LEMBRANDO FERNANDO M. VIANNA
Neste mês de setembro, mais precisamente no dia 10, completam-se cinco anos de morte de Fernando Mendes Vianna. Quem o conheceu sabe a falta que ele faz ao cenário poético de Brasília. Não só pela alta qualidade de sua poesia, como também por sua personalidade iluminada e agregadora. O poema que se lê nesta imagem (clique para ampliá-la) é uma singela homenagem que faço a um dos mais notáveis seres humanos com quem tive a oportunidade de conviver. Contraluz faz parte de meu livro inédito Exília, criado com o apoio da Bolsa Funarte de Criação Literária.
CANCELADA A BIENAL DE POESIA
Poetas de 21 países, além dos brasileiros ¬– nomes como Alcides Buss, Álvaro Alves de Faria, Felipe Fortuna, Floriano Martins, Horácio Costa, Lêdo Ivo, Miriam Fraga, Ricardo Silvestrin, Ruy Espinheira Filho, Wilmar Silva, entre outros – receberam na tarde desta segunda-feira, 22 de agosto, um comunicado do diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, Antonio Miranda. Em texto lacônico, frustrado e triste, ele informava, sem esclarecer os motivos, que a II Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que seria realizada de 14 a 17 de setembro, estava cancelada.
Sem que tenha havido um comunicado oficial, fica difícil analisar as razões para o segundo cancelamento de um evento que parecia ter sua morte anunciada. Por ser bienal, como foi batizado desde a primeira edição, ocorrida em 2008, esse evento deveria ter acontecido no ano passado, mas foi adiado por falta de recursos. O ano de 2010 foi histórico para Brasília: foi o ano do cinquentenário de inauguração da cidade e o ano em que, pela primeira vez, um governador foi preso em pleno exercício do mandato. Além disso, o Distrito Federal bateu um triste recorde: teve quatro governadores em um único ano.
Com a eleição do petista Agnelo Queiroz para governar o DF, houve quem visse renascer uma perdida esperança. Mas em pouco tempo percebeu-se que o novo governo de novo tinha muito pouco: não havia um projeto cultural a ser proposto ou implantado, e o secretário de Cultura, Hamilton Pereira, parece perdido no cargo.
O resultado não poderia ser diferente. Os equipamentos culturais do DF continuam sucateados, com o Cine Brasília abandonado, o Museu de Arte fechado para uma misteriosa reforma, uma Biblioteca Nacional ainda sem livros disponíveis, apesar dos quatro anos de inauguração e os esforços de seu diretor, Antonio Miranda. Outros espaços, em Brasília e demais cidades, estão em situação equivalente. Enquanto isso, os artistas e a sociedade parecem em estado de letargia e perplexidade.
Era muito peso para que Miranda o carregasse sozinho. Como evento nascido nos corredores oficiais, ainda que gerado no coração de um poeta com vasta história, a II Bienal Internacional de Poesia de Brasília carecia pelo menos do apoio de um governo sensível, que se dispusesse a reconduzir Brasília à condição de polo cultural no centro do Brasil. Uma condição cada vez mais distante e utópica. O cancelamento da Bienal é apenas reflexo de um caos muito maior, que cabe aos artistas, e à sociedade, reparar e ordenar.
Sem que tenha havido um comunicado oficial, fica difícil analisar as razões para o segundo cancelamento de um evento que parecia ter sua morte anunciada. Por ser bienal, como foi batizado desde a primeira edição, ocorrida em 2008, esse evento deveria ter acontecido no ano passado, mas foi adiado por falta de recursos. O ano de 2010 foi histórico para Brasília: foi o ano do cinquentenário de inauguração da cidade e o ano em que, pela primeira vez, um governador foi preso em pleno exercício do mandato. Além disso, o Distrito Federal bateu um triste recorde: teve quatro governadores em um único ano.
Com a eleição do petista Agnelo Queiroz para governar o DF, houve quem visse renascer uma perdida esperança. Mas em pouco tempo percebeu-se que o novo governo de novo tinha muito pouco: não havia um projeto cultural a ser proposto ou implantado, e o secretário de Cultura, Hamilton Pereira, parece perdido no cargo.
O resultado não poderia ser diferente. Os equipamentos culturais do DF continuam sucateados, com o Cine Brasília abandonado, o Museu de Arte fechado para uma misteriosa reforma, uma Biblioteca Nacional ainda sem livros disponíveis, apesar dos quatro anos de inauguração e os esforços de seu diretor, Antonio Miranda. Outros espaços, em Brasília e demais cidades, estão em situação equivalente. Enquanto isso, os artistas e a sociedade parecem em estado de letargia e perplexidade.
Era muito peso para que Miranda o carregasse sozinho. Como evento nascido nos corredores oficiais, ainda que gerado no coração de um poeta com vasta história, a II Bienal Internacional de Poesia de Brasília carecia pelo menos do apoio de um governo sensível, que se dispusesse a reconduzir Brasília à condição de polo cultural no centro do Brasil. Uma condição cada vez mais distante e utópica. O cancelamento da Bienal é apenas reflexo de um caos muito maior, que cabe aos artistas, e à sociedade, reparar e ordenar.
A ARTE DE JOSÉ VASCONCELLOS
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A infância redescoberta |
Vasconcellos vive desde 1974 na Dinamarca, onde é reverenciado pelos museus e galerias e, é claro, também pelo público. Suas obras fazem parte de coleções de vários países europeus e dos Estados Unidos, e livros sobre ele foram publicados em edições inglesas, francesas, alemãs, entre outras.
Ele trabalha, hoje, basicamente com resina vegetal sobre tela ou madeira, às vezes usando colagens, criando obras complexas, de grande beleza plástica. Há muitos anos não produz mais gravuras como a que lhe mostrei no dia 2 de agosto, quando enfim o conheci pessoalmente.
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Sem título |
Embora viva há quase 40 anos fora do Brasil, Vasconcellos é aquele mineiro típico – eu diria até um passense típico – que gosta de uma boa prosa, desenrolada com sotaque inconfundível. E é casado com uma artista igualmente talentosa, a pianista Valéria Zanini, que fez um recital inesquecível na Sala Martins Penna, tocando peças de Schubert, Schumann, Liszt, Villa-Lobos e Prokofieff.
Valéria é goiana de Anápolis. Ela e Vasconcellos deixaram o Brasil em 1973, por pressão da ditadura militar. Foram para o Chile, de onde saíram no ano seguinte, após o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende. Partiram direto para a Dinamarca, onde encontraram terreno fértil para desenvolver sua arte.
SUBINDO PELAS PAREDES
As aulas do Sérgio, que costumavam durar bem menos do que o tempo previsto, permaneceram em minha memória não apenas pelo inusitado, mas também pelas lições certeiras que ele nos dava, ao analisar textos, nossos e de outros autores, apresentar novos escritores e comentar o ofício da escrita. Sérgio havia publicado poucos livros, mas já recebera reconhecimento internacional, tendo participado do International Writing Program da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Uma de suas obras-primas, Confissões de Ralfo, estava ainda quente do forno, e ele escrevia Simulacros, cujos originais eram guardados numa gaveta de sua mesa de trabalho, num tribunal de Belo Horizonte.
