A lenda do Vagabundo Sagrado, por meu amigo Ivan Sérgio e sua lendária banda. Ivan é autor do romance No submundo do sucesso, em que ele conta a história de um roqueiro que oscila entre inferno e paraíso, paraíso e inferno. Ele diz que o romance é autobiográfico, mas há controvérsias... Mas a lenda do Vagabundo é demais!
[poema] A LARANJA
Em 2007, publiquei o livro Poemas por amor, todo ele dedicado a Nádia, minha especial companheira de poesia e de todas as horas. Entre os poemas, este que apresento aqui, ilustrado pelo gesto hábil que inspirou sua escrita. Espero que apreciem.
DIA NACIONAL DA POESIA, SEMPRE
![]() |
clique na imagem para ampliar |
SERGUILHA EM BRASÍLIA
O poeta português Luis Serguilha comparece a Brasília esta semana - mais precisamente na próxima quinta-feira, 15 de março - para lançar seu novo livro, KOA´E. Poeta e ensaísta, escritor premiado, com textos publicados em revistas de literatura no Brasil, Espanha e Portugal, além de traduções para várias línguas, Serguilha é atração imperdível.
KOA'E projeta o holomovimento poético, a contínua dança energética-poética, a teia dançante de infinitas possibilidades, explica o crítico de arte Daniel-Karys Strauss. Luis Serguilha é conhecido como um dos mais transgressivos e inovadores da atual poesia portuguesa - e da poesia lusófona, se poderia acrescentar.
KOA'E projeta o holomovimento poético, a contínua dança energética-poética, a teia dançante de infinitas possibilidades, explica o crítico de arte Daniel-Karys Strauss. Luis Serguilha é conhecido como um dos mais transgressivos e inovadores da atual poesia portuguesa - e da poesia lusófona, se poderia acrescentar.
Serguilha lança KOA´E em Brasília na próxima quinta-feira, 15 de março, das 19h às 21h, no Balaio Café, 201 Norte, bloco B. É preciso ver isso de perto.
[discoteca afetiva] OUVIR SEM PARAR
Liebe Paradiso: como um livro |
A história da música brasileira está cheia de exemplos de parcerias inesquecíveis, como Toquinho e Vinícius, João Bosco e Aldir Blanc, Ivan Lins e Vitor Martins e inúmeras outras. Agora, se você ainda não se tocou, preste atenção nessa dupla, que já criou alguns álbuns de primeira grandeza.
Em 1997, Celso Fonseca gravou o CD Paradiso, segundo resultado de suas parcerias com o letrista Ronaldo Bastos, cujo talento já era conhecido desde o Clube da Esquina. Paradiso é um CD belíssimo, do primeiro ao último acorde. Por isso, a ideia de recriar o disco pode ter soado meio incompreensível.
Pois foi justamente o que eles fizeram. E reuniram um time - aliás, vários - de primeira grandeza para participar do trabalho. Recriaram todas as faixas e acrescentaram duas, retiradas de outros CDs da dupla. O resultado é brilhante e, por que não dizer, indescritível, porque só ouvindo o CD - do princípio ao fim, como se lê um livro - será possível compreender esses comentários.
Além da bela voz de Celso Fonseca, outras grandes estrelas interpretam essas canções. É emocionante ouvir Luiz Melodia, Adriana Calcanhotto, Milton Nascimento, Paulo Miklos, Nana Caymmi, além de outros artistas excepcionais que participam, como Marcos Valle, João Donato, Robertinho Silva, Nivaldo Ornelas... e outros, muitos outros. E aqui destaco a participação de Antonio Cícero, declamando um belo poema.
Liebe Paradiso foi citado em várias listas de melhores CDs do ano. É o bastante. Não vou dizer que é melhor que outros citados. Mas vou dizer que cada faixa, ao tocar, nos parece a melhor do disco. Ao chegar ao final, fica aquela indecisão e somos obrigados a ouvir de novo. E assim indefinidamente. Obrigado pelo presente, Celso e Ronaldo!
