Mostrando postagens com marcador evento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador evento. Mostrar todas as postagens

LANÇAMENTO DE HIATOS EM BRASÍLIA


Convido amigos, leitores, escritores, todo o público interessado em poesia para o primeiro lançamento de meu novo livro de poemas, Hiatos. Será realizado em Brasília, no dia 23 de agosto, quarta-feira, no Martinica Café, localizado na CLN 303, Asa Norte, a partir das 19h30. 

Hiatos é uma publicação da Editora Patuá, de São Paulo. 

Informarei oportunamente lançamentos em outras cidades. 

Conto com todos vocês. 

À DERIVA NA CIDADE

As cidades guardam segredos em seus caminhos. As cidades e suas erosões, cicatrizes, feridas, cansaços. As cidades e suas memórias, visões, sombras e clareiras. A cidade e suas artérias, seu sangue, poeira, fragmentos, desejos. Carícias e agressões. Riquezas e misérias. Imagens e miragens.

Grafitti de José Augusto Iowa
Deixar o olhar se perder à deriva nessas cidades que se multiplicam dentro da cidade. No sábado, 17, um grupo de pessoas vai percorrer o centro de Goiânia com o espírito aberto para essa cidade que é de cada um e é de ninguém. Uma cidade inventada por um olhar pessoal. É a Deriva Fotográfica do Bem. O objetivo é descobrir a cidade imaginária de cada um. Vamos nos encontrar no coreto da Praça Cívica, às 8h, para a partir daí recriar em imagens a cidade que se expuser (ou se esconder) aos nossos olhos. 

Na sexta-feira, 16, vamos conversar sobre o que será, o que não será, o que poderá ser essa expedição que espera apenas a surpresa. Participarei de um bate-papo com a arquiteta Marcia Metran e o fotógrafo Helio de Oliveira, quando tentaremos convergir nossas visões pessoais sobre a cidade e tentar compreendê-la sob o olhar da arquitetura, da fotografia e da poesia. Será no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (UFG), a partir das 20h.  

Vou apresentar aos participantes da Deriva o meu livro Exília, criado a partir do sentimento de desenraizamento que atormenta o artista e o cidadão comum e que representa a tentativa de explicar esse lugar que só existe dentro de cada um de nós, como um refúgio pessoal e utópico. E tentar compreender a poesia como ferramenta para criar espaços mentais e espirituais que nos salvem de um mundo inóspito e devorador. 

A Deriva nasceu em 2008 como disciplina do curso de Arquitetura da Universidade Estadual de Goiás (UEG), e depois passou a acontecer de maneira informal, sob a coordenação do arquiteto e professor Braúlio Vinícius Ferreira. Os inscritos doam litros de leite para a Missão Pão e Vida, entidade que apoia moradores de rua e dependentes de drogas. As imagens e textos que resultarem dessa experiência serão publicados no site da Deriva. 

A BABEL DA POESIA


Quando o avião pousou no aeroporto de Lima, no Peru, por volta de meio-dia do dia 3 de julho, tinha início uma fascinante experiência. Eu chegava à cidade para participar do II Festival Internacional de Poesia de Lima, o Fiplima, a convite de seus organizadores, e estava ansioso para saber como se daria o encontro, durante os quatro dias do evento, entre os 114 poetas de 30 países que o evento anunciava. 

A Casa da Literatura Peruana
Realizado pela prefeitura da cidade e pela Associação Fórnix Poesia, o Fiplima contou com o apoio de grande número de empresas e entidades, incluindo a Unesco e a Embaixada do Brasil. Quem manteve a máquina funcionando , resolvendo pequenos e grandes problemas, foi o poeta Renato Sandoval, que contou com uma equipe dedicadíssima e um grande número de jovens voluntários. 

Outro personagem importante foi o próprio público, que prestigiou o evento. O Peru tem uma relação carinhosa com seus escritores, que se manifesta em entidades como a Casa da Literatura Peruana, sediada em edifício majestoso, no centro da capital. Não se faz um festival internacional de poesia em lugar qualquer.  