O livro de Praga, que faz parte do projeto Amores Expressos, tem características em comum com aqueles, a começar pela tentativa de levar a experiência da narração além dos limites do mero contador de histórias. Sant´Anna mistura ficção, memória e ensaio em sua literatura, em textos que parecem transformar a linguagem proposta em simulacros desses gêneros. Em O livro de Praga, Sérgio brinca de se travestir de crítico de arte, reescreve textos lascivos de Kafka e apresenta obras de escultores delirantes, sempre em clima de sexualidade expressa. É prazeroso ler as divagações do personagem narrador sobre música, artes plásticas, literatura, Andy Warhol, Lewis Carroll, Kafka...
O projeto Amores Expressos tinha uma proposta ao mesmo tempo pretensiosa e singela: patrocinar a permanência de cada um dos escritores escolhidos, durante um mês, em uma cidade do mundo, para que lá eles escrevessem uma história de amor. A Sérgio Sant´Anna coube uma temporada em Praga. Imagino meu velho mestre passeando pelas pontes, vielas e recantos da capital tcheca, em busca de uma forma de rebelar-se contra a fórmula imposta pelos promotores do projeto. Escrever uma história de amor?
O subtítulo do livro é Narrativas de amor e arte, mas não foi bem isso que ele fez. Sérgio promove libidinosos encontros de seu personagem Antonio Fernandes com inusitadas parceiras, e cria para esses affairs uma Praga de fantasia, uma cidade dentro da outra, que o leitor não encontrará em qualquer guia turístico. Assim, esse alter-ego conhecerá uma prestigiada pianista que se apresenta para um único espectador; fará amor com uma estátua, tão bem descrita e analisada que o leitor correrá à enciclopédia (ou ao Google) para ver sua imagem; terá um caso com uma boneca, não daquelas infláveis, mas com aspecto infantil, e antes de deixar Praga, traçará uma policial, aquela que simboliza a repressão policial às constrangedoras situações em que o personagem se envolveu.
Sérgio Sant´Anna jamais se contentou em simplesmente contar histórias – ele sempre injetou uma boa dose de experimentações em suas narrativas. O resultado dessas experiências o transformou em escritor cult, que, sem galgar muito alto as listas de best-sellers, sempre foi incensado pelos admiradores da arte da literatura, professores e críticos literários. Em O livro de Praga, Sérgio está cada vez mais abusado, ao mostrar que seu compromisso é, acima de tudo, com sua própria arte. Como fazia décadas atrás, Sérgio Sant´Anna abandona o espaço que lhe fora reservado e sobe pelas paredes.
[A foto de Sérgio Sant´Anna que ilustra esta postagem foi tomada
emprestada ao blog de João Gilberto Noll, e não tem crédito]
emprestada ao blog de João Gilberto Noll, e não tem crédito]
A QUESTÃO DA NORMA CULTA
A polêmica da semana foi o livro didático Por um mundo melhor, de Heloísa Ramos e outros autores, publicado pela Editora Global e distribuído pelo MEC para uso de jovens e adultos em processo de alfabetização. O assunto rendeu matérias em vários jornais e debates em redes sociais e mesas de bar, e muita gente que se posicionou sobre o caso, contra ou a favor, não teve o cuidado de pelo menos ler o capítulo que deu início à polêmica – Escrever é diferente de falar, página 11.
Os autores são simpáticos à causa dos linguistas, que defendem o mesmo valor para a linguagem culta e a linguagem popular e pregam que a língua culta é instrumento de dominação. A partir dessa idéia, ensinam que a falta de concordância na frase (“os livro”, “os peixe”) não identifica um falar errado, mas apenas inadequado.
Está escrito no livro que a concordância entre artigo, substantivo, adjetivo “ocorre na norma culta”, mas, “na norma popular, a concordância acontece de maneira diferente”, o que não prejudica o entendimento.
Seguindo o raciocínio, o livro ensina ao estudante que ele pode falar “os livro”, “claro que pode”, mas adverte que em determinadas situações, ele “corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”.
Os autores não esclarecem, no entanto, se o aluno estará sendo vítima de “preconceito linguístico” se sua fala “inadequada” for corrigida pelo professor, cuja obrigação é, obviamente, ensinar-lhe a norma culta...
O livro estabelece uma espécie de luta de classes linguística, ao contrapor classes populares e classes dominantes, e variedade culta e variedade popular da língua. Veja este trecho: “As classes sociais menos escolarizadas usam uma variante da língua diferente da usada pelas classes sociais que têm mais escolarização. Por uma questão de prestígio – vale lembrar que a língua é um instrumento de poder -, essa segunda variante é chamada de variedade culta ou norma culta, enquanto a primeira é denominada variedade popular ou norma popular.”
Depois de observar que as duas variantes são eficientes como meios de comunicação, o livro afirma que “a classe dominante utiliza a norma culta principalmente por ter maior acesso à escolaridade e por seu uso ser um sinal de prestígio”.
Discutir esses conceitos na universidade, onde se aprofundam as discussões, é uma coisa. Outra, muito diferente, é colocá-las de modo superficial para jovens e adultos em processo de alfabetização, que estão entrando em contato com o conhecimento muito tardiamente, e deveriam ser estimulados a adquiri-lo. Ao contrapor a linguagem “da classe dominante” à linguagem das classes populares, os autores correm o enorme risco de jogar o estudante não só contra a norma culta, como também contra o conhecimento.
O que os alfabetizandos precisam entender é que a norma culta e o conhecimento são, na verdade, instrumentos de libertação. E que o acúmulo de conhecimento poderá abrir-lhes novas perspectivas e opções de vida. E isso o livro não mostra. Mostra, isso sim, depois de expor as contradições sociais, que “o falante tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião”.
Na página 12 do livro, está escrito que “como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário”.
Equivocado e simplista. A escola tem obrigação de ensinar a norma culta, porque ela representa conhecimento. Representa civilização. É a norma culta que porta o conhecimento gerado pela humanidade. A partir do momento que adquirir contato com a norma culta, ele transformará sua vida – e sua fala. O conhecimento não ocupa lugar, e quanto mais é adquirido, mais amplos se tornam os horizontes.
Mas, para os autores, a norma culta é apenas “uma variedade da língua portuguesa” (pág. 11).
Não se pode dizer ao estudante que a norma culta gera preconceito – o livro não diz isso, mas insinua, ao afirmar que pessoas que dominam a norma culta podem manifestar esse preconceito. Mas em nenhum lugar diz que os falantes da linguagem popular podem manifestar preconceito contra os falantes da língua culta.
Ambas as formas de preconceito são de origem social, mas chamar os críticos do livro de “pseudointelectuais” é manifestação de um preconceito mais grave, porque denota desprezo pelo conhecimento. É como aquele sujeito que diz que “eu nunca precisei de livros pra chegar aonde cheguei”. Afinal, o papel da escola e dos livros é levar o indivíduo a adquirir conhecimento e aprender a norma culta. Ou seja, educar.
O Brasil já perdeu o bonde da educação há muito tempo. Hoje, pagamos alto preço por isso. O baixo nível dos políticos, a corrupção, o desprezo pela língua portuguesa, o grande número de analfabetos, a pobreza e a miséria, o analfabetismo funcional... Sem uma população bem educada – ou seja, que domine a norma culta, tenha acesso aos bens culturais e saiba discernir e criar seus próprios conceitos – o desenvolvimento econômico do país será apenas uma bolha, e o desenvolvimento social dependerá sempre de benesses do governo.
UMA LIÇÃO DE OUTRO MUNDO
Mundialmente famoso, o bairro parisiense Quartier Latin, onde fica a Universidade Sorbonne, está perdendo a essência de sua alma: as livrarias. O número passou de 225 para 124 na última década. Boa parte foi substituída por lojas de roupas. Para estancar esse esvaziamento e evitar a descaracterização do bairro, a prefeitura de Paris decidiu incentivar a abertura de livrarias. O método utilizado é simples: apoio financeiro aos comerciantes, com aluguéis abaixo dos níveis de mercado. Por meio de uma sociedade de economia mista, a Semaest, a prefeitura compra os locais, realiza as obras necessárias e os aluga. O projeto, chamado Vital'Quartier, garante aos livreiros três meses de aluguel grátis para cobrir despesas iniciais com a abertura do negócio e também oferece aconselhamento em relação a empréstimos bancários e contratação de funcionários. Desde 2008, 11 livrarias foram inauguradas no Quartier Latin e duas novas editoras, com lojas, serão abertas nas próximas semanas.
Valor Econômico (20/05/2011) - Por Daniela Fernandes
BRASÍLIA, 51 ANOS [2]
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Tratores destroem o gramado da Esplanada... |
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...para montar um gramado artificial. |
Para as comemorações do aniversário da cidade, em 21 de abril, cobriram toda a extensão da Esplanada com circos, palcos, arquibancadas, barracos e até campos de futebol. Provavelmente vão desmontar tudo isso em seguida, deixando os gramados destruídos. Mas será por pouco tempo.
O governo do DF trará para Brasília, no final de maio, o Red Bull X-Fighter, evento internacional de motocross. A empresa Red Bull vai montar uma grande estrutura nos gramados da Esplanada. Se a Esplanada é tombada, a Red Bull não tem nada com isso.
Quem anuncia o evento é o secretário de Turismo do DF, Luiz Otávio Neves. Em entrevista à revista Roteiro Brasília, ele anuncia "um show de motocross, de piruetas de motos, iluminação, fogos, um grande espetáculo". Para se ter idéia da qualidade dos secretários que assumiram o "novo" governo do DF.
BRASÍLIA, 51 ANOS
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Roupa de festa |
Brasília completa 51 anos de inauguração no dia 21 de abril. A cidade que nasceu das utopias é hoje vítima da cultura do saque e da ganância. A cidade que surgiu das pranchetas como um projeto de obra de arte vai aos poucos incorporando o espírito da favelização: ocupação desordenada, desprezo pelo planejamento urbano, desrespeito aos monumentos históricos.
Para a comemoração do aniversário de 51 anos, o Governo do DF, em vez de embelezar a cidade, enche a esplanada de barracos, palcos, arquibancadas, altares e até campos de futebol. Destrói o gramado e faveliza a área mais importante da cidade.
Pelo projeto original de Brasília, a Esplanada dos Ministérios foi desenhada para ser um grande espaço aberto, por onde se pudesse observar o Congresso Nacional desde a rodoviária. A Esplanada é tombada pelo Patrimônio Histórico e faz parte da área tornada intocável pelo título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco. Ali, é proibida a execução de qualquer edificação acima do solo, de forma a garantir total visibilidade do Congresso Nacional.
Com todo respeito à Feira de Caruaru, Brasília é outra coisa. A Feira de Caruaru é um grande encontro espontâneo, uma festa popular. O atrativo de Caruaru é a multidão e a muvuca bem organizada; o da Esplanada dos Ministérios é o espaço vazio. Os governos querem atrair turistas para Brasília, mas se esquecem de manter a cidade bem arrumada para quando eles chegarem.
Assim como o governo local pratica e é conivente com esses atentados contra a integridade da cidade, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se omite e o Instituto dos Arquitetos do Brasil silencia. Então, por que a população, que tantas vezes se levantou em defesa de Brasília, não grita? Ou será que essa população, outrora consciente e atuante, agora prefere ouvir a música de péssima qualidade que emana dos palcos na Esplanada?
[A foto que ilustra esta postagem foi tomada emprestada ao Correio Braziliense]
QUE U2, QUE NADA!
Segundo fim de semana de abril, o clima de São Paulo oscila entre sol, nuvens e ameaça de chuva e os hotéis estão superlotados. Noventa e nove por cento dos turistas que invadiram a cidade neste sábado vão se reunir todos no mesmo lugar. À noite, a banda irlandesa U2 faz um megashow no Morumbi.
Nada contra. Mas o que me levou a São Paulo foi um histórico encontro, visto apenas por algumas centenas de privilegiados, nas belas instalações do Sesc no bairro de Belenzinho. Ali, Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos, músicos brasileiros de enorme prestígio internacional, se reencontraram para reinterpretar o Dança das Cabeças, álbum mitológico que gravaram na segunda metade da década de 70.
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Daniel, Nádia, Egberto e Naná |
Sem tumultos e fácil estacionamento, chegamos na companhia de Daniel e Ana, que nos garantiram antecipadamente os melhores lugares da platéia de 400 lugares: na primeira fila, de frente para o palco, onde Gismonti e Naná, com entendimento perfeito e sua reconhecida capacidade de improviso, extasiaram o público.
Não tenho fotos do show para mostrar. Era proibido fotografar e, mesmo que não fosse, seria difícil. A presença daqueles seres iluminados no palco criava um ambiente de tal harmonia que o simples espocar de um flash poderia quebrar. Havia tal equilíbrio entre o silêncio e as delicadas ondas sonoras emitidas pelos músicos que qualquer movimento, qualquer ruído estranho, uma tosse ou um disparador de câmera, poderiam interromper. A memória se encarregaria de gravar aquele acontecimento. Era melhor assim.
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Este escriba e Naná |
Na saída, Egberto e Naná atenderam com simpatia aos pedidos para posar para fotos e autografar discos, CDs e vinis que apareceram aos montes nas mãos de fãs deslumbrados. Dança das Cabeças vem atravessando as décadas com o mesmo encantamento misterioso que lhe valeu dezenas de prêmios ao redor do mundo. A magia sonora de dois gênios. Velhos vinis e CDs que pairam acima do tempo.
O show fez parte do Projeto Álbum, do Sesc Belenzinho, que propõe a recriação no palco de álbuns clássicos da música brasileira. Antes de pegar nos instrumentos, Gismonti contou a história do disco, gravado em Oslo, na Noruega, de forma improvisada. Convidado por um estúdio, ele viajava sozinho, mas dois dias antes da data marcada encontrou-se com Naná em Paris e propôs que vivessem juntos a aventura.
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Ana, Egberto e este escriba |
“Não vai dar pra ensaiar”, respondeu Naná, depois de ouvir de Gismonti o que ele pretendia: “Levar um piano para dentro da mata e ouvir animais, rios, sentir a umidade, ver pântanos e clareiras.” Mais de 30 anos depois, lá estávamos nós, cercados por aquele mundo mágico.
O LINCHAMENTO DE MARIA BETHÂNIA
A semana que começou no Dia Nacional da Poesia, 14 de março, foi marcada por uma tentativa de linchamento, na internet, de uma das mais importantes artistas da música brasileira: Maria Bethânia. A partir da revelação, por um jornal paulista, de que o Ministério da Cultura aprovara um projeto que prevê a gravação de 365 vídeos em que a cantora lê poemas importantes da língua portuguesa, uma horda de gente preconceituosa e mal informada avançou contra ela com paus e pedras.