A POESIA MERECE
A poesia de alto quilate de Ferreira Gullar, um artista que jamais deixou escapar a dignidade e a coerência em seus mais de 80 anos, acaba de ganhar mais um prêmio merecidíssimo, o Moacyr Scliar de Literatura do RS. Para esses indivíduos estranhos, assim como eu, para quem a poesia é altamente necessária e, mais que isso, vital, é prazeroso analisar esse prêmio. Para começar, o objetivo de distinguir exclusivamente poetas e contistas, a cada dois anos, com um prêmio de R$ 150 mil, terceiro maior do país, já é um mérito. As menções honrosas para A Vida Submarina, de Ana Martins Marques, Lar, de Armando Freitas Filho, Em Trânsito, de Alberto Martins, e Aleijão, de Eduardo Sterzi, também me parecem merecidas, especialmente para os dois primeiros, que eu li.
Na lista de inscritos, há vários outros livros que, na minha opinião de leitor, poderiam ter sido premiados, como Nada a dizer, de Marcelo Sahea, Viavária, de Iacyr Anderson Freitas, Treva Alvorada, de Mariana Ianelli, O silêncio tange o sino, de Mariana Botelho, entre outros. São belíssimos trabalhos que revelam o bom momento da poesia brasileira, e sinto-me um privilegiado por ter lido alguns dos 152 livros inscritos.
O Instituto Nacional do Livro do Rio Grande do Sul merece uma menção pela realização deste concurso, especialmente num momento em que, só para citar um mau exemplo, o governo de Minas Gerais, estado que sempre revelou boa literatura, ameaça acabar com prêmios tradicionais e até com o mais antigo periódico dedicado às letras neste país, o Suplemento Literário de MG.
A foto que ilustra esta postagem foi tomada emprestada à Agência Estado
e é de autoria de Fábio Motta.
e é de autoria de Fábio Motta.
ADEUS, WISLAWA
A poetisa polonesa Wislawa Szymborska (pronuncia-se Vissuáva Chembórska) morreu nesta quarta-feira, 1º de fevereiro, aos 88 anos, em sua casa, na Cracóvia. Seu único livro publicado no Brasil, sob o singelo título de Poemas, lançado no ano passado, é uma belíssima amostra de sua poesia, mas apenas despertou minha sede de conhecê-la melhor. Apesar de seu nome quase imemorizável para nós, brasileiros, eu não me esqueci dessa autora premiada com o Nobel em 1996 desde que li na revista Piauí, em 2007, alguns de seus poemas. Um dos melhores exemplos de sua poesia forte, contundente, vigorosa é este que você lê abaixo. Ele não consta da coletânea publicada pela Companhia das Letras, mas quem sabe não constará de futuras traduções brasileiras?
Fotografia do 11 de setembro
Pularam dos andares em chamas -
um, dois, alguns outros,
acima, abaixo.
A fotografia os manteve em vida,
e agora os preserva
acima da terra rumo à terra.
Ainda estão completos,
cada um com seu próprio rosto
e sangue bem guardado.
Há tempo suficiente
para cabelos voarem,
para chaves e moedas
caírem dos bolsos.
Permanecem nos domínios do ar,
na esfera de lugares
que acabam de se abrir.
Só posso fazer duas coisas por eles -
descrever este vôo
e não acrescentar o último verso.
Wislawa Szymborska
Tradução de Sylvio Fraga Neto e Danuta Haczynska da Nóbrega
UMA ODISSEIA NA FICÇÃO
Meu avô morreu em 1975, sem jamais acreditar que o homem foi à lua. Lembrei-me dele ao rever, pela enésima vez, 2001, Uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick, agora com a nitidez proporcionada pelo blue-ray. No filme, um clássico do cinema, dois astronautas viajam em direção a Júpiter numa nave controlada por um computador avançadíssimo, capaz de dialogar, deduzir, refletir e sentir.
Filmado com efeitos especiais nunca vistos no cinema, que até hoje não perderam a força, 2001 foi lançado em 1968, um ano antes da suposta viagem dos astronautas norte-americanos à lua. A epopéia de Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins foi uma resposta dos Estados Unidos à União Soviética, que haviam colocado um astronauta na órbita da Terra. Em plena Guerra Fria, a façanha foi uma vitória diante dos soviéticos.
Existem muitos indícios de que a viagem à lua não passou de uma montagem, uma farsa, uma ficção. Observações nas fotografias dos astronautas no solo lunar, divulgadas pela agência espacial norte-americana Nasa, revelam contradições, como a penumbra, inexistente em ambiente sem atmosfera, marcas de pegada onde não deveriam existir, devido à falta de gravidade, ausência de sinais do propulsor do módulo lunar, exposição dos astronautas à radiação solar, mortal naquelas condições, e muitas outras evidências – ou razões para dúvidas.
Há quem identifique o cineasta Stanley Kubrick numa foto anterior, produzida pela própria Nasa, o que poderia significar que ele contribuiu para a farsa. No contexto político daquela época, poderia ter sido possível ao governo norte-americano convencer alguns participantes da importância da conquista, ainda que fictícia, da lua.
Ao rever o filme 2001, Uma odisséia no espaço, lembrei-me de toda essa história ao observar os detalhes das naves espaciais e especialmente das cenas passadas na lua, em cenário extremamente parecido com o das filmagens da viagem supostamente forjada. Nos créditos, no final do filme, há agradecimento aos cientistas que prestaram consultoria para roteiro e filmagens.
Para fazer um filme que, mais de 40 anos depois de lançado, permanece moderno e futurista, Stanley Kubrick e seu parceiro, o escritor Arthur Clarke, precisaram de uma competente assessoria, para que os detalhes científicos não se tornassem inverossímeis. Precisaram também de projetos de naves espaciais e outros equipamentos, que o governo norte-americano e a Nasa poderiam ter cedido, em troca de algum tipo de compensação. Era a parceria perfeita para dois filmes de ficção científica, e não apenas um.
Assim como todas as obras de arte, o filme possui várias camadas de leitura, que vão de uma simples história de ficção a todo o simbolismo sobre a evolução da humanidade. O tempo, o ritmo, a fotografia, os cenários, tudo permanece perfeito. Do gesto do símio que transforma um osso em arma, no início do filme, ao olhar do feto diante da Terra, na cena final, 2001 é uma obra-prima do cinema. Inesquecível.
PAISAGEM NA NEBLINA
Esta é uma das mais belas cenas que já vi no cinema. Está em Paisagem na Neblina, do grego Theo Angelopoulos. Essse filme encabeçaria a lista dos que eu levaria para uma ilha deserta, com certeza. Quem viu o filme há de se lembrar da cena. É uma obra de arte carregada de simbolismo, uma lição de como a vida, em seu sentido mais amplo, pode ser profundamente refletida em uma história que se conta em duas horas. Agora, acabo de saber que Angelopoulos, aos 76 anos, acaba de falecer, em consequência de um atropelamento. É muito difícil aceitar e compreender. É um daqueles mistérios que ele próprio tentou desvendar com os belíssimos filmes que nos deixou.
O TRAVESTI DO AMAURY
O jornalista Amaury Ribeiro Jr. virou celebridade nas redes sociais. O nome não me era estranho. Fui ao Google e uma matéria da Folha de S. Paulo
me informou que ele é ligado ao "grupo de inteligência" da campanha de
Dilma Rousseff. Não confio muito na Folha, mas se a matéria não foi
desmentida, deve ser verdade.
Amaury escreveu o livro Privataria Tucana, bombando entre os best-sellers. O livro é um cozinhado de um dossiê que ele preparou contra José Serra - primeiro por encomenda de Aécio Neves, depois vendido ao PT. É estranho, mas são coisas da política.
Como se vê, Amaury só circula entre bonna gente. Mas eu sabia que o conhecia de outras plagas. Afinal, detesto os políticos - todos os políticos - e deles quero distância, assim como de seus agregados. Aí fui pesquisar minha coleção de bolachões, e achei uma preciosidade, o LP Precoce, do Amaury, lançado em Belo Horizonte em 1992. O disco é raridade até nos sebos. Certamente a produção de dossiês é muito mais lucrativa do que a música, mas até que Amaury levava jeito.
SHOW ME THE PLACE, LEONARD COHEN
Canção do novo CD de Leonard Cohen, Old Ideas, que será lançado em 31 de janeiro de 2012.
BRASÍLIA TERÁ BIENAL DE LIVROS
Depois de dar um pontapé na segunda edição da Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que vinha sendo planejada há dois anos, e de demitir Antonio Miranda do cargo de diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, a secretaria de Cultura do DF anuncia a 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, a se realizar em abril de 2012.
