Documentário sobre "O Sol": lançamento

O DVD do documentário O Sol, caminhando contra o vento, de Tetê Moraes e Martha Alencar, será lançado em Brasília, nesta sexta-feira, 23 de novembro, no Hotel Nacional, às 18h, dentro da programação do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Para quem não se lembra, o documentário é sobre o jornal-escola O Sol, criado por Reynaldo Jardim em 1967.

O jornal O Sol saiu, pela primeira vez, em 21 de setembro de 1967, no início da primavera, ou seja, há exatos 40 anos. O filme O Sol – caminhando contra o vento é um recorte da Geração 68, por meio das páginas do jornal que, embora tenha sobrevivido pouco, tornou-se símbolo de uma época e contou com a participação ativa de Chico Buarque, Zuenir Ventura, Ana Arruda Callado, Gilberto Gil, Betty Faria, Gilberto Braga, Hugo Carvana, Ittala Nandi, Ruy Castro, Luiz Carlos Sá, entre outros.

A versão em DVD do documentário de Tetê Moraes e Martha Alencar inclui depoimentos adicionais de Caetano Veloso, Carlos Heitor Cony, Dedé Veloso, Fernando Gabeira, Reynaldo Jardim (o criador do jornal), Ziraldo, Zuenir Ventura, Fernando Barbosa Lima, Silvio Tendler e, ainda, uma conversa entre Cacá Diegues e as diretoras.

Além disso, os extras do DVD contam com uma variada seleção de páginas de O Sol e making-of da trilha sonora incidental do filme, assinada por David Tygel - que reúne fonogramas originais de sucessos da época como Alegria, Alegria, Domingo no Parque, Roda Viva, Tropicália, Panis et Circenses, entre outras.

A poesia de Leonard Cohen no Brasil

Uma antologia reunindo poemas dos seis livros de poesia do compositor, cantor e escritor canadense Leonard Cohen acaba de ser lançada no Brasil pela Editora 7 Letras, do Rio de Janeiro. Com tradução e seleção de Fernando Koproski, Atrás das linhas inimigas de meu amor traz 50 poemas do bardo, cultuado mundialmente pela sua música sombria e melodiosa. Este é o primeiro livro de Cohen publicado no Brasil, e os poucos e privilegiados admiradores de suas canções têm uma grande oportunidade de conhecer seu trabalho poético. É bom lembrar que ele é, acima de tudo, poeta, e só começou a fazer música com a intenção de veicular para um público maior sua belíssima poesia. Sugestão: leia os poemas no original, e vá às traduções apenas como apoio à leitura.

Palmas para Miranda

O poeta Antonio Miranda recebe homenagem nesta sexta-feira, 9 de novembro, no Auditório da Faculdade de Direito do UniCeub, em Brasília. Haverá leitura dramatizada, apresentação de dança por crianças filhas de membros do Corpo Diplomático, recital poético e números musicais, além de análise de sua obra. Miranda é doutor em Ciência da Informação pela USP, professor da UnB e poeta de longa estrada, além de exercer, atualmente, uma atividade quixotesca - na condição de diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, tenta viabilizar a existência do incrível elefante branco legado à capital do País por um de seus mais nefastos governadores, Joaquim Roriz. O evento começa às 19h.

Festival de Poesia em São Paulo

De 30 de outubro a 4 de novembro, com entrada franca, o público de São Paulo (e quem estiver lá) vai acompanhar debates, performances, palestras, recitais e tudo o que pintar sobre poesia. Com patrocínio da Caixa, o Festival Tordesilhas se divide em vários, que acontecerão em diferentes espaços da cidade.
A lista de participantes é grande - Cláudio Daniel, Micheliny Verunsk, Glauco Mattoso, Wilson Bueno, Paulo Ferraz (Brasil); Rodrigo Flores, Alberto Trejo, Mário Bjórquez (México); Alfredo Fressia, Victor Sosa, Roberto Echavarren (Uruguai); além de muitos outros poetas destes países e da Argentina, Chile, Portugal, Paraguai, Guatemala, Peru...
Que o projeto Tordesilhas tenha longa vida - quem sabe, no ano que vem? - e sirva de inspiração a outras cidades, grandes e pequenas, para eventos semelhantes.
Para mais informações sobre o Festival Tordesilhas, clique aqui.

Rivera no Painel Brasil

As traduções de poesia francesa, italiana e espanhola, entre outras línguas, feitas por José Jeronymo Rivera são bem conhecidas dos leitores, e já foram elogiadas por grandes nomes da crítica e da tradução. Ele publicou 12 livros e tem mais dois prontos para lançamento - um, do belga Émile Verhaeren, traduzido no Brasil unicamente por ele; outro, do espanhol Pedro Salinas. Em entrevista a Angélica Torres, no Painel Brasil, Rivera defende a fidelidade ao texto original e fala sobre seu trabalho e parceiros em traduções de autores como Victor Hugo, Paul Valery, Baudelaire, Mallarmé, Aloysius Bertrand, entre outros. Uma conversa interessante, transmitida pelo site de informação Painel Brasil.

Novas opiniões sobre a Bienal de Poesia

O jornalista e escritor Jason Tércio, que vive em Brasília, contesta algumas opiniões emitidas na postagem anterior. A seguir, algumas colocações dele sobre a futura (torçamos!) Bienal Internacional de Poesia de Brasília e a Feira do Livro:

"A Feira é realizada no melhor espaço possível numa cidade cujo comércio e fluxo de pessoas se encontra quase exclusivamente em shopping." Tércio se diz contra isolar feiras e bienais (como no Rio) em lugares distantes;

Para ele, dizer que "público de shopping não é, por definição, público leitor" é "visão estereotipada, preconceituosa e rançosa";

Os motivos da pouca leitura são estruturais e históricos, lembra Tércio. Por isso, prossegue, "deveria haver feira de livro não só em shopping, mas em supermercado, em boate, em farmácia, em festa rave, em boteco, calçada, enfim, todo lugar", lembrando que o que estimula a leitura é política de governo, preço mais baixo, incentivo nas escolas etc;

Tércio acha que a Bienal de Poesia pode até ser realizada simultaneamente com a Feira, mas também por uma questão de espaço, não no Pátio Brasil. Ele sugere o Teatro Nacional, que tem três boas salas e espaço para os poetas venderem seus livros;

"Não considero como opção aquele monumento natimorto chamado Biblioteca Nacional, que é um belo bolo embolorado por dentro", afirma;

E continua: "Esperar que a poesia promova 'um mundo menos mercantilista e mais humano' é atribuir responsabilidade demais à poesia. Poetar é um ato lúdico."

Leