POETAS JORNALISTAS NO POEMAÇÃO


O jornalista Clark Kent tinha uma identidade secreta que todos conhecemos. Alguns jornalistas de Brasília têm uma identidade secreta que poucos conhecem: são poetas. Nos dias 4, 5 e 6 de setembro (quinta, sexta e sábado), eles se revelarão ao público, falando seus poemas no palco que será montado no jardim do Café Martinica (CLN 303, bloco A), dentro da programação do Poemação, evento que integra a I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (BIP). Esses profissionais do jornalismo brasiliense mostrarão que, embora não sejam super-homens, também têm superpoderes.

Dois grupos de poetas (alguns, também músicos) ocuparão o palco nas noites de quinta, 4, e sábado, 6. Está confirmada a participação de Alexandre Marino, Anand Rao, Angélica Torres, Ariosto Teixeira, Carla Andrade, Guido Heleno, Ivan Sérgio, Fernando Marques, Luiz Martins, Paulo José Cunha e Vicente Sá.

A noite de 5 de setembro será reservada ao grupo OiPoema, formado por Luís Turiba, Amneres, Bic Prado, Cristiane Sobral, Nicolas Behr e Paulo Djorge.

Está prevista ainda a participação muito especial do cantor e compositor Octávio Scapin, jovem revelação da boa música de Goiânia, e de alguns poetas convidados da Bienal, vindos de outras cidades do Brasil.

ADEUS A ELIAS JOSÉ

A morte de Elias José é a má notícia que circula na manhã deste primeiro domingo de agosto. Elias vivia em Guaxupé, cidade mineira que adotou desde a juventude, e ficou conhecido por ter escrito mais de cem livros de literatura infanto-juvenil. Mas para quem conheceu pessoalmente aquela alma generosa, e leu, com espanto e admiração, seus primeiros livros, ele foi muito mais do que um autor para crianças.

Elias José, nascido em Santa Cruz da Prata em 1936, começou a publicar em 1970, quando a Imprensa Oficial de Minas Gerais lançou A Mal-Amada, uma surpreendente coleção de minicontos, e em seguida O Tempo, Camila. O livro seguinte, Inquieta Viagem ao Fundo do Poço, ganhou o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro em 1974.

Elias foi um grande incentivador da revista Protótipo, que este que lhes escreve lançou na cidade de Passos no início dos anos 70, ao lado de Antonio Barreto, Marco Túlio Costa e outros adolescentes que se lançavam à literatura.

Seus contos e poemas foram publicados em antologias e revistas literárias no México, Argentina, Estados Unidos, Itália, Polônia, Nicarágua e Canadá. Professor universitário, estava aposentado e se dedicava a ministrar cursos, oficinas e palestras, e era intelectual atuante em eventos de educação e literatura.

Esperemos que este país sem memória não o esqueça. E que alguma editora com boa visão reedite seus primeiros livros, que certamente têm muito mais a acrescentar à literatura brasileira que grande parte dos textos insossos que constituem as grandes "novidades" impostas pelo mercado literário de nossos dias.


Foto: capturada no sítio www.literaturaonline.com.br, feita durante lançamento do livro Deu Doideira na Cidade, Ed. Martins Fontes, em 20 de março de 2003.

O POEMAÇÃO VEM AÍ

Um dos mais aguardados eventos da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (BIP), o Poemação, começa a tomar forma. Na noite de ontem (quarta-feira, 30), começamos a definir como será a apresentação dos poetas nas noites de 4, 5 e 6 de setembro no Café Martinica.

O Poemação será realizado, nessas datas, em vários espaços da cidade - Balaio Café, Rayuela, Livraria Café com Letras, Café Savana, Bistrô Bom Demais, entre outros. No Café Martinica, o Poemação reunirá poetas-jornalistas, alguns também músicos, como Anand Rao e Ivan Sérgio. Também poderão ser incluídos, nessas apresentações, poetas convidados da Bienal vindos de outras cidades.

Na foto que ilustra esta postagem, quatro poetas que participarão do Poemação no Martinica: Ariosto Teixeira, Ivan Sérgio, Carla Andrade e este que lhes escreve.

Vamos em frente. Tudo indica que a BIP será o maior evento de poesia que a cidade já viu.

EVENTOS EM BRASÍLIA

Alguns eventos culturais previstos para o próximo fim de semana (24/25/26 de julho), em Brasília:

Pingos de Chuva - Noite de música e poesia, com Carla Andrade, Anand Rao e Luísa Peters. No Rayuela, 412 sul, bloco B, subsolo, a partir de 21h do dia 24, quinta-feira.

Latinidades: uma nação, dois países e sete artes - A Embaixada da Venezuela e o Fotoclube f/508 inauguram exposição binacional de fotografias na quinta-feira, 24, às 19h. Participam 14 fotógrafos (sete venezuelanos, seis brasileiros e um representante do cruzamento - um venezuelano que mora no Brasil). A Embaixada da Venezuela - em cujo salão as obras permanecerão até 7 de agosto - está situada no Setor de Embaixadas Sul, Avenida das Nações, quadra 803, lote 13, Brasília. O horário de visitas será das 9h às 12h, e de 15h às 17h. As visitas monitoradas podem ser agendadas pelo número 3347.3985

Meu Nome Agora é Jaque - Eltânia André, escritora mineira de Cataguases, convida para o lançamento do livro de contos Meu Nome Agora é Jaque. Será na sexta-feira, 25 de julho, a partir das 19h, no Martinica Café, 303 Norte, Bloco A, (3326-2357).

FLIP: IMPRESSÕES DE UM VISITANTE

A festa é intensa, o motivo justo: celebrar a literatura e aqueles que lhe dão sentido, escritores e leitores. O cenário é um sonho, não poderia ser mais literário; Paraty, cidade histórica do litoral fluminense. Sua população, de menos de 30 mil pessoas, recebeu cerca de 20 mil visitantes entre 2 e 6 de julho, e ainda conseguiu ser hospitaleira. Mas, ainda que tomada por essa multidão, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em sua sexta edição, continuou elitista. Julgue-se pelos altos preços de todos os serviços, incluindo os da própria Flip, a começar pelos R$ 25,00 do ingresso de cada palestra. E quem pagou R$ 25,00 pelo show de abertura, com Luís Melodia, deve ter se arrependido, pois quem não pagou viu do mesmo jeito, só que do lado de fora da cerca.

Não faltaram turistas estrangeiros, que puderam entrar em contato com algo que muitos deles adoram – a vocação brasileira para a esculhambação. O anfiteatro montado para o público permanecia fechado até o momento marcado para o início das palestras, e a fila crescia lá fora. Depois, privilegiados e “acompanhantes” entravam na frente e ocupavam os melhores lugares. Os convidados estrangeiros apresentavam-se com seriedade, mas alguns brasileiros pareciam ter sido convocados à última hora para participar de algo que nem sabiam direito o quê era. Foi o caso do crítico de arte Rodrigo Naves, que caiu de pára-quedas em meio ao evento. “Tenho 53 anos e só publiquei um pequeno livro de contos”, disse ele. “Não sei se sou escritor, isso não é uma coisa bem resolvida para mim.” Participante da mesa “Formas Breves”, com o brasileiro Modesto Carone e o alemão Ingo Schulze, parecia tonto. Modesto Carone tentou improvisar uma pergunta para Schulze que ninguém entendeu. Restou ao público ouvir o alemão narrar suas experiências de escritor nascido na Alemanha Comunista, testemunha da queda do Muro de Berlim.

Uma das pérolas da esculhambação foi proporcionada por Carlos Augusto Calil, mediador da mesa que reuniu Schulze, Carone e Naves. “Formas breves”, definiu ele, “são aqueles textos curtos, ideais para quem não tem tempo a perder com literatura e abre brechas no seu tempo para leituras rápidas.” Sem comentários...

Não foi o único caso de mediador que tentou aparecer mais do que os palestrantes. Manuel da Costa Pinto chegou a ouvir protestos do público, na mesa que teve os italianos Alessandro Baricco e Contardo Calligaris. Ángel Gurria-Quintana por várias vezes tentou impedir o colombiano Fernando Vallejo de disparar sua verve polêmica, na mesa que promoveu seu encontro com o holandês Cees Noteboom.