Pois é, mais uma “bienal”. E o nome é pretensioso. O secretário de Cultura, Hamilton Pereira, anuncia a captação de R$ 7,5 milhões em patrocínio, depois de negar apoio ao evento de poesia, que precisava de R$ 1,5 milhão para se viabilizar. Hamilton se apresenta como poeta, mas é apenas um político como todos os outros.
A secretaria convocou o escritor Luiz Fernando Emediato e deu-lhe o cargo de coordenador literário da anunciada Bienal do Livro e Leitura. Emediato critica a Biblioteca Nacional por não ter livros disponíveis para empréstimo. Talvez ele não saiba que a Secretaria de Cultura negou recursos para que bibliotecários fossem contratados para cadastrar as dezenas de milhares de volumes que a biblioteca já possui. Os poucos bibliotecários que lá trabalham eram obrigados a cumprir funções burocráticas e seus salários estavam constantemente atrasados.
Luiz Emediato lembra que o brasiliense é “leitor de peso”, e o DF é o maior consumidor de livros per capita do país, segundo pesquisa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Esses dados são uma falácia. Se fosse assim, as editoras correriam para participar de eventos na cidade, o que não acontece. O poder público – mais especificamente, o governo do DF – não entende nada de cultura. Brasília foi pensada para ser o centro cultural do país, mas essa ideia foi desvirtuada pelos militares e os governos locais, capitaneados por Joaquim Roriz, não querem saber disso. Agnelo Queiroz não é diferente.
O prometido evento terá o arquiteto Oscar Niemeyer como convidado, de acordo com o coordenador. É uma ótima ideia. Ao percorrer a Biblioteca Nacional de Brasília, Niemeyer terá uma noção do péssimo resultado de seu projeto – um prédio absolutamente inadequado para uma biblioteca.
LEONARD COHEN DE VOLTA!
Algumas das questões mais profundas da condição humana são abordadas nas canções de Old Ideas, novo CD de Leonard Cohen, que terá lançamento mundial no dia 31 de janeiro. É o 12º disco de estúdio do genial bardo canadense, e ele está em plena forma, do alto de seus 77 anos. Depois de uma turnê mundial iniciada em maio de 2008 e encerrada em dezembro de 2010, Cohen lança 10 canções inéditas, das quais apenas duas foram apresentadas durante a turnê. O álbum é produzido por Patrick Leonard, Anjani Thomas, Ed Sanders e Dino Soldo. Cohen está, como sempre, apoiado por belos vocais femininos: Dana Glover, Sharon Robinson, The Webb Sisters (Hattie e Charley Webb) e Jennifer Warnes. A arte da capa é do próprio Leonard Cohen. Agora, é controlar a expectativa!
POESIA NA RUA
![]() |
[Clique para ampliar] |
O Açougue Cultural T-Bone (quadra 312 Norte, em Brasília) promove nesta quarta, quinta e sexta, 26, 27 e 28, a 1ª Bienal do B, A Poesia na Rua. O evento é uma reação ao cancelamento da II Bienal Internacional de Poesia de Brasília, mas não precisava copiar-lhe o nome, que se tornou um estigma. Especialmente porque pretende ser anual, e nesse caso o termo realmente perde o sentido.
Eventos poéticos são muito bem-vindos, ainda mais neste momento em que o poder público em Brasília demonstrou total aversão à poesia, desprezando um evento internacional que já vinha sendo organizado há mais de dois anos, alegando falta de recursos que, se houvesse vontade política, estariam sobrando.
Para o festival do T-Bone, confirmaram presença nomes importantes da poesia brasiliense, como Antonio Miranda, Chico Alvim, Vicente Sá, Wilson Pereira, Luís Martins, Carla Andrade e muitos outros. Vindos de fora, foram anunciados Wilmar Silva (Belo Horizonte), Ésio Macedo Ribeiro (São Paulo) e o português Luís Serguilha.
Thiago de Mello acaba de confirmar presença para uma homenagem. Além dele, serão homenageados a diretora da Biblioteca Demonstrativa, Maria da Conceição Moreira Salles, o livreiro Ivan Presença e o poeta Ézio Pires, todos imprescindiveis ao movimento cultural da cidade.