Fizemos 23 recitais, distribuídos em auditórios de bibliotecas, parques, universidades, centros culturais, em diferentes pontos de uma cidade enorme e caótica. Lima tem clima úmido, onde o tempo é permanentemente nublado e raramente se vê a cor do céu. Para chegar ao local do evento, os poetas escalados, geralmente em número entre sete e nove, eram transportados em vans contratadas pela organização do festival. No interior do carro, que inevitavelmente ficava preso em enormes engarrafamentos, o som era de uma babel, onde se misturavam as mais diversas línguas. 

Nos recitais, cada poeta falava um poema em sua língua original e em seguida um dos organizadores lia uma tradução em espanhol, ouvidas, ambas as versões, por um público atento, curioso e sensível. Havia, entre os participantes, poetas de países tão distintos quanto Suécia, França, Dinamarca, Palestina, Argélia, Armênia, Espanha, Noruega, Sérvia, entre outros, além dos latino-americanos – Argentina, Uruguai, Colômbia, México, Brasil. Alguns desses escritores nem compreendiam o espanhol, o que tornava os recitais ambientes sonoros sem muito sentido para eles, a não ser pela curiosa musicalidade da poesia em línguas estranhas. 

Mesa brasileira
Do Brasil, fomos 10 poetas convidados. Além deste que lhes escreve, lá estavam Affonso Romano de Santanna, Fabrício Marques, Iacyr Anderson Freitas, Sérgio Cohn, Fabrício Corsaletti, Luiz Silva Cuti, Lucila Nogueira, Camila do Valle e Angélica Freitas. O evento coincidiu com a realização da Festa Literária de Paraty (Flip), que excita de tal forma a imprensa cultural brasileira que não se fala de outra coisa. Uma pena, porque o Brasil foi o país convidado de honra desta edição da Fiplima, e creio, sem julgar a minha parte, que nossa poesia estava bem representada. 

Ao lado de mais de 100 poetas, ainda que todos hospedados no mesmo hotel, era impossível aproximar e tomar conhecimento de todos. No entanto, foi riquíssima a experiência de entrar em contato com a poesia de escritores de grande talento. Cada um em seu canto, formados em culturas tão diversas, esses homens e mulheres praticam o ofício de ler o mundo pela linguagem da poesia, que supera fronteiras e os une ao redor das afinidades e diversidades de sua arte.

A poesia carrega o vigor de quem toma da palavra para lutar contra a adversidade, enaltecer a beleza, demonstrar seu estranhamento diante de um mundo caótico ou questionar aparentes certezas. A poesia é uma linguagem mágica, por não se prender aos limites do sentido e estar aberta a todas as possibilidades. É o que os poetas têm em comum, ainda que venham de culturas distintas.

De 4 a 7 de julho, quando se deu o encerramento do festival, ouvi poemas que me surpreenderam pela beleza, profundidade e força. Falados em idiomas familiares ou estranhos, muitos deles permaneceram reverberando na mente e no coração. Ao deixar Lima, eu tinha certeza de que havia enriquecido e aprofundado um pouco mais a minha experiência com a poesia. 

A CAMINHO DE EXÍLIA

[clique para ampliar] 
Esta é a capa de meu novo livro de poemas, Exília, um belo trabalho de Regina Kashihara. Edição da Dobra Literatura, o livro terá lançamentos a partir da próxima semana. 

Na terça-feira, 18 de junho, vamos lançá-lo em São Paulo, na Casa das Rosas. Na quinta-feira, 20, em Passos, na Livraria Mar de Minas. E no sábado, 22, em Belo Horizonte, na Livraria Mineiriana. Volto a Brasília para lançá-lo no restaurante Carpe Diem na quinta, 27 de junho. 

Mais detalhes desses eventos - endereços, telefones, horários - estão disponíveis na coluna à direita. Informações sobre o livro podem ser lidas no menu superior deste blog, na aba "Exília". 

Contatos com o autor: am.versoseprosas@gmail.com. 

Outras informações: Alexandre Marino Versos e Prosas, no Facebook. 

LITERATURA NAS ESCOLAS

Clique nas imagens para ampliar 

Para realizar sua primeira feira literária, a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer da cidade de Passos (MG) optou por priorizar as atividades nas escolas do município. Nada de falsamente grandioso: não foram convidados superstars da literatura nem foram montados pavilhões gigantescos para atrair turistas. Mas o evento deixou marcas profundas em cerca de 20 mil estudantes de 40 escolas. E também nos escritores que participaram.