A sexta edição da Flip contou com novo diretor de programação, Flávio Moura, que não se deu ao trabalho de trazer qualquer poeta para a festa. Literatura, para ele, parece ser apenas ficção. Houve muita badalação, elogios, aquelas coisas. Representantes das principais editoras brasileiras estavam lá, talvez para conferir se os nomes que indicaram participaram de fato. Era o caso da Companhia das Letras e da Cosac-Naify, entre os patrocinadores da festa. Assim como a Folha de S. Paulo, cujos colunistas, cada um mais chato que o outro, ocuparam várias mesas.

Mas a Flip não frustrou o público. O crítico e ensaísta Roberto Schwarckz fez a abertura da festa com uma brilhante conferência sobre o homenageado deste ano, Machado de Assis. Ele mostrou que a obra do escritor nada tem de conservadora. Ao contrário, Machado era um crítico da sociedade de seu tempo, que tentava convertê-lo em seu aliado, e somente após a descoberta de sua obra por estudiosos estrangeiros ele pôde ser melhor compreendido em sua terra.

A psicanalista francesa Elizabeth Roudinesco fez uma interessante palestra sobre a perversão, com base em livro publicado recentemente, que aborda o comportamento doentio de personagens clássicos da literatura, como Dorian Grey, do livro de Oscar Wilde. O escritor colombiano Fernando Vallejo, polêmico e irônico, previu que a palavra “fome” será banida dos dicionários brasileiros pelo “seu presidente, gordinho e contente” e distribuiu farpas a suas costumeiras vítimas – o papa, a Colômbia, etc, etc. O holandês Cees Noteboom falou de suas viagens ao redor do mundo, de onde retira a riqueza de seus personagens.

Houve outros autores dignos de nota, mas também é preciso falar do casario de Paraty, da paisagem, da Serra do Mar, de sua gente simpática, do Teatro de Bonecos, do Armazém da Cachaça, do Bombom da Maga, do restaurante Banana da Terra e seus pratos feitos com esmero, da moqueca vegetariana do Arpoador e do restaurante Grão da Terra e sua deliciosa cozinha vegetariana, grande descoberta. E dos passeios às praias do Sono e de Trindade. A Flip foi uma experiência proveitosa. Paraty é sempre um convite à volta.

FESTIVAL PREMIA 'OS PÁSSAROS'

O poema Os pássaros de Bagdá, deste escriba, foi classificado em terceiro lugar no Festival de Poesia Falada de Varginha, realizado no dia 28 de junho. O vencedor foi Reginaldo Costa de Albuquerque, de Campo Grande, e em segundo lugar ficou Eder Rodrigues da Silva, de Belo Horizonte. Ana Maria Gilli Martins, de São Paulo, ganhou o prêmio de interpretação.

Integraram o júri do Festival o professor e poeta Messias Israel Balboni, de Poços de Caldas (MG); o escritor e professor Moacyr Vallim Filho, de Varginha, e Adolfo Maurício Pereira, advogado e ex-prefeito de Cruzília (MG).

ARQUEOLHAR NA OFF FLIP, EM PARATY

Os visitantes e participantes da Festa Literária Internacional de Paraty terão a oportunidade de conhecer (e adquirir!) o livro de poemas Arqueolhar, deste escriba, no dia 5 de julho, sábado. Sou um dos autores convidados da Off Flip - Circuito Paralelo de Idéias, um dos muitos eventos agregados à imensa e intensa programação da Festa.

Arqueolhar está incluído no lançamento coletivo que reunirá diversos autores convidados da Off Flip, entre os quais Alice Ruiz, Chacal, Frederico Barbosa, Jeanette Rozsas, Marcelino Freire, Nelson de Oliveira, Orlando Tejo e Ovídio Poli Junior, num total de 32 autores. O evento acontece a partir das 20h, logo após a entrega do Prêmio Off Flip de LIteratura, na Villas de Paraty Pousada.

FESTIVAL DE POESIA DE VARGINHA


Este escriba participa do Festival de Poesia Falada de Varginha no próximo sábado, 28, apresentando o poema acima [Clique sobre o texto para para lê-lo]. Participam 20 poemas, de autores de vários estados do Brasil. O evento acontece no Teatro Marista, no centro da cidade mineira.

BIENAL DE POESIA PROMETE AGITAR BRASÍLIA

Saraus poéticos, exibição de filmes, projeção de audiovisuais, exposições de artes plásticas, apresentações musicais - todas essas linguagens, sempre girando na órbita da poesia, comporão a programação da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que acontece de 4 a 7 de setembro. O evento terá ainda o Simpósio de Crítica de Poesia, coordenado pela professora e poeta Sylvia Cintrão, da UnB.