O projeto O mundo precisa de poesia foi apresentado ao Ministério da Cultura pela Quitanda Produções Artísticas, e previa a captação de R$ 1,79 milhão, por renúncia fiscal, para a produção e veiculação dos vídeos, um por dia, durante um ano. O Ministério aprovou, reduzindo o valor para R$ 1,3 milhão. De acordo com a Lei Rouanet, esse valor poderá ser obtido junto a empresários, que descontarão uma parte dele ao pagar seus impostos de renda. Portanto, o Ministério não deu o dinheiro, apenas autorizou a produtora a solicitá-lo ao empresariado.
De acordo com a proposta, os vídeos serão veiculados em um blog na internet, no YouTube e outros espaços, um por dia, durante um ano, e estarão acessíveis para quem quiser vê-los e copiá-los. A seleção dos poemas será feita pela própria Maria Bethânia, que ao longo de uma irrepreensível carreira de mais de quatro décadas tem prestado inestimável serviço não apenas à melhor música brasileira, como também à poesia de língua portuguesa, levando a obra de autores como Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Sophia de Mello Breyner Andresen e inúmeros outros a um público totalmente seduzido pela beleza de suas interpretações.
Ao tornar acessíveis, pela internet, 365 poemas de primeira grandeza, Maria Bethânia levará a poesia a um público nem sempre íntimo dessa arte, hoje disponível apenas em livros de circulação restrita. A interpretação de Maria Bethânia resgata a oralidade da poesia, revelando sua beleza a pessoas que nem sempre compreendem os mistérios dessa linguagem.
O episódio merece reflexões profundas. É assustadora a reação das pessoas, entre as quais há até mesmo poetas brasileiros que deveriam ter aplaudido a iniciativa, pois, afinal, como diz o próprio título do projeto, o mundo precisa de poesia, e o Brasil muito mais. Sabemos que o Brasil é um país iletrado, mas pior que isso é nossa vocação para cultuar a ignorância. Entre as manifestações que se reproduziram em redes sociais, blogs e seções de comentários dos jornais, era evidente que a grande maioria dos que protestaram o fizeram pelo simples prazer de protestar, sem ler o projeto, sem saber o que é a Lei Rouanet ou conhecer suas regras, e especialmente por um sadismo pouco disfarçável, alimentado pelo covarde ataque em massa a uma pessoa que obteve prestígio nacional graças a seu talento, coerência e integridade.
A obtenção de recursos para produções culturais, via renúncia fiscal, é prática comum e totalmente legítima, prevista em lei. Shows, DVDs, livros, filmes, peças de teatros, CDs são produzidos dessa forma. Pode-se questionar a qualidade dos artistas e vários outros aspectos, mas a aprovação, ou não, do projeto obedece a critérios puramente técnicos, e assim deve ser.
O mais irônico dessa história é que a maior parte dessas produções não presta qualquer contribuição à cultura brasileira, e nem por isso se organizam protestos contra essa ou aquela. Turnês gigantescas, promovidas por empresas multinacionais, com retorno financeiro garantido, e que nenhuma contrapartida oferecem, são produzidas dessa forma. Há artistas descaradamente comerciais que assim gravam CDs e DVDs, vendidos a preços de mercado. Filmes sem qualquer valor cultural, lançados com estrondosas campanhas de marketing, são patrocinados pela mesma lei.
Qual é o mistério por trás da campanha contra Maria Bethânia? Eu tendo a acreditar, mesmo sem querer, que se a produtora houvesse apresentado um projeto de R$ 2 milhões, ou R$ 5 milhões, apenas para uma turnê de shows de Maria Bethânia, ou gravação de um DVD, não teria havido tal reação. Ninguém protesta contra os milhões obtidos por artistas como Ivete Sangalo, Roberto Carlos, Gilberto Gil, duplas sertanejas ou grupos de axé. O filme Bruna Surfistinha captou R$ 4 milhões da mesma forma. Ninguém protestou. A Lei Rouanet viabiliza a produção de artistas importantes, mas também patrocina o esgoto da cultura brasileira. Tudo sob respeitoso silêncio. Praticamente todos os filmes produzidos no Brasil, alguns vistos por não mais que 3 mil, 5 mil pessoas, obtêm financiamento da mesma maneira.
Duas palavras mágicas desencadearam a onda de protestos contra Bethânia. A primeira é “blog”, um espaço gratuito na internet, onde qualquer um escreve o que quiser. A segunda é “poesia”, uma arte vítima de muitos preconceitos, que para alguns é apenas obra de desocupados (como se a campanha contra Bethânia não fosse também obra de desocupados). As pessoas não entenderam, ou não quiseram entender, que o projeto O mundo precisa de poesia prevê captação de recursos não para a produção de um blog, e sim para a produção de 365 vídeos de nível profissional. E também não se percebe que a Poesia pode prestar grande contribuição para melhorar a qualidade de nossa educação e, em cascata, ajudar a aprimorar nosso senso crítico e nossa capacidade de reflexão.
A onda de protestos encontrou terreno fértil também na irresponsabilidade da imprensa, que adora esse tipo de polêmica, mas é incapaz de analisar a fundo o alcance de um projeto que, ao contrário de quase todos os outros, pode ser uma valiosa ferramenta para as escolas, de todos os níveis, e que levará a melhor poesia de língua portuguesa a um público imensurável. E criará um acervo de grande importância, para agora e para o futuro. Esse desdobramento previsto pelo projeto da Quitanda não existe nas produções meramente comerciais, algumas até mesmo nefastas para nossa cultura, que se multiplicam sob o patrocínio da Lei Rouanet.
Maria Bethânia tem uma história irrepreensível e merece respeito. A Poesia também.
O projeto O mundo precisa de poesia foi apresentado ao Ministério da Cultura pela Quitanda Produções Artísticas, e previa a captação de R$ 1,79 milhão, por renúncia fiscal, para a produção e veiculação dos vídeos, um por dia, durante um ano. O Ministério aprovou, reduzindo o valor para R$ 1,3 milhão. De acordo com a Lei Rouanet, esse valor poderá ser obtido junto a empresários, que descontarão uma parte dele ao pagar seus impostos de renda. Portanto, o Ministério não deu o dinheiro, apenas autorizou a produtora a solicitá-lo ao empresariado.
De acordo com a proposta, os vídeos serão veiculados em um blog na internet, no YouTube e outros espaços, um por dia, durante um ano, e estarão acessíveis para quem quiser vê-los e copiá-los. A seleção dos poemas será feita pela própria Maria Bethânia, que ao longo de uma irrepreensível carreira de mais de quatro décadas tem prestado inestimável serviço não apenas à melhor música brasileira, como também à poesia de língua portuguesa, levando a obra de autores como Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Sophia de Mello Breyner Andresen e inúmeros outros a um público totalmente seduzido pela beleza de suas interpretações.
Ao tornar acessíveis, pela internet, 365 poemas de primeira grandeza, Maria Bethânia levará a poesia a um público nem sempre íntimo dessa arte, hoje disponível apenas em livros de circulação restrita. A interpretação de Maria Bethânia resgata a oralidade da poesia, revelando sua beleza a pessoas que nem sempre compreendem os mistérios dessa linguagem.
O episódio merece reflexões profundas. É assustadora a reação das pessoas, entre as quais há até mesmo poetas brasileiros que deveriam ter aplaudido a iniciativa, pois, afinal, como diz o próprio título do projeto, o mundo precisa de poesia, e o Brasil muito mais. Sabemos que o Brasil é um país iletrado, mas pior que isso é nossa vocação para cultuar a ignorância. Entre as manifestações que se reproduziram em redes sociais, blogs e seções de comentários dos jornais, era evidente que a grande maioria dos que protestaram o fizeram pelo simples prazer de protestar, sem ler o projeto, sem saber o que é a Lei Rouanet ou conhecer suas regras, e especialmente por um sadismo pouco disfarçável, alimentado pelo covarde ataque em massa a uma pessoa que obteve prestígio nacional graças a seu talento, coerência e integridade.