A I Flipassos foi oficialmente aberta em 8 de maio. No dia 11, sexta, falei sobre a importância dos livros e da literatura a mais de 700 alunos da Escola Estadual Nazle Jabur. Os estudantes haviam lido meu livro Arqueolhar, e fizeram emocionantes apresentações de meus poemas. No mesmo dia, conheci o belo trabalho que os alunos da escola Júlia Kubitschek fizeram sobre o mesmo livro.

Cerca de 30 escritores convidados tiveram atividades semelhantes em várias escolas. Quando não estavam conversando com os estudantes, eram entrevistados na tenda montada na Praça Geraldo da Silva Maia e conversando com o público. Alguns fizeram palestras em auditórios superlotados. Diariamente houve lançamentos de livros, nas dependências do Palácio da Cultura (sede da Secretaria) ou na praça.



No dia 14 de maio, segunda-feira, aniversário dos 154 anos de Passos, os escritores foram homenageados pelas escolas, participando do desfile que atraiu grande público, mesmo debaixo de chuva, à região central da cidade.

Este ano, o tradicional Carnaval da cidade foi cancelado pela prefeitura devido à alta incidência de casos de violência. Os R$ 80 mil investidos na I Flipassos foram remanejados da festa que não houve. O aumento de interesse pelos livros e pela leitura é evidente. Tem havido crescente procura de livros nas bibliotecas escolares, que a Secretaria de Educação e Cultura tem mantido bem equipadas.



Os escritores nascidos em Passos que participaram do evento - este escriba, Antonio Barreto, Marco Túlio Costa, Alexandre Brandão, Marise Pacheco, Benedito José, Sebastião Wenceslau Borges, Deucélia Maciel - se tornaram profetas em sua terra. Uma bela homenagem prestada pela cidade, que pode reverter em enormes benefícios.

O trabalho desenvolvido pela Secretaria de Educação e Cultura e pelas escolas já fez subir o Ideb (índice que mede o grau de educação do município) para 6,3, média prevista para o Brasil em 2020. Investir em educação é garantir um futuro melhor para todos. Passos no caminho certo.  

ARQUEOLHAR NA FLIPASSOS

Meu livro de poemas Arqueolhar, lançado em 2005, foi escrito durante quatro anos – desde 2001, quando me ocorreu a ideia de fazer um mergulho em minha infância, até 2005, quando o publiquei. Foi uma fascinante experiência de cavoucar meus abismos interiores por meio da literatura. Ao mesmo tempo, considero o resultado bem sucedido em termos de projeto literário, o que prova, ao menos para mim, que a poesia, a literatura e as artes em geral só se realizam plenamente quando o autor lança mão de seus fantasmas e pirações para produzir suas obras, dosando os frutos desse mergulho com a técnica, o lirismo e um certo olhar crítico, de forma a tornar sua obra palatável a quem teve outras vivências. 
 
O cenário dos poemas de Arqueolhar é minha terra, Passos, no sul de Minas Gerais, que realiza esta semana, com encerramento em 14 de maio, a sua primeira Feira Literária, a Flipassos. Volto à cidade para conversar sobre o livro com grupos de estudantes, em duas escolas, e em encontros com outros escritores. Minha expectativa é grande, porque terei a oportunidade de apresentar novamente a meus conterrâneos um trabalho que não deixa de ser, também, uma homenagem à cidade onde passei minha infância e adolescência. 

 
Os poemas de Arqueolhar abordam aquilo que poderíamos chamar de alma de uma cidade, ou ao menos um espírito que identifiquei como tal. Lá estão lugares, personagens, objetos, anônimos e banais, que podem ou não ser reconhecidos, mas que compuseram o mosaico de minha formação – e prova disso é que estão arraigados em minha memória. Conviver de novo com o cheiro do cômodo da antiga cadeia pública, onde meu pai trabalhava como radiotelegrafista, ou o sabor do sorvete vendido nas imediações da antiga rodoviária, numa máquina trêmula e barulhenta, foi uma experiência quase psicanalítica. 