Os organizadores trabalham, agora, para fechar a programação, que contará com dezenas de poetas convidados, do Brasil e exterior. Um dos eventos que promete agitar a cidade é o Poemação, que reunirá autores de diferentes estilos em bares e cafés da cidade. Destaque para o Café Martinica (303 norte), que contará com a apresentação de um grupo selecionado de poetas jornalistas. O Martinica também abrirá seu espaço para um espetáculo do Oi Poema, grupo que reúne Luís Turiba, Amneres Santiago, Nicolas Behr, Bic Prado e Cristiane Sobral, entre outros.

A abertura do evento, no dia 4, terá uma apresentação do ex-titã Arnaldo Antunes. Entre os autores do exterior, virão, entre outros, os peruanos Antonio Cisneros, Manuel Pantigoso e Mario Delgado, o português Luis Serguilha, os espanhois Eduardo Garcia, Juan Pajares, Alicia Miralles e Juan Carlos Reche, entre outros. Entre os brasileiros, destaque para Capinan, Affonso Romano de Santanna, Fabrício Carpinejar, Alice Ruiz, Sylvio Back, Horácio Costa, Xico Chaves e Floriano Martins.

Leia
aqui todas as notas e informações sobre a Bienal Internacional de Poesia de Brasília publicadas neste blog.

PROGRAMAÇÃO DE CINEMA É DESTAQUE DA BIENAL DE POESIA

A Mostra de Cinema-Poesia da I BIP, que ocupará o Cine Brasília na primeira semana de setembro, vai oferecer oito imperdíveis filmes sobre poetas brasileiros. Em dois longas, um média e cinco curtas, entre ficção e documentário, todos premiados, o público vai ver a história e a poesia de Castro Alves, Cruz e Sousa, Cora Coralina, Cassiano Nunes e Paulo Leminski, Waly Salomão, Chico Alvim, Chacal e Helena Kolody.

Os dois longas narram a conturbada e apaixonada trajetória de Castro Alves (Retrato Falado do Poeta), sob a direção magistral de Silvio Tendler; e de Cruz e Sousa (O Poeta do Desterro), o primeiro simbolista brasileiro, biografado por Sylvio Back. Entre os curtas está mais um de Back, A Babel da Luz, em que o polêmico cineasta e poeta catarinense revela a poetisa sulista Helena Kolody, então com 80 anos.

Outra poetisa protagonista da mostra é a goiana Cora Coralina, homenageada em dois belos curtas pelos cineastas brasilienses Waldir Pina (Cora Coralina: O Chamado das Pedras) e Armando Lacerda/Vicente Fonseca (Cora Doce Coralina). Também de Brasília é a produção de Viva Cassiano!, com que Bernardo Bernardes celebra o poeta Cassiano Nunes, patrimônio da literatura brasiliense, falecido no ano passado.

Assaltaram a Gramática, de Ana Maria Magalhães, apresenta em linguagem de videoclipe os poetas da geração chamada marginal, Paulo Leminsky, Chico Alvim, Waly Salomão e Chacal numa ficção performatizada. Raridade, o documentário homenageia Ana C. César e tem Lulu Santos, os Paralamas e Scarlet Moon na canção-tema. A mostra da BIP traz ainda o desenho animado O Poeta, de Paulo Munhoz, filme premiadíssimo e que tem novamente Leminsky na trama, além de Fernando Pessoa.

Mostra de Cinema Poesia na I BIP – No Cine Brasília

4 e 5/9, às 20h: A Babel da Luz (Sylvio Back) e Cruz e Sousa, o Poeta do Desterro (Sylvio Back).
6 e 7/9, às 20h: Cora, Doce Coralina (Armando Lacerda e V. Fonseca) e Castro Alves – Retrato Falado do Poeta (Silvio Tendler).
4 a 7/9, às 16h30: O Poeta (Paulo Munhoz), Cora Coralina - O chamado das pedras (Waldir Pina), Assaltaram a Gramática (Ana Maria Magalhães) e Viva Cassiano! (Bernardo Bernardes).

