Mostrando postagens com marcador louvores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador louvores. Mostrar todas as postagens

[crônica] UMA FESTA PARA O PROFESSOR

 
[Clique na imagem para ampliar]

A realização da Feira Literária de Passos (Flipassos), em sua quinta edição, é uma vitória do setor cultural da cidade e da região (Sudoeste de Minas). A Feira entrou no calendário oficial da cidade e será realizada anualmente, em novembro. O homenageado deste ano é o escritor e professor Gilberto Andrade Abreu. 


[poesia] MEUS POEMAS NO RASCUNHO

Pode-se dizer que o jornal Rascunho é, hoje, a mais importante publicação voltada para a divulgação da literatura no Brasil. Lançado há 20 anos e com circulação mensal ininterrupta, a edição impressa conta com cerca de 60 colaboradores todos os meses e alcança todas as regiões do Brasil, além do exterior. É um fenômeno, em país cada vez mais emburrecido. Por isso é preciso aplaudir e incentivar iniciativas como essa. 

Na edição 250, de fevereiro de 2021, foram publicados alguns poemas deste autor na página Poesia Brasileira, editada pela escritora Mariana Ianelli (que muito admiro e a quem agradeço). Na página estou muito bem acompanhado, ao lado de Susanna Busato, Iracema Macedo, Moisés Alves e Iacyr Anderson Freitas. 

[Clique na imagem para ampliar]

Um texto de Rui Werneck

Estremeço/quando penso/em estrelas...
Poemas sempre foram algo como uma casa sem portas, cheia de corredores, diversas paredes – nem todas retas –, chão deslizante, teto aberto para as estrelas. Um labirinto que desemboca onde a imaginação do leitor o levar.
Poemas de amor desembocam sempre numa saudade. Na nossa – atiçada pelo poeta. Saudade de outros tempos, outros lugares, outros céus.
Poemas por amor são diferentes. Mas só um pouco. Eles nos levam a imaginar um coração de poeta dançando sobre as estrelas. em vez de apenas contemplá-las.
Assim, os poemas do livro do Alexandre Marino são poemas por amor. Você viaja com o poeta tentando desvendar a intimidade, os silêncios, os abraços, as mãos dadas em um postal de Paris, o primeiro encontro, os disfarces, os pequenos tesouros em forma de ramos de flores ou lençóis... Tudo isso e outras ilhas desertas, porém habitadas por palavras que correm alegres pela areia, pelos aconchegos, pelas carícias, pelas mudas leituras de lábios.
Depois de tentar imaginar as peripécias do poeta para cantar sua amada, você tem ainda a belíssima edição do livro. Na capa, um terno abraço de amantes – nada menos que um quadro de Pablo Picasso. A mão do rubro, porém terno, amante no ombro da amarela e tímida amada. E duas mãos que se tocam de leve prometendo uma vida eterna de amor.
Assim são os poemas por amor de Alexandre Marino – dedicados a uma só mulher, mas propriedade legítima de todos os leitores que sabem apreciar estrelas pelo teto aberto de uma casa feita de palavras.
Alexandre Marino é poeta mineiro exilado em Brasília, o livro foi produzido pela Editora Varanda, em 2007, numa edição fora do comércio. Quer dizer, você deve entrar em contato com o Alexandre, via e-mail (varanda.ce@gmail.com) para poder achar o endereço da casa sem portas, cheia de corredores, diversas paredes – nem todas retas –, etc., que levarão você onde sua imaginação puder.
:::::
Rui Werneck, escritor e publicitário paranaense, no sítio Shvoong (http://pt.shvoong.com/), sobre o mais recente livro deste escriba, Poemas Por Amor, Varanda Edições, 2007.

Deu no jornal

"O poeta Alexandre Marino, mineiro radicado em Brasília, é um incansável batalhador pela literatura brasileira, nas mais diversas frentes. Autor de quatro livro de poesia — o último deles Arqueolhar, pela LGE, em 2005 —, acaba de lançar um novo projeto: o volume Poemas por amor, por sua Varanda Edições (80 páginas). (...) São 31 poemas escritos nos últimos 10 anos, todos dedicados a sua mulher, todos possuidores de forte veia lírica. O sentimento amoroso, para Marino, compõe com qualquer tema, seja o futebol, seja uma gripe, seja o ato de descascar uma laranja. Na poética do autor, palavras e imagens servem ao poema com naturalidade, sem afetação. O resultado envolve e comove, como só o sentimento amoroso verdadeiro é capaz."

Simpáticas palavras de Clara Arreguy no caderno Pensar do Correio Braziliense deste sábado, 21 de abril, sobre o novo livro deste escriba.