 
Ao descrever o livro numa frase, eu dizia que escrever esses poemas foi como escavar o fundo do quintal, como fazem as crianças, ao sonhar com a possibilidade de descobrir a ossada de um dinossauro. Assim, minha intenção não foi de falar de saudade, nem de recordar o passado, não foi de entrar numa sessão de nostalgia. Arqueolhar é um encontro, um mergulho numa caverna escura, uma descoberta.

COMEÇA A FLIPASSOS


A I Feira Literária de Passos, Flipassos, será aberta nesta terça-feira, 8 de maio, com palestra da escritora Maria Antonieta Cunha, secretária-executiva do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) do Ministério da Cultura. Passos localiza-se no sudoeste de Minas Gerais, tem cerca de 100 mil habitantes e a I Flipassos é um acontecimento histórico, no entender deste escriba. Afinal, a cidade é celeiro de escritores, tem uma História que daria um romance – ou vários, alguns dos quais já foram escritos – e precisava há muitos anos promover esse encontro, que será, acima de tudo, uma troca de experiências entre escritores e potenciais leitores.

A programação da feira é ampla e contará com debates, seminários, lançamentos de livros, oficinas, apresentações musicais e de peças teatrais, a partir desta quarta-feira, 9, até o dia 14, segunda-feira, quando uma série de festividades encerra a feira e comemora o aniversario da cidade.

Não é possível citar a programação inteira neste espaço. Mas vou citar os escritores que passarão por lá. Banca Maria de Paula (dia 9), Marco Túlio Costa (9), Jairo de Paula (9), Ronaldo Simões Coelho, Décio Martins Cançado (10), Alexandre Brandão, Marise Pacheco, Leo Cunha,  Maurílio Andréas Silveira, Nelson Cruz, Jaime Prado Gouveia, Neusa Sorrenti, Hilda Mendonça, Sérgio Fantini (dia 11), Luís Giffoni, Deucélia Maciel, Sebastião Wenceslau Borges, Alexandre Marino, Benedito José, Adriano Alcântara, Antonio Barreto, Ricardo Bastos Machado, Marcelo Xavier (dia 12).

A feira privilegia atividades que atraiam os estudantes do ensino médio, como encontros com escritores, oficinas, narração de histórias. Uma proposta extremamente importante para a cidade, que tem boas bibliotecas mas é pobre em livrarias e tem baixo índice de leitura – nada diferente de outras cidades médias de um país chamado Brasil.

FLIPASSOS, LÁ VOU EU


Praça da Matriz de Passos, Minas Gerais. Minha terra. Nesta praça, dei meus primeiros passos, fiz meus primeiros grandes amigos, namorei pela primeira vez. Nesta igreja transgredi pela primeira vez a obrigação da missa dominical. Esta semana, volto à cidade para participar da I Feira Literária de Passos, Flipassos. Em ótimas companhias.

SERGUILHA EM BRASÍLIA

O poeta português Luis Serguilha comparece a Brasília esta semana - mais precisamente na próxima quinta-feira, 15 de março - para lançar seu novo livro, KOA´E. Poeta e ensaísta, escritor premiado, com textos publicados em revistas de literatura no Brasil, Espanha e Portugal, além de traduções para várias línguas, Serguilha é atração imperdível.

KOA'E projeta o holomovimento poético, a contínua dança energética-poética, a teia dançante de infinitas possibilidades, explica o crítico de arte Daniel-Karys Strauss. Luis Serguilha é conhecido como um dos mais transgressivos e inovadores da atual poesia portuguesa - e da poesia lusófona, se poderia acrescentar. 

Strauss prossegue: "KOA'E recria o mapa cósmico como uma melodia de imersões e emersões fractais onde o possível leitor se transforma em músico e bailarino. Um corpo-teatro-sensorial em ebulição. KOA'E expande, constrói e recolhe curto-circuitos nos corpos dos leitores. As multiplicidades estéticas deste livro criam um rizoma de fusões imaginárias-perceptivas. A violência das construções poéticas de KOA'E desoculta a vida e recria-a onde cada golpe imagético resgata abismos e cartografa arquitecturas mágicas fazendo da sua heterogeneidade um fluxo intensificador de forças estéticas."