A obtenção de recursos para produções culturais, via renúncia fiscal, é prática comum e totalmente legítima, prevista em lei. Shows, DVDs, livros, filmes, peças de teatros, CDs são produzidos dessa forma. Pode-se questionar a qualidade dos artistas e vários outros aspectos, mas a aprovação, ou não, do projeto obedece a critérios puramente técnicos, e assim deve ser.
O mais irônico dessa história é que a maior parte dessas produções não presta qualquer contribuição à cultura brasileira, e nem por isso se organizam protestos contra essa ou aquela. Turnês gigantescas, promovidas por empresas multinacionais, com retorno financeiro garantido, e que nenhuma contrapartida oferecem, são produzidas dessa forma. Há artistas descaradamente comerciais que assim gravam CDs e DVDs, vendidos a preços de mercado. Filmes sem qualquer valor cultural, lançados com estrondosas campanhas de marketing, são patrocinados pela mesma lei.
Qual é o mistério por trás da campanha contra Maria Bethânia? Eu tendo a acreditar, mesmo sem querer, que se a produtora houvesse apresentado um projeto de R$ 2 milhões, ou R$ 5 milhões, apenas para uma turnê de shows de Maria Bethânia, ou gravação de um DVD, não teria havido tal reação. Ninguém protesta contra os milhões obtidos por artistas como Ivete Sangalo, Roberto Carlos, Gilberto Gil, duplas sertanejas ou grupos de axé. O filme Bruna Surfistinha captou R$ 4 milhões da mesma forma. Ninguém protestou. A Lei Rouanet viabiliza a produção de artistas importantes, mas também patrocina o esgoto da cultura brasileira. Tudo sob respeitoso silêncio. Praticamente todos os filmes produzidos no Brasil, alguns vistos por não mais que 3 mil, 5 mil pessoas, obtêm financiamento da mesma maneira.
Duas palavras mágicas desencadearam a onda de protestos contra Bethânia. A primeira é “blog”, um espaço gratuito na internet, onde qualquer um escreve o que quiser. A segunda é “poesia”, uma arte vítima de muitos preconceitos, que para alguns é apenas obra de desocupados (como se a campanha contra Bethânia não fosse também obra de desocupados). As pessoas não entenderam, ou não quiseram entender, que o projeto O mundo precisa de poesia prevê captação de recursos não para a produção de um blog, e sim para a produção de 365 vídeos de nível profissional. E também não se percebe que a Poesia pode prestar grande contribuição para melhorar a qualidade de nossa educação e, em cascata, ajudar a aprimorar nosso senso crítico e nossa capacidade de reflexão.
A onda de protestos encontrou terreno fértil também na irresponsabilidade da imprensa, que adora esse tipo de polêmica, mas é incapaz de analisar a fundo o alcance de um projeto que, ao contrário de quase todos os outros, pode ser uma valiosa ferramenta para as escolas, de todos os níveis, e que levará a melhor poesia de língua portuguesa a um público imensurável. E criará um acervo de grande importância, para agora e para o futuro. Esse desdobramento previsto pelo projeto da Quitanda não existe nas produções meramente comerciais, algumas até mesmo nefastas para nossa cultura, que se multiplicam sob o patrocínio da Lei Rouanet.
Maria Bethânia tem uma história irrepreensível e merece respeito. A Poesia também.
[O proprietário deste blog tomou a liberdade de usar a foto de Juan Guerra, da Agência Estado, para ilustrar este texto]
DIA NACIONAL DA POESIA
Este ano começou bem. Começou no Dia Nacional da Poesia, 14 de março, que desta vez veio colado ao Carnaval, que terminou no dia 13 de março, não na quarta-feira de Cinzas, como exigem os calendários, mas como os foliões preferem. Se no Brasil o ano só começa depois do Carnaval, melhor ainda que o primeiro dia do ano seja o Dia Nacional da Poesia, quando se comemora o aniversário de Castro Alves.
AMANHECER EM BRASÍLIA
REYNALDO JARDIM ESTÁ VIVO
A imagem de Reynaldo Jardim morto não combina com ele. Era o que havia de estranho no velório realizado no Teatro Nacional, em Brasília, na tarde desta quarta-feira, 2 de fevereiro. Reynaldo, genial jornalista, poeta e artista plástico, se é que se pode falar assim de um homem rompedor de limites, no auge da juventude aos 84 anos, foi abatido por um aneurisma. Mas seus amigos e admiradores, artistas de todos os naipes, subverteram sua morte e o declararam vivo.
Reynaldo morreu em Brasília, mas é um personagem da cultura brasileira, imune a fronteiras, espaciais ou temporais. Nos anos 50, criou o Caderno B do Jornal do Brasil, promovendo uma revolução na imprensa que perdurou pelas décadas seguintes. No ano passado, seu livro Sangradas Escrituras ficou em segundo lugar na categoria Poesia do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. A notícia da premiação o enfureceu, por considerar que sua obra merecia apenas o prêmio máximo. Ninguém o contestou.
UM CERTO DIA EM DEZEMBRO DE 1980
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Um festival de Poesia em Minas, anos 80: estado poético permanente |
O dia 8 de dezembro era uma segunda-feira, o fim de semana havia rendido alguma grana e eu estava mais ou menos folgado. Namorava uma estudante de jornalismo da Universidade Federal, que morava na rua Aimorés, ao lado da Igreja de Lourdes. Havíamos combinado de almoçar juntos no bandejão da Faculdade de Direito, localizada na Praça Afonso Arinos, próxima à casa dela. Por volta de 11 horas da manhã, eu vinha descendo a avenida Augusto de Lima em direção à praça, pensando em minhas próximas aventuras poéticas, quando um jornaleiro saiu da rua Goiás em minha direção.
Na rua Goiás ficava a sede do Estado de Minas, e no final da manhã saía a edição do Diário da Tarde, tendo como principal atrativo os resultados e comentários sobre os jogos de futebol. Mas, naquela segunda-feira, o jornaleiro, esbaforido, bradava uma manchete que nada tinha a ver com o caderno de esportes. “Mataram John Lennon”, gritava, sem se incomodar com o peso dos jornais que carregava.
Como acreditar naquelas palavras impressas em letras garrafais que ocupavam metade da capa do jornal? Paguei ao jornaleiro e me sentei num banco, a alguns metros da porta do restaurante da universidade. O cara que escrevia canções e promovia eventos e performances para pregar a paz – assassinado a tiros?
Eu tinha 24 anos e vivia em estado poético permanente, como costumávamos dizer, eu e o grupo de poetas com quem editava revistas, promovia saraus e tomava de surpresa bares e outros ambientes para declamações surpresa – as guerrilhas poéticas. A maioria dessa turma já publicara um ou vários livros, alguns editados de forma rudimentar, mas com muito amor. A poesia, para nós, era uma arma ao mesmo tempo poderosa e pacífica, e com ela haveríamos de colocar as coisas em seus devidos lugares.
A notícia que o jornal esfregava na minha cara naquele 8 de dezembro desmentia minhas convicções. Não havia como dar um jeito no mundo. Guardo hoje a sensação de que ali, naquele lugar e naquele momento, perdi pela primeira vez a esperança na humanidade.