Haverá shows musicais, incluindo a participação do grupo VivoVerso, que trabalha música e poesia.
Este escriba participa do evento nesta quinta, 27. E convida eventuais leitores a comparecer às três noites.
POESIA CONTEMPORÂNEA
O livro Poesia Contemporânea - Olhares e Lugares, coletânea de reflexões organizada por Sylvia Helena Cyntrão, será lançado nesta sexta-feira, 21, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura (shopping Iguatemi) em Brasília. Reúne ensaios de professores e escritores convidados do simpósio realizado na Universidade de Brasília em setembro do ano passado. O livro é especialmente importante por um detalhe: o simpósio foi o único evento da II Bienal Internacional de Poesia de Brasília que de fato se realizou - e que, agora, dá um novo fruto. Este escriba participa do livro com o texto Brasília é apenas um lugar comum, uma reflexão sobre o excesso de clichês na poesia que se faz em Brasília, ou sobre Brasília. Também participam José Castello, Rodrigo Garcia Lopes, Luís Turiba, Nicolas Behr, Amneres Santiago, Alexandre Pilati, entre vários outros autores. Haverá uma performance do grupo VivoVerso. Estaremos lá.
ABRAÇO ÀS NASCENTES
O Parque Olhos D´Água ocupa 21 hectares na Asa Norte de Brasília,
equivalente a uma quadra residencial. É uma área de preservação, com
espécies do cerrado, e possui trilhas internas e parquinho infantil.
Dentro de seus limites corre um riacho que deságua numa lagoa, e essa
água flui em direção ao Lago Paranoá. As nascentes ficam fora da área do
parque, e estão ameaçadas pela especulação imobiliária. A população se
mobiliza para que o governo determine a integração das
nascentes, que ficaM entre as quadras 212 e 213, à área do parque. Este
vídeo reporta a manifestação realizada em 25 de setembro de 2011.
LEMBRANDO FERNANDO M. VIANNA
Neste mês de setembro, mais precisamente no dia 10, completam-se cinco anos de morte de Fernando Mendes Vianna. Quem o conheceu sabe a falta que ele faz ao cenário poético de Brasília. Não só pela alta qualidade de sua poesia, como também por sua personalidade iluminada e agregadora. O poema que se lê nesta imagem (clique para ampliá-la) é uma singela homenagem que faço a um dos mais notáveis seres humanos com quem tive a oportunidade de conviver. Contraluz faz parte de meu livro inédito Exília, criado com o apoio da Bolsa Funarte de Criação Literária.
CANCELADA A BIENAL DE POESIA
Poetas de 21 países, além dos brasileiros ¬– nomes como Alcides Buss, Álvaro Alves de Faria, Felipe Fortuna, Floriano Martins, Horácio Costa, Lêdo Ivo, Miriam Fraga, Ricardo Silvestrin, Ruy Espinheira Filho, Wilmar Silva, entre outros – receberam na tarde desta segunda-feira, 22 de agosto, um comunicado do diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, Antonio Miranda. Em texto lacônico, frustrado e triste, ele informava, sem esclarecer os motivos, que a II Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que seria realizada de 14 a 17 de setembro, estava cancelada.
Sem que tenha havido um comunicado oficial, fica difícil analisar as razões para o segundo cancelamento de um evento que parecia ter sua morte anunciada. Por ser bienal, como foi batizado desde a primeira edição, ocorrida em 2008, esse evento deveria ter acontecido no ano passado, mas foi adiado por falta de recursos. O ano de 2010 foi histórico para Brasília: foi o ano do cinquentenário de inauguração da cidade e o ano em que, pela primeira vez, um governador foi preso em pleno exercício do mandato. Além disso, o Distrito Federal bateu um triste recorde: teve quatro governadores em um único ano.
Com a eleição do petista Agnelo Queiroz para governar o DF, houve quem visse renascer uma perdida esperança. Mas em pouco tempo percebeu-se que o novo governo de novo tinha muito pouco: não havia um projeto cultural a ser proposto ou implantado, e o secretário de Cultura, Hamilton Pereira, parece perdido no cargo.