Serguilha lança KOA´E em Brasília na próxima quinta-feira, 15 de março, das 19h às 21h, no Balaio Café, 201 Norte, bloco B. É preciso ver isso de perto.

BRASÍLIA TERÁ BIENAL DE LIVROS


Depois de dar um pontapé na segunda edição da Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que vinha sendo planejada há dois anos, e de demitir Antonio Miranda do cargo de diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, a secretaria de Cultura do DF anuncia a 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, a se realizar em abril de 2012.

Pois é, mais uma “bienal”. E o nome é pretensioso. O secretário de Cultura, Hamilton Pereira, anuncia a captação de R$ 7,5 milhões em patrocínio, depois de negar apoio ao evento de poesia, que precisava de R$ 1,5 milhão para se viabilizar. Hamilton se apresenta como poeta, mas é apenas um político como todos os outros.

A secretaria convocou o escritor Luiz Fernando Emediato e deu-lhe o cargo de coordenador literário da anunciada Bienal do Livro e Leitura. Emediato critica a Biblioteca Nacional por não ter livros disponíveis para empréstimo. Talvez ele não saiba que a Secretaria de Cultura negou recursos para que bibliotecários fossem contratados para cadastrar as dezenas de milhares de volumes que a biblioteca já possui. Os poucos bibliotecários que lá trabalham eram obrigados a cumprir funções burocráticas e seus salários estavam constantemente atrasados.

Luiz Emediato lembra que o brasiliense é “leitor de peso”, e o DF é o maior consumidor de livros per capita do país, segundo pesquisa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Esses dados são uma falácia. Se fosse assim, as editoras correriam para participar de eventos na cidade, o que não acontece. O poder público – mais especificamente, o governo do DF – não entende nada de cultura. Brasília foi pensada para ser o centro cultural do país, mas essa ideia foi desvirtuada pelos militares e os governos locais, capitaneados por Joaquim Roriz, não querem saber disso. Agnelo Queiroz não é diferente.

O prometido evento terá o arquiteto Oscar Niemeyer como convidado, de acordo com o coordenador. É uma ótima ideia. Ao percorrer a Biblioteca Nacional de Brasília, Niemeyer terá uma noção do péssimo resultado de seu projeto – um prédio absolutamente inadequado para uma biblioteca.

POESIA NA RUA

[Clique para ampliar]
O Açougue Cultural T-Bone (quadra 312 Norte, em Brasília) promove nesta quarta, quinta e sexta, 26, 27 e 28, a 1ª Bienal do B, A Poesia na Rua. O evento é uma reação ao cancelamento da II Bienal Internacional de Poesia de Brasília, mas não precisava copiar-lhe o nome, que se tornou um estigma. Especialmente porque pretende ser anual, e nesse caso o termo realmente perde o sentido. 

Eventos poéticos são muito bem-vindos, ainda mais neste momento em que o poder público em Brasília demonstrou total aversão à poesia, desprezando um evento internacional que já vinha sendo organizado há mais de dois anos, alegando falta de recursos que, se houvesse vontade política, estariam sobrando. 

Para o festival do T-Bone, confirmaram presença nomes importantes da poesia brasiliense, como Antonio Miranda, Chico Alvim, Vicente Sá, Wilson Pereira, Luís Martins, Carla Andrade e muitos outros. Vindos de fora, foram anunciados Wilmar Silva (Belo Horizonte), Ésio Macedo Ribeiro (São Paulo) e o português Luís Serguilha. 

Thiago de Mello acaba de confirmar presença para uma homenagem. Além dele, serão homenageados a diretora da Biblioteca Demonstrativa, Maria da Conceição Moreira Salles, o livreiro Ivan Presença e o poeta Ézio Pires, todos imprescindiveis ao movimento cultural da cidade.

Haverá shows musicais, incluindo a participação do grupo VivoVerso, que trabalha música e poesia. 

Este escriba participa do evento nesta quinta, 27. E convida eventuais leitores a comparecer às três noites. 

A programação completa está aqui. 