Talvez não tenha sido de forma definitiva. Tanto que outras vezes perdi a esperança. Mas continuei escrevendo, lendo, ouvindo e vivendo poesia. Talvez John Lennon gostasse de saber disso. Afinal, ele também deve ter perdido a esperança várias vezes, para fazê-la renascer em seguida. Não foi ele que nos conclamou a imaginar um mundo perfeito? A música de Lennon continua ao nosso alcance, diante do edifício Dakota ou na praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte. Dane-se a esperança; a poesia nos salvou a todos.
VIVA MONTEIRO LOBATO!
Monteiro Lobato foi um dos autores que marcaram minha infância. Eu sonhava em ser como aquelas crianças que frequentavam o Sítio do Picapau Amarelo. Suas histórias me transmitiam um clima de amizade e aventura que me fascinava.
Agora, alguns supostos "educadores" querem me convencer que a obra de Monteiro Lobato é racista. Fico estarrecido. A sensação que guardei das leituras da infância, sobre a relação entre aquelas crianças e a Tia Nastácia, a personagem negra que os tais "educadores" supõem vítima de racismo, é de amor, respeito e amizade.
Minha geração cresceu lendo Monteiro Lobato. Ninguém se tornou racista por causa disso.
O "escritor" e "pesquisador" Alberto Mussa defendeu, durante o Fórum das Letras de Ouro Preto, a proibição da obra de Monteiro Lobato nas escolas. O nigeriano Felix Ayoh´Omidire, presente ao Fórum, concordou com ele. Nada sei de um ou outro, mas acho estarrecedor.
Há algumas semanas, a "professora" Nilma Lino Gomes, integrante do Conselho Federal de Educação (CNE), defendeu a mesma proibição em um parecer solicitado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República.
Quem levantou o assunto foi o técnico em Gestão Educacional Antônio Gomes da Costa Neto, da Secretaria de Educação do DF, que faz mestrado em Educação na Universidade de Brasília. De que tipo de educação esse cara entende?
O fato é extremamente preocupante. Além da ameaça de atirar um manto de maldição sobre um autor clássico da literatura brasileira, é um sinal de que muito mais vem por aí. Estamos caminhando com passos firmes e ligeiros rumo ao pior obscurantismo.
Esses "escritores", "pesquisadores" e "educadores" sectários deveriam entender que a causa de todo o racismo é a ignorância, e ignorância se combate ensinando literatura de qualidade nas escolas.
Preparem-se. Brevemente vão propor a proibição de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e outros autores clássicos de nossa literatura. É assim que se destrói uma cultura.
Agora, alguns supostos "educadores" querem me convencer que a obra de Monteiro Lobato é racista. Fico estarrecido. A sensação que guardei das leituras da infância, sobre a relação entre aquelas crianças e a Tia Nastácia, a personagem negra que os tais "educadores" supõem vítima de racismo, é de amor, respeito e amizade.
Minha geração cresceu lendo Monteiro Lobato. Ninguém se tornou racista por causa disso.
O "escritor" e "pesquisador" Alberto Mussa defendeu, durante o Fórum das Letras de Ouro Preto, a proibição da obra de Monteiro Lobato nas escolas. O nigeriano Felix Ayoh´Omidire, presente ao Fórum, concordou com ele. Nada sei de um ou outro, mas acho estarrecedor.
Há algumas semanas, a "professora" Nilma Lino Gomes, integrante do Conselho Federal de Educação (CNE), defendeu a mesma proibição em um parecer solicitado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República.
Quem levantou o assunto foi o técnico em Gestão Educacional Antônio Gomes da Costa Neto, da Secretaria de Educação do DF, que faz mestrado em Educação na Universidade de Brasília. De que tipo de educação esse cara entende?
O fato é extremamente preocupante. Além da ameaça de atirar um manto de maldição sobre um autor clássico da literatura brasileira, é um sinal de que muito mais vem por aí. Estamos caminhando com passos firmes e ligeiros rumo ao pior obscurantismo.
Esses "escritores", "pesquisadores" e "educadores" sectários deveriam entender que a causa de todo o racismo é a ignorância, e ignorância se combate ensinando literatura de qualidade nas escolas.
Preparem-se. Brevemente vão propor a proibição de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e outros autores clássicos de nossa literatura. É assim que se destrói uma cultura.
BRASÍLIA VOLTA À POESIA
O II Simpósio de Crítica de Poesia, promovido pelo Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília e coordenado pela professora Sylvia Cintrão, traz novamente a poesia para o coração da cidade. Maltratada cidade. Agora vamos falar do que realmente importa. Como disse Mário Quintana, fora da poesia não há salvação.
O II Simpósio faria parte da II Bienal Internacional de Poesia de Brasília (II BIP). Com o cancelamento desse evento, o Simpósio segue sozinho. Menos mal. O tema geral do Simpósio é Poesia contemporânea: olhares e lugares.
Segunda, terça e quarta-feira próximas (8, 9 e 10), pesquisadores, professores, estudantes, poetas e leitores estarão reunidos no Auditório do Instituto de Biologia da UnB para seis mesas de debate e oito mesas de comunicação, sempre para discutir poesia.
Este escriba participará da mesa Poesia contemporânea: Brasília 50 anos, ao lado de Amneres Santiago, com mediação de Alexandre Pilati. Será na terça-feira, 9, às 15h30. Vamos tentar dirigir nossos olhares para a poesia que se faz no Brasil atualmente e, mais especificamente, em Brasília, em momento extremamente marcante. Afinal, os 50 anos de Brasília, comemorados este ano, em meio a intensa crise política, têm que provocar algum tipo de tremor também na poesia que se faz na cidade.
Essas questões provavelmente serão discutidas também por Nicolas Behr e Luís Turiba, com mediação de Augusto Rodrigues, na mesa anterior, que tem como tema Do local ao global (às 14h).
Outras mesas de debates reunirão Eliana Yunes, Sylvia Cintrão e Julliany Mucury; Rodrigo Garcia Lopes, Antonio Miranda e Sérgio Leo; José Castello, Sérgio de Sá e Maurício Melo Jr. Nas mesas de comunicação, pesquisadores de diversos estados apresentarão trabalhos em sessões abertas.
Na quarta, 10, às 9h30, o poeta Fabrício Carpinejar conversa com o público.
A abertura oficial será na segunda-feira, 8, às 14h. No mesmo dia, às 19h, será apresentado no auditório I do Museu da República (Esplanada dos Ministérios) o espetáculo Brasílias de luz, com o grupo Vivoverso, que presta uma homenagem ao músico e compositor Oswaldo Montenegro, convidado especial do Simpósio, e aos poetas da cidade.
A programação completa do II Simpósio de Poesia e Crítica está aqui.
OS CAMINHOS ATÉ LEONARD COHEN
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Estrasburgo: uma das mais belas cidades da França |
A bordo de um trem TGV francês, vejo passarem pela janela as belas paisagens da Alsácia. Estou a caminho de Estrasburgo, cidade sede do Parlamento Europeu, quase fronteira com a Alemanha. O trem é veloz, o dia está bonito, ligeiramente nublado, mas é impossível evitar uma certa ansiedade. É manhã de sábado, véspera de realizar um antigo desejo: estar na platéia de um concerto de Leonard Cohen, um personagem quase lendário entre minhas admirações musicais.
