A POESIA MERECE


A poesia de alto quilate de Ferreira Gullar, um artista que jamais deixou escapar a dignidade e a coerência em seus mais de 80 anos, acaba de ganhar mais um prêmio merecidíssimo, o Moacyr Scliar de Literatura do RS. Para esses indivíduos estranhos, assim como eu, para quem a poesia é altamente necessária e, mais que isso, vital, é prazeroso analisar esse prêmio. Para começar, o objetivo de distinguir exclusivamente poetas e contistas, a cada dois anos, com um prêmio de R$ 150 mil, terceiro maior do país, já é um mérito. As menções honrosas para A Vida Submarina, de Ana Martins Marques, Lar, de Armando Freitas Filho, Em Trânsito, de Alberto Martins, e Aleijão, de Eduardo Sterzi, também me parecem merecidas, especialmente para os dois primeiros, que eu li. 

Na lista de inscritos, há vários outros livros que, na minha opinião de leitor, poderiam ter sido premiados, como Nada a dizer, de Marcelo Sahea, Viavária, de Iacyr Anderson Freitas, Treva Alvorada, de Mariana Ianelli, O silêncio tange o sino, de Mariana Botelho, entre outros. São belíssimos trabalhos que revelam o bom momento da poesia brasileira, e sinto-me um privilegiado por ter lido alguns dos 152 livros inscritos. 

O Instituto Nacional do Livro do Rio Grande do Sul merece uma menção pela realização deste concurso, especialmente num momento em que, só para citar um mau exemplo, o governo de Minas Gerais, estado que sempre revelou boa literatura, ameaça acabar com prêmios tradicionais e até com o mais antigo periódico dedicado às letras neste país, o Suplemento Literário de MG.

A foto que ilustra esta postagem foi tomada emprestada à Agência Estado
e é de autoria de Fábio Motta.
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