noite de apresentação no dia 28 de junho, sábado. O regulamento completo e a ficha de inscrição podem ser acessados aqui.

Esther Maciel em Brasília


A escritora mineira Maria Esther Maciel vem a Brasília lançar O Livro dos Nomes, publicado pela Companhia das Letras. O lançamento será nesta sexta-feira, 25, no Café com Letras (203 sul - 3322-4070), a partir das 19h.

Maria Esther é professora da Faculdade de Letras da UFMG e doutora em Literatura Comparada, com pós-doutorado em Cinema pela Universidade de Londres. Também é ensaísta e pesquisadora do CNPq. Mas sugiro uma atenção especial ao seu texto denso, poético, cativante.

O Livro dos Nomes é um romance construído a partir da história pessoal de 26 personagens, figuras reunidas por parentesco ou convivência. Ou, para quem preferir, uma coleção de contos interdependentes. O belo texto de Esther vai aos poucos amarrando o leitor a toda essa trama de tramas.

Brasília, 48 anos. O sonho e o pesadelo.


A Esplanada dos Ministérios, cantada como uma das obras-primas do arquiteto Oscar Niemeyer, que valeu a Brasília o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco, recebeu 850 mil pessoas nas comemorações dos 48 anos da cidade, no dia 21 passado. Foi uma data especial, pois a cidade acaba de receber outro título importante, o de Capital Americana da Cultura 2008. Pois não é que essa massa deixou sobre os belos gramados da Esplanada mais de 70 toneladas de lixo!!!

Não é erro - foram 70 toneladas, que fizeram da bela área administrativa da capital federal um lixão a céu aberto... Há alguma coisa errada nessa história. Não é possível que alguém considere isso normal.

Capital Americana da Cultura 2008... A massa não sabe o que é isso. Foi à Esplanada para ver shows do nível do breganejo Leonardo, uma banda qualquer de axé... E, acima de tudo, para pisar, destruir, mijar onde fosse possível. Um dos comentários mais comuns, no dia seguinte, era o cheiro de pocilga da Esplanada.

O secretário de Cultura do DF, Silvestre Gorgulho, disse a este escriba que a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional é uma das mais importantes das Américas. Ela só se apresenta no espaço elitista do Teatro Nacional. Por que não oferecaram ao povo a oportunidade de ouvi-la a céu aberto?

Não. Há um mito de que o povo só gosta de lixo. Deve ser por isso que o povo devolve lixo ao logradouro admirado pelo mundo inteiro. Alguma coisa está fora da ordem. E depois me criticam quando digo que morro de saudades de passear nos gramados de Champs de Mars.