(Com informações da Assessoria da Biblioteca Nacional de Brasília, que promove o evento)

POESIA SOBRE AS ÁGUAS

Em Brasília já é tempo de seca, mas quando se fala em poesia a previsão é de chuva na horta. Neste fim de semana (21 e 22), o grupo OiPoema levou poetas e grande público a navegar nas águas do Lago Paranoá. Desta vez, com três convidados especiais: Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto e Alexandre Brito, do grupo AmeOpoema, de Porto Alegre. A bordo da Barca Brasília, a poesia deitou e rolou durante mais de três horas. Na foto acima, Luís Turiba, Bic Prado, Nicolas Behr, Cris Sobral e Paulo Djorge, que compõem o OiPoema, fazem as primeiras intervenções, ainda à luz do pôr-do-sol. Abaixo, Alexandre Brito, Ronald Augusto, Ricardo Portugal e Ricardo Silvestrin posam para o painel histórico da Barca.

Além de interpretar seus poemas, os gaúchos também mostraram um criativo trabalho musical, cantando algumas canções do cd Música Legal com Letra Bacana. O tipo de música que eles fazem é isso mesmo. Quem não foi, perdeu. Na imagem abaixo, o registro do grupo no palco.

Durante o passeio, outros poetas convidados deram seu recado, inclusive este que lhes fala (foto abaixo).

A presença dos poetas do AmeOpoema em Brasília, participando da Barca Poética e promovendo um lançamento coletivo no Café da Rua 8 (CLN 408, bloco B) na sexta, 20, contribuiu para agitar a cena literária brasiliense neste fim de semana. Espera-se que tenham levado boas lembranças.

Quem estiver em Brasília pode programar um passeio na Barca com o comandante Edmilson (61 8419-7192). Quem estiver navegando na internet, pode visitar os sítios do AmeOPoema, do Ricardo Silvestrin, do Ronald Augusto e da Editora Éblis.

AME O POEMA

O grupo AmeOpoema chega a Brasília nesta sexta-feira, 20, para um lançamento coletivo de livros, no Café da Rua 8 (CLN 408, bloco B). Haverá um sarau, autógrafos, bate-papo, essas coisas que reúnem as pessoas em torno dessa poção mágica chamada poesia. Comparecerão Alexandre Brito, Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto e Ronaldo Machado, do time dos gaúchos, a que se unirão Luís Turiba, Nicolas Behr, Fred Maia e Ricardo Portugal, de Brasília. AmeOpoema, além de um grupo, é uma editora premiada. O Prêmio Açorianos, da Secretaria de Cultura de Porto Alegre, reconhece a qualidade dos livros, da idéia e dos autores. O propósito do grupo tem tudo a ver que a inquietação que move a poesia.

CHUVA DE POESIA EM BRASÍLIA

A Câmara do Livro do DF anuncia para esta quinta-feira, 19, uma Chuva de Poesia em Brasília. Está marcada para as 17h, na área externa do Museu da República, no Eixo Monumental, entre a Catedral e a Rodoviária.

Será uma chuva estranha, porque vai chover para cima. Acontecerá assim: centenas de poemas subirão pelos ares, dentro de balões de gás. Então só vai chover mesmo quando os balões descerem... o que ninguém sabe quando ou onde acontecerá.

De acordo com a Câmara, a pessoa que encontrar um desses balões deve retirar o poema e informar à entidade, por telefone ou e-mail, seu nome, endereço e um código impresso no poema, para posteriormente receber pelos correios uma antologia com os trabalhos que fizeram parte da Chuva.

Às 19h, haverá outro evento, no auditório do Museu: o lançamento oficial da I Bienal de Poesia Internacional de Brasília, a XXVII Feira do Livro e o XXIV Prêmio Global de Poesia sem Fronteiras de Línguas e de Formas de Expressão, promovido pelo Centro Gianni Estudi Bosio, da Itália.

A má notícia: os livreiros que promovem a Feira do Livro de Brasília não tiveram a coragem de abandonar os corredores externos do shopping Pátio Brasil e fazer um evento grandioso, vinculado de fato à Bienal Internacional de Poesia. Pelas presenças prometidas e programação prevista, a Bienal tem tudo para ser um acontecimento marcante. A Feira continuará como nos últimos anos.