O resultado não poderia ser diferente. Os equipamentos culturais do DF continuam sucateados, com o Cine Brasília abandonado, o Museu de Arte fechado para uma misteriosa reforma, uma Biblioteca Nacional ainda sem livros disponíveis, apesar dos quatro anos de inauguração e os esforços de seu diretor, Antonio Miranda. Outros espaços, em Brasília e demais cidades, estão em situação equivalente. Enquanto isso, os artistas e a sociedade parecem em estado de letargia e perplexidade.
Era muito peso para que Miranda o carregasse sozinho. Como evento nascido nos corredores oficiais, ainda que gerado no coração de um poeta com vasta história, a II Bienal Internacional de Poesia de Brasília carecia pelo menos do apoio de um governo sensível, que se dispusesse a reconduzir Brasília à condição de polo cultural no centro do Brasil. Uma condição cada vez mais distante e utópica. O cancelamento da Bienal é apenas reflexo de um caos muito maior, que cabe aos artistas, e à sociedade, reparar e ordenar.
Sem que tenha havido um comunicado oficial, fica difícil analisar as razões para o segundo cancelamento de um evento que parecia ter sua morte anunciada. Por ser bienal, como foi batizado desde a primeira edição, ocorrida em 2008, esse evento deveria ter acontecido no ano passado, mas foi adiado por falta de recursos. O ano de 2010 foi histórico para Brasília: foi o ano do cinquentenário de inauguração da cidade e o ano em que, pela primeira vez, um governador foi preso em pleno exercício do mandato. Além disso, o Distrito Federal bateu um triste recorde: teve quatro governadores em um único ano.
Com a eleição do petista Agnelo Queiroz para governar o DF, houve quem visse renascer uma perdida esperança. Mas em pouco tempo percebeu-se que o novo governo de novo tinha muito pouco: não havia um projeto cultural a ser proposto ou implantado, e o secretário de Cultura, Hamilton Pereira, parece perdido no cargo.
O resultado não poderia ser diferente. Os equipamentos culturais do DF continuam sucateados, com o Cine Brasília abandonado, o Museu de Arte fechado para uma misteriosa reforma, uma Biblioteca Nacional ainda sem livros disponíveis, apesar dos quatro anos de inauguração e os esforços de seu diretor, Antonio Miranda. Outros espaços, em Brasília e demais cidades, estão em situação equivalente. Enquanto isso, os artistas e a sociedade parecem em estado de letargia e perplexidade.
Era muito peso para que Miranda o carregasse sozinho. Como evento nascido nos corredores oficiais, ainda que gerado no coração de um poeta com vasta história, a II Bienal Internacional de Poesia de Brasília carecia pelo menos do apoio de um governo sensível, que se dispusesse a reconduzir Brasília à condição de polo cultural no centro do Brasil. Uma condição cada vez mais distante e utópica. O cancelamento da Bienal é apenas reflexo de um caos muito maior, que cabe aos artistas, e à sociedade, reparar e ordenar.
A ARTE DE JOSÉ VASCONCELLOS
![]() |
A infância redescoberta |
Vasconcellos vive desde 1974 na Dinamarca, onde é reverenciado pelos museus e galerias e, é claro, também pelo público. Suas obras fazem parte de coleções de vários países europeus e dos Estados Unidos, e livros sobre ele foram publicados em edições inglesas, francesas, alemãs, entre outras.
Ele trabalha, hoje, basicamente com resina vegetal sobre tela ou madeira, às vezes usando colagens, criando obras complexas, de grande beleza plástica. Há muitos anos não produz mais gravuras como a que lhe mostrei no dia 2 de agosto, quando enfim o conheci pessoalmente.
![]() |
Sem título |
Embora viva há quase 40 anos fora do Brasil, Vasconcellos é aquele mineiro típico – eu diria até um passense típico – que gosta de uma boa prosa, desenrolada com sotaque inconfundível. E é casado com uma artista igualmente talentosa, a pianista Valéria Zanini, que fez um recital inesquecível na Sala Martins Penna, tocando peças de Schubert, Schumann, Liszt, Villa-Lobos e Prokofieff.
Valéria é goiana de Anápolis. Ela e Vasconcellos deixaram o Brasil em 1973, por pressão da ditadura militar. Foram para o Chile, de onde saíram no ano seguinte, após o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende. Partiram direto para a Dinamarca, onde encontraram terreno fértil para desenvolver sua arte.
Assinar:
Postagens (Atom)