Na bagagem, uma camisa de malha preta, em que mandei imprimir a frase “From Brazil to see Leonard Cohen in Strasbourg”, e dois ingressos, comprados quase por impulso, em 11 de fevereiro, pela internet. Naquela noite, soube pelo site “Leonard Cohen Files”, desenvolvido na Finlândia, maior fonte de informações sobre o compositor canadense, que os shows previstos para os primeiros meses deste ano haviam sido adiados para o segundo semestre. Por causa de dores na coluna, Cohen deveria se submeter a seis meses de fisioterapia. O adiamento me soou como um convite. Eu teria tempo de planejar a viagem. Com um simples clique no mouse, garanti meu lugar e tornei próximo um sonho distante.
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O ticket: sete meses de espera |
Na viagem de duas horas entre Reims e Estrasburgo, penso em Leonard Cohen, suas histórias e lendas. Nascido em Montreal em 1934, Leonard dedicou-se à poesia desde muito jovem, para desespero de sua família, de origem judaica, que o pretendia um brilhante homem de negócios. Por não obter renda suficiente com os vários livros que publicou, decidiu fazer da música um veículo para seus belos e sensíveis poemas, e assim atingir um público maior. Passo a passo, chegou em 1968 ao primeiro disco, batizado apenas de Songs, ou canções. Tinha 34 anos quando estreou no mercado musical.
Hoje, é um dos últimos grandes ídolos que, surgidos nos anos 60, deram à música jovem um status que jamais tivera. Os Beatles, Bob Dylan, Lou Reed, Pink Floyd, Bob Marley e uma lista significativa de artistas transformaram um divertimento de adolescentes em veículo de reflexão, que propôs novos comportamentos e reinventou o mundo. A diferença entre Leonard Cohen e todos os outros é que Cohen começou apenas como poeta – como se fosse pouco.
Eu havia conhecido Cohen com enorme atraso, na década de 80, quando um amigo, o jornalista João Alberto Ferreira, me deu um extraordinário presente de aniversário, o vinil I´m your man. A música título é uma de suas obras clássicas, mas o que me pegou pelo coração naquele álbum irretocável foi uma canção construída sobre um poema de Federico Garcia Lorca, Take this waltz, ou Pequena valsa vienense, título do poema original.
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Ao fundo, o Zenith |
Com esse álbum, Cohen começava a confrontar um mundo em desintegração, segundo sua própria leitura, o que se evidenciava na canção First we take Manhattan. O choque total veio no álbum seguinte, The future, em que sentenciava, logo na primeira faixa: “Prepare-se para o futuro, ele é assassino.” A poesia de Cohen sempre abordou os conflitos humanos e sociais e a inútil busca da salvação, seja pelo amor, pelo sexo ou pelos caminhos religiosos. Mas parecia, com esse disco, ter chegado a um impasse. Logo em seguida, Cohen saiu de cena, e desapareceu por mais de 10 anos.
Desde 1993, Leonard Cohen não se apresentava em público. Passou cinco anos recluso no mosteiro budista de Mont Baldy, nos arredores de Los Angeles. Mas reapareceu em 2001, quando lançou o CD Ten new songs, em parceria com a cantora e compositora Sharon Robinson. Para Cohen, é um álbum de celebração. Talvez a redenção que foi buscar no mosteiro, onde escreveu as letras das canções.
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Doze mil fiéis súditos de Cohen |
A turnê mundial iniciada em 2008 é uma megaprodução, com uma superbanda, formada não apenas por artistas contratados para acompanhá-lo, mas músicos que são, acima de tudo, súditos a serviço de seu mestre. Esse grupo harmonioso tem se apresentado em espaços de alto prestígio, sempre lotados. O Zenith de Estrasburgo, por fora, parece um ginásio de esportes. Por dentro, é uma casa de espetáculos de alto nível, com uma acústica inimaginável para os padrões brasileiros. Tem precisamente 12.079 lugares. Estava totalmente tomado por pessoas que foram não apenas ouvir Cohen, mas reverenciá-lo.
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Eu e meu amigo inglês |
Um público enorme, mas nenhum sinal de tumulto, nenhuma fila, nenhum estresse. Uma hora antes, os portões estão abertos, as pessoas aos poucos vão tomando o hall que cerca as entradas da platéia. Há alguns bares e quiosques onde são vendidos CDs, livros e camisetas. Minha camisa de brasileiro exótico chama a atenção. Algumas garotas pedem para tirar fotos comigo. Já na platéia, eu e minha esposa, Nádia, explicamos a um grupo de ingleses que Leonard Cohen nunca esteve no Brasil, onde tem um público sofisticado e reverente, mas supostamente pequeno.
O concerto vai começar. Os músicos assumem seus lugares e tocam os primeiros acordes de Dance me to the end of love. Vemos apenas seus perfis, no palco em penumbra. Então, a intensidade da luz aumenta e Cohen entra correndo, com um largo sorriso. Traja um terno bem cortado e o mesmo chapéu que o acompanha nos últimos anos. Está a dois dias de completar 76 anos. Quando sua voz inconfundivelmente grave se projeta e hipnotiza o público, sinto que vivo um momento especial. Aquelas horas vividas ali na platéia do Zenith ficarão congeladas no tempo.
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Cohen, com as Webb Sisters ao fundo: emoção |
As canções mais emblemáticas de Cohen, que tive o privilégio de ouvir como se ele as cantasse para mim, fizeram de seus discos verdadeiras obras primas. Suzanne, Famous blue raincoat, Sisters of mercy, Hallelujah são algumas delas. Bird on the wire é uma espécie de projeto de vida de Leonard. “Como um pássaro no fio, como um bêbado numa cantoria noturna, vou buscando meu jeito de ser livre”, diz a letra. Cohen cita um conhecido verso dos Beatles antes de cantá-la: “Dizem que tudo que precisamos é amor, mas penso que é liberdade”, diz ele. Nessas alturas, já está difícil conter as lágrimas.
Cohen disse certa vez ao jornalista Mikal Gilmore, da revista Rolling Stone, que encontrou na arte conforto e força – “ao fazer canções, muito da dor da minha vida se dissolvia.” É este Leonard Cohen que vemos ao longo de quase três horas de concerto, cantando de olhos fechados, muitas vezes de joelhos, prestando total reverência a cada palavra com que construiu seus poemas e às belas melodias com que os vestiu. Creio que aqui reside minha maior identificação com Leonard Cohen, a crença de que a poesia é a cura para os males da vida.
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A música a serviço da poesia |
Cohen canta em estado de êxtase, trocando reverências com os músicos, que parecem tão deslumbrados quanto o público. Ao apresentá-los – o produtor musical e baixista Roscoe Beck, o tecladista Neil Larsen, os guitarristas Javier Mas e Bob Metzger, o baterista Rafael Gayol, o saxofonista Dino Soldo e as vocalistas Hattie e Charley, as Webb Sisters – Cohen compõe um poema para cada um. Quando um deles apresenta um solo, Cohen tira o chapéu, segura-o junto ao peito e ouve atentamente.
A maior parte deles trabalha com Cohen há décadas. “Podemos jogar pela janela tudo que sabemos sobre música, porque o importante é interpretar as letras de Leonard”, afirma Metzger, no documentário Songs from the road, recém-lançado. O espírito da turnê é revelado pelo produtor Rob Hallett: “Não estamos tentando vender nada, nem quebrar recordes... apenas promover encontros entre Cohen e seus fãs.”