FESTIVAL DE POESIA EM VARGINHA

A cidade de Varginha, no sul de Minas, realiza no sábado, 28, seu Festival de Poesia Falada. É evento tradicional, que nos anos 70/80 já reunia poetas reconhecidos, de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e outras origens. Este ano, o festival recebe Mano Melo, cearense radicado no Rio, Alê Machado e Márcio Cassoni, de São Paulo, Glênio Vilela, de Belo Horizonte, e vários poetas vindos de Minas, São Paulo, Rio, Mato Grosso do Sul - interior e capitais. Este escriba também foi selecionado. Três representantes de Varginha serão escolhidos na sexta, 27, para se unirem no sábado aos outros 17 poetas, que apresentarão seus trabalhos, pessoalmente ou por intermédio de outros intérpretes. O evento será realizado no Teatro Marista, centro de Varginha, a partir das 20h.

BIZARRAS CRIATURAS MUTANTES (BCM) [1]

O desequilíbrio ecológico, desastres naturais e a explosão demográfica são as causas mais prováveis do aparecimento no interior do Brasil de um ser mutante identificado pelos cientistas como homo bregus, popularmente conhecido como breganejo. As teorias mais aceitas indicam que se trata de um fenômeno involucionista, que fez surgir um ramo horizontal na escala ascendente da evolução do homo sapiens.

A mutação da criatura se deve ao derretimento da área do cérebro responsável pelo bom gosto, fato cujas causas são ainda desconhecidas pelos cientistas. Concomitantemente ocorrem profundas alterações nas cordas vocais desses indivíduos, levando-os a emitir ondas sonoras características, uma inusitada mistura de tons e semitons altamente prejudicial aos cérebros de indivíduos normais, que dessa forma passam por idêntica mutação. É fenômeno semelhante ao dos lendários vampiros, que ao se alimentar do sangue de pessoas normais as transformam em novos vampiros.

A terceira característica comum a tais criaturas, também motivo de polêmicas entre os pesquisadores, é a sua incapacidade de ter vida autônoma e independente, o que freqüentemente os leva a reunir-se dois a dois (veja foto). Essa forma de hermafroditismo bicorpóreo os torna gêmeos siameses unidos não pelos corpos, mas por ondas cerebrais e sonoras interdependentes.

De acordo com alguns cientistas, há indivíduos normais resistentes à ação dos breganejos. A razão para isso parece ser o desenvolvimento de bom gosto musical desde a infância, o que lhes criaria uma capa protetora eficiente. Ouvidos moucos também são excelente proteção. Os cientistas, no entanto, divergem quanto ao grau de resistência e vulnerabilidade. É conhecido o caso de um cineasta brasileiro que, ao realizar um filme sobre essas criaturas, foi inoculado pelo veneno sonoro e tornou-se um deles. Também há registros de casos de contaminação de pesquisadores, jornalistas, artistas e até um presidente da República (o que, convenhamos, não quer dizer muita coisa).

A mutação dos homo bregus tem sido muito explorada pela indústria musical, devido ao seu alto potencial lucrativo, o que torna ainda mais difícil a sua cura, devido aos altos investimentos na disseminação da doença - ou seja o que for esse fenômeno, que alguns cientistas insistem em inserir na categoria de desarranjo psicossocial, e não de doença.

Sabe-se, com certeza, que é ocorrência extremamente contagiosa, podendo alastrar-se por comunidades inteiras. Há casos conhecidos até em países civilizados, o que leva muitos cientistas a alertar para um perigo que talvez seja maior que originalmente suposto. De acordo com esses estudiosos, há teoricamente o risco de toda a civilização humana ser afetada, o que reduziria os resistentes a uma pequena seita.

Poema de amor

Um retrato

Alexandre Marino

Teu olhar me abraça, mulher,
e me sobrevoa
como o silêncio das corujas
como os que temendo os abismos
à borda de si mesmos se debruçam

Tua viagem imóvel
faz de mim um pirata arrependido
que naufraga em si próprio
para não morrer no mar como um corpo estranho

E diante de teu rosto permaneço estático
deixando que teus olhos se escorreguem
sobre minha superfície pálida

(Eu bebo soluços, mulher,
e vomito sonhos
por não ter como os engolir)

É o que sente um homem
ao levantar o rosto e rever-te nua
refletida nas estrelas entre roupas no varal
e ao tentar voar descobrir que a lua
se desprendeu da poça d´água
e despenca no quintal

E eu revolucionário aleijado
que jogo sal no café
entre poemas e biscoitos
sem poder tomar em armas
ou destruí-las todas
miro mais uma vez o teu retrato
e sorrio quando teu cheiro
invade o quarto

Mas antes que me asfixies com um sorriso
eu bebo a multidão para ficarmos sós
e sem procurar caminhos
ou dividir fronteiras
fecho os olhos como um pescador de almas
que perdeu a linha
e se feriu com os anzóis.


