Poeira e diversão

Há cerca de cinco anos ocorreu-me a idéia de fuçar em antigos baús abandonados, retirar de lá alguns pedaços perdidos de infância, velhos esqueletos, bichos hibernados, caminhos esquecidos. Começou assim a grande aventura de planejar e escrever o Arqueolhar. Transformei em poesia o meu gosto pela poeira. E para aguçar meu olhar míope, ainda mais que era brumoso o território a observar, fiz mais de uma centena de fotografias de gentes, recantos, pedras, brinquedos velhos, amuletos, apetrechos, instrumentos. E essas imagens também se fizeram poesia. Mas nada de saudade. Foi uma escavação arqueológica. Arqueólogos sentem saudade dos objetos que desenterram? Poetas também não. Poetas se divertem.
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