POESIA CONTEMPORÂNEA


O livro Poesia Contemporânea - Olhares e Lugares, coletânea de reflexões organizada por Sylvia Helena Cyntrão, será lançado nesta sexta-feira, 21, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura (shopping Iguatemi) em Brasília. Reúne ensaios de professores e escritores convidados do simpósio realizado na Universidade de Brasília em setembro do ano passado. O livro é especialmente importante por um detalhe: o simpósio foi o único evento da II Bienal Internacional de Poesia de Brasília que de fato se realizou - e que, agora, dá um novo fruto. Este escriba participa do livro com o texto Brasília é apenas um lugar comum, uma reflexão sobre o excesso de clichês na poesia que se faz em Brasília, ou sobre Brasília. Também participam José Castello, Rodrigo Garcia Lopes, Luís Turiba, Nicolas Behr, Amneres Santiago, Alexandre Pilati, entre vários outros autores. Haverá uma performance do grupo VivoVerso. Estaremos lá.

ABRAÇO ÀS NASCENTES


O Parque Olhos D´Água ocupa 21 hectares na Asa Norte de Brasília, equivalente a uma quadra residencial. É uma área de preservação, com espécies do cerrado, e possui trilhas internas e parquinho infantil. Dentro de seus limites corre um riacho que deságua numa lagoa, e essa água flui em direção ao Lago Paranoá. As nascentes ficam fora da área do parque, e estão ameaçadas pela especulação imobiliária. A população se mobiliza para que o governo determine a integração das nascentes, que ficaM entre as quadras 212 e 213, à área do parque. Este vídeo reporta a manifestação realizada em 25 de setembro de 2011.

CANCELADA A BIENAL DE POESIA

 Poetas de 21 países, além dos brasileiros ¬– nomes como Alcides Buss, Álvaro Alves de Faria, Felipe Fortuna, Floriano Martins, Horácio Costa, Lêdo Ivo, Miriam Fraga, Ricardo Silvestrin, Ruy Espinheira Filho, Wilmar Silva, entre outros – receberam na tarde desta segunda-feira, 22 de agosto, um comunicado do diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, Antonio Miranda. Em texto lacônico, frustrado e triste, ele informava, sem esclarecer os motivos, que a II Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que seria realizada de 14 a 17 de setembro, estava cancelada.
 
Sem que tenha havido um comunicado oficial, fica difícil analisar as razões para o segundo cancelamento de um evento que parecia ter sua morte anunciada. Por ser bienal, como foi batizado desde a primeira edição, ocorrida em 2008, esse evento deveria ter acontecido no ano passado, mas foi adiado por falta de recursos. O ano de 2010 foi histórico para Brasília: foi o ano do cinquentenário de inauguração da cidade e o ano em que, pela primeira vez, um governador foi preso em pleno exercício do mandato. Além disso, o Distrito Federal bateu um triste recorde: teve quatro governadores em um único ano. 

 
Com a eleição do petista Agnelo Queiroz para governar o DF, houve quem visse renascer uma perdida esperança. Mas em pouco tempo percebeu-se que o novo governo de novo tinha muito pouco: não havia um projeto cultural a ser proposto ou implantado, e o secretário de Cultura, Hamilton Pereira, parece perdido no cargo. 

 
O resultado não poderia ser diferente. Os equipamentos culturais do DF continuam sucateados, com o Cine Brasília abandonado, o Museu de Arte fechado para uma misteriosa reforma, uma Biblioteca Nacional ainda sem livros disponíveis, apesar dos quatro anos de inauguração e os esforços de seu diretor, Antonio Miranda. Outros espaços, em Brasília e demais cidades, estão em situação equivalente. Enquanto isso, os artistas e a sociedade parecem em estado de letargia e perplexidade. 

 
Era muito peso para que Miranda o carregasse sozinho. Como evento nascido nos corredores oficiais, ainda que gerado no coração de um poeta com vasta história, a II Bienal Internacional de Poesia de Brasília carecia pelo menos do apoio de um governo sensível, que se dispusesse a reconduzir Brasília à condição de polo cultural no centro do Brasil. Uma condição cada vez mais distante e utópica. O cancelamento da Bienal é apenas reflexo de um caos muito maior, que cabe aos artistas, e à sociedade, reparar e ordenar.