Publicado no livro
O delírio dos búzios (Varanda, 1999), Um retrato venceu o XI Festival de Poesia Falada de Varginha em 1986. Voltaremos ao Festival este ano.

Poesia no Jardim da Filosofia

O poeta Luís Turiba volta a falar de poesia nesta quarta-feira, 4 de junho, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, desta vez na companhia do músico Zeca Baleiro. O tema do encontro é "A música da palavra e a palavra na música". O projeto chama-se Jornada de Poesia no Jardim da Filosofia e a sua curadora, Viviane Mosé, será a apresentadora. O evento acontecerá na primeira quarta-feira de todos os meses, até outubro.

Poesia e vinho no Mosaico

O Espaço Cultural Mosaico vai aos poucos marcando presença em Brasília com eventos artísticos. Localizado na entrequadra 714/715 Norte, o Mosaico oferece oficinas de arte, workshops, peças de teatro e outros encontros periódicos. Quinzenalmente, às terças-feiras, promove o Poesia e Vinho, quando o ator e poeta Adeilton Lima recebe um convidado para conversar e apresentar seu trabalho. No dia 27 de maio, lá esteve o poeta Luís Turiba, dando uma pequena amostra do novo livro que prepara (foto). Isto não é propaganda - é apoio sincero. É o que o Espaço Cultural Mosaico merece e espera do público em geral. Brasília precisa de iniciativas desse tipo. O telefone de lá é o 3032-1330. É possível que algum evento programado interesse a você.

Tramas

É hoje a abertura de Tramas, exposição do artista plástico Gomes de Souza na Marcos Caiado Galeria de Arte, em Goiânia. Sempre surpreendente e inquieto, Gomes recicla alguns de seus trabalhos antigos, alguns com mais de 10 anos, retalhando-os com estilete, destruindo e reconstruindo, renovando. Gomes, agora, é mais artesão que artista plástico: recorrendo a materiais como couro de boi, plásticos, borrachas e papéis, e os próprios filetes que sobreviveram de suas obras recicladas, dá vida nova ao antigo. O resultado são imagens como esta, ricas em efeitos de óptica. A galeria fica na rua 1136, número 56, no Setor Marista, e a abertura é às 20h. Visitação até dia 13 de junho.

O Globo em Cannes

A atriz paulista Sandra Corveloni, protagonista de Linha de Passe, filme de Walter Salles e Daniela Thomas, deve ter ficado com essa expressão desconsolada ao ler a capa do Caderno 2 do O Globo de sábado. A matéria de Rodrigo Fonseca, reverente e bajuladora, apresentava um perfil da atriz Angelina Jolie, e a anunciava como virtual vencedora da Palma de Ouro do Festival de Cannes. Segundo o repórter, não havia concorrência. Sandra Corveloni, paulista? Nem pensar.
Acontece, é bom que se diga, que Angelina Jolie era a atriz principal de um concorrente hollywoodiano - The Exchange, de Clint Eastwood.
Bem, aconteceu o que Fonseca não esperava. O júri de Cannes premiou Sandra Corveloni. Melhor atriz do Festival.
Na segunda-feira, de ressaca moral, Rodrigo Fonseca anunciou os premiados e escreveu um pequeno box, com um tímido perfil da brasileira vencedora. No texto da matéria principal, ele falou que "Audácia é o adjetivo ideal para descrever as decisões do júri" (sic).
Qualquer dicionário da Língua Portuguesa que você consultar esclarecerá que "audácia" é um substantivo, não um adjetivo. Mas para saber disso os bons redatores não precisam consultar dicionário algum. O repórter estava mesmo atordoado.
Jornalismo colonizado, reverente ao cinema hollywoodiano. Não tem conserto.