Antonio Olinto gostou do livro

Matéria publicada pelo escritor Antonio Olinto em sua coluna
na
Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, nesta terça-feira, 2 de maio.

O sereno domínio do verbo

É na poesia principalmente que a literatura brasileira atinge seu ponto mais alto. O ponto em que estiveram Drummond, Jorge de Lima, Quintana, Cassiano, Cecília, Bandeira. Repito: poesia é, neste País, das coisas mais vivas e mais avançadas que existem. Volta e meia, poeta novo começa a fazer versos e a sacudir a mesmice dos estilos. Ou poetas já conhecidos alcançam pontos mais altos no exprimir o talvez inexprimível.

O mais evidente exemplo desse permanente renascer, de uma linha, e de outra, e de outra, é o do poeta Alexandre Marino, cujo livro "Arqueolhar" reúne poemas que, num desdobramento de temas, numa experimentação verbal própria, numa retração de sons e numa explosão silábica cheia de significados, atinge um nível de poesia que o situa entre o que de melhor tem o verso brasileiro do momento.

No livro de Alexandre Marino, predominam a rua, a árvore, a fruta, um pente, uma escova de dentes, uma xícara, a montanha, o quarto, a pedra, muitas vezes a pedra, que espera, contempla, acompanha tudo e aceita as mais diversas possibilidades nua verdadeira poesia do possível.

Veja-se de que maneira obriga o poeta a que a rua nos acompanhe, no belo poema "Esta rua", de que cito 11 versos: "Esta rua te percorre/ e faz de teus passos exílio./ Esta rua te caminha/ e vigia,/ define teus limites/ e espaços,/ e de tua saudade/ te alimenta."

Quase no final do poema, que é belamente longo, diz: "Vaga nesta rua a tua alma/ ao redor da fogueira/ que te devora os ossos".

Além de sabedoria vocabular, revela o estilo de Alexandre Marino uma extraordinária elasticidade rítmica. Alguns de seus versos dão a impressão de que podem ser lidos ao contrário ou tomados em qualquer ponto, pois o ritmo como que parte dali e se integra em nova unidade. Atente-se para o sereno domínio do poeta sobre seus símbolos, suas realidades, suas palavras.

O poeta multiplica os lugares do mundo, já que dentro da casa há outra casa, e outra, e outra, com outros quartos e incontáveis cômodos, entre corredores e labirintos passagens subterrâneas numa completa reconstrução dos espaços de ontem, que ainda são os espaços de hoje. Os poemas são todos dedicados ao menino, o menino de ontem que não mudou e continua vivendo o momento. Assim:

"Lá vai o menino
e o homem invisível
que o acompanha,
feito de sua própria sombra
a jorrar-lhe das entranhas."


Dois temas visíveis do poeta - o menino e o espanto - poderia ser fixado num "espanto do menino", diante das coisas todas, diante do preto velho mais feliz do mundo que um dia não mais se achava lá. Diz o verso: "Não imaginava que morrer fosse enorme."

Na realidade, "Arqueolhar" é uma história do Brasil, com suas jabuticabas, seus palhaços, seus circos, onde a trapezista flutua e os malabaristas fazem malabarismos - e é, assim, a historia do País, a história de uma infância, a história de um tempo, que o poeta levanta em versos, numa luta pelo aperfeiçoamento de uma capacidade de percepção.

Para isto, precisa o poeta de uma entrega total, absoluta, de si mesmo às palavras que viram versos, uma entrega cromo a do sacerdote, como a do eremita. E precisa ser forte para enfrentar a pedra, que lá está sempre, medida tranqüila das coisas.

Eis o final de seu poema "Pedra de amolar": "Um dia, nos escombros do futuro,/ em certo altar abandonado,/ com paredes e entulhos/ de um alpendre, um terraço/ ossos, restos, rastros sobre a terra,/ irremediavelmente oculta/ ou apenas insepulta,/ lá estará a pedra/ insone,/ a recordar, sem saudade,/ um regato, um leito de rio,/ uma borda de serra."

Não hesito em colocar Alexandre Marino, com este "Arqueolhar", entre os grandes poetas do Brasil. A originalidade de seus temas, o bom e forte equilíbrio de seus versos, seu grave e necessário respeito pelas suas memórias, por inventar uma literatura para cada poema. Há um tipo de poesia que é matéria verbal, vocal, oral, visível, signo, sinal, e é no ritmo que a matéria se forma e ganha contorno. Fazendo poesia com palavras, conscientemente com palavras, o bojo vocabular de Alexandre Marino é de extraordinária riqueza.