Roteiro Brasília

O jornalista Ricardo Pedreira publicou na revista Roteiro Brasília, edição 82, uma belíssima matéria sobre Arqueolhar. Leiam a seguir.

Arqueologia poética
Uma inspirada viagem pelo tempo e pela memória

O jornalista e poeta Alexandre Marino conta que seu quarto livro de poesias, Arqueolhar, começou a surgir numa viagem que fez à cidade natal, Passos, em Minas Gerais. Ele resolveu fotografar pessoas, objetos, ruas, casas - tudo o que lhe lembrava a infância e a adolescência. Veio então idéia de juntar essas imagens e poemas num livro em que faria uma espécie de "arqueologia poética". Mas depois, numa sábia decisão, entendeu que devia publicar apenas os poemas.

Poderia ser um livro muito bonito, com poemas e fotos dialogando entre si. Mas as imagens acabariam por "contaminar" os poemas, influenciando e - quem sabe - empobrecendo sua leitura. É que a poesia de Alexandre é tão vigorosa e rica que merece ser lida apenas dessa forma - como poesia.

Para muita gente, literatura é a mais nobre das artes por ser aquela que melhor instiga a imaginação, que abre um campo de possibilidades, que mais nos leva a criar junto com o autor. E a poesia seria o supra-sumo da literatura, por dar às palavras significados infinitamente mágicos, de riquíssima diversidade, que potencializam sua beleza.

Assim, mais do que qualquer outra manifestação artística, cada poema é uma experiência única para cada pessoa. Isso, naturalmente, só acontece com poesia de qualidade, aquela em que as palavras, o ritmo e a sonoridade se somam num conjunto a serviço da emoção, que estabelece um fio encantado com o leitor.

É o que faz o Arqueolhar de Alexandre Marino.
A arqueologia trabalha nas várias camadas do solo para investigar o passado. A arqueologia poética de Alexandre não olha apenas o passado, mas busca nas várias camadas e dimensões da memória a percepção que ele tem do mundo. É uma viagem muito pessoal em que o leitor embarca levado pela emoção que transborda das palavras.

A passagem do tempo - intangível e misterioso - e a força imaginativa da memória são a matéria prima do livro. Diz ele num poema: "Diante do espelho, o reflexo/do relógio da sala:/o tempo corre inverso/e a si mesmo devora./Digere meu pensamento/e o que resta é memória".

Quando olhou no espelho, Alexandre não buscou o reflexo, mas a reflexão. Neste seu quarto livro, o poeta está maduro, no pleno domínio da técnica a serviço da emoção. As lembranças da cidade, da família e da infância são elementos para uma tentativa de entendimento da vida e do mundo.

Arqueolhar é poesia na veia e chega rápido ao coração. Será lançado no dia 27 de setembro, a partir das 19h, no Café Martinica. Chegue lá e veja o que nos diz o poeta: "Ninguém sabe a história inteira./Evocam-se vazios invulneráveis./O tempo é feito de destroços".
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