“Não sei quando voltaremos, mas estejam certos que eu e os músicos damos o melhor de nós”, diz Leonard. Os dois telões, ao lado do palco, mostram closes dele e dos músicos, e todas as canções são legendadas em francês. A música mais aplaudida, The partisan, fala de um personagem da resistência francesa, formada por civis que tentavam sabotar a dominação alemã durante a segunda guerra mundial.
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Leonard Cohen, canções para sempre na memória |
Iniciado às 20h20, o concerto só termina às 23h30. No bis, Cohen canta mais seis canções, até que o público se acalma e cessa de chamá-lo de volta. Uma dessas canções – If it be your will – ele apenas declama, passando a tarefa de cantar para as vocalistas Webb Sisters. Outro momento de emoção. Cohen tira novamente o chapéu e fecha os olhos. No final, entrega a elas um buquê de flores que alguém colocou no palco. Cohen é o mesmo cavalheiro cortês de sempre, agora de cabelos grisalhos e rosto vincado. O tempo passa e o concerto chega ao fim, mas as canções permanecem no ouvido, no cérebro, no coração. Dou uma última olhada para o palco, já vazio, antes de sair. Eu sei que, sempre que ouvir de novo aquelas canções, estarei de volta a Estrasburgo.
Esta crônica foi publicada no Correio Braziliense, Caderno Pensar, em 23/10/2010
BIBLIOTECA PROMOVE A PRÉ-BIENAL
O poeta Antonio Miranda, diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, não desistiu de promover a II Bienal Internacional de Poesia (II BIP),embora a tenha cancelado por insuficiência de patrocínio. Programada para setembro passado, será realizada em 2011, garante Miranda. Vamos acreditar.
Nesta quinta, 14, e sexta, 15, dois eventos fazem o lançamento público da II Bienal. Chamados de Pré-Bienal, é um "ato de afirmação da poesia", segundo o poeta, reúnem no auditório da Biblioteca poetas nacionais e de países hispano-americanos, além dos cantores Zeca Baleiro e Célia Porto. Célia canta em homenagem a Renato Russo, nesta quinta. Na sexta, Zeca Baleiro lança discos e livro.
O poeta brasiliense Jarbas Junior, o uruguaio Roberto Bianchi, a argentina Maria Casiraghi e a nicaragüense Milagros Terán participam dos dois eventos. O grupo OiPoema, formado por Amneres, Angélica Torres, Bic Prado, Cristiane Sobral, Luis Turiba e Nicolas Behr, encerra o primeiro dia de atividades com o lançamento da Coleção OiPoema.
Na sexta, recital com o poeta brasiliense Sids Oliveira e com a argentina Ana Guillot, além de lançamento do livro Poesia em tránsito: Antologia de poetas argentinos y brasilenõs contemporâneos, edição bilíngue português/espanhol, que inclui os brasilienses Anderson Braga Horta, Isolda Marinho, Antonio Miranda e Salomão Sousa.
Tudo a partir das 19h. Força a Miranda e à Bienal de Poesia, ainda que ela se transforme em trienal!
Nesta quinta, 14, e sexta, 15, dois eventos fazem o lançamento público da II Bienal. Chamados de Pré-Bienal, é um "ato de afirmação da poesia", segundo o poeta, reúnem no auditório da Biblioteca poetas nacionais e de países hispano-americanos, além dos cantores Zeca Baleiro e Célia Porto. Célia canta em homenagem a Renato Russo, nesta quinta. Na sexta, Zeca Baleiro lança discos e livro.
O poeta brasiliense Jarbas Junior, o uruguaio Roberto Bianchi, a argentina Maria Casiraghi e a nicaragüense Milagros Terán participam dos dois eventos. O grupo OiPoema, formado por Amneres, Angélica Torres, Bic Prado, Cristiane Sobral, Luis Turiba e Nicolas Behr, encerra o primeiro dia de atividades com o lançamento da Coleção OiPoema.
Na sexta, recital com o poeta brasiliense Sids Oliveira e com a argentina Ana Guillot, além de lançamento do livro Poesia em tránsito: Antologia de poetas argentinos y brasilenõs contemporâneos, edição bilíngue português/espanhol, que inclui os brasilienses Anderson Braga Horta, Isolda Marinho, Antonio Miranda e Salomão Sousa.
Tudo a partir das 19h. Força a Miranda e à Bienal de Poesia, ainda que ela se transforme em trienal!
A FEIRA DO LIVRO E OS ESCRITORES
A Feira do Livro de Brasília acontece este ano no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. Começa nesta sexta-feira, 8. Finalmente a retiraram do shopping Pátio Brasil, o que é uma grande evolução. No entanto, a Câmara do Livro do DF segue cometendo seus equívocos e pouco fazendo para aproximar o público brasiliense da leitura e, mais importante, de seus escritores.
Na página da feira na internet, o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, publica um artigo sobre as virtudes do livro. Será que ele se lembra do desprezo demonstrado pelo governo do DF pela Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que teve que ser cancelada este ano? Aliás, se o governo local tivesse algum apreço pelos livros, a Biblioteca Nacional de Brasília já estaria consolidada há muito tempo.
Mas os escritores de Brasília seguem em frente. Este ano, cinco deles - Reynaldo Jardim, Sérgio Maggio, José Rezende Jr, Anderson Braga Horta e Graça Ramos - foram finalistas do Prêmio Jabuti, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), e os três primeiros, premiados. O poeta Ronaldo Costa Fernandes recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio de melhor livro de poesia do ano com A máquina das mãos. No entanto, não vi o nome de nenhum desses autores na programação da Feira do Livro de Brasília, nem para uma palestra, um bate-papo com os leitores ou um lançamento. Assim é difícil.
Para completar, os potenciais visitantes da Feira não parecem muito preocupados com livros ou leitura. Quase todos os internautas que inseriram comentários no site da Feira do Livro estão preocupados com shows de música que, depois de anunciados, foram cancelados. Ninguém pergunta, por exemplo, por que o poeta Ferreira Gullar, que este ano completou 80 anos, lançou um novo livro e foi homenageado em vários cantos do país, não foi convidado para comparecer.
E depois querem fazer de Brasília a capital da leitura...
Na página da feira na internet, o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, publica um artigo sobre as virtudes do livro. Será que ele se lembra do desprezo demonstrado pelo governo do DF pela Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que teve que ser cancelada este ano? Aliás, se o governo local tivesse algum apreço pelos livros, a Biblioteca Nacional de Brasília já estaria consolidada há muito tempo.
Mas os escritores de Brasília seguem em frente. Este ano, cinco deles - Reynaldo Jardim, Sérgio Maggio, José Rezende Jr, Anderson Braga Horta e Graça Ramos - foram finalistas do Prêmio Jabuti, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), e os três primeiros, premiados. O poeta Ronaldo Costa Fernandes recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio de melhor livro de poesia do ano com A máquina das mãos. No entanto, não vi o nome de nenhum desses autores na programação da Feira do Livro de Brasília, nem para uma palestra, um bate-papo com os leitores ou um lançamento. Assim é difícil.
Para completar, os potenciais visitantes da Feira não parecem muito preocupados com livros ou leitura. Quase todos os internautas que inseriram comentários no site da Feira do Livro estão preocupados com shows de música que, depois de anunciados, foram cancelados. Ninguém pergunta, por exemplo, por que o poeta Ferreira Gullar, que este ano completou 80 anos, lançou um novo livro e foi homenageado em vários cantos do país, não foi convidado para comparecer.
E depois querem fazer de Brasília a capital da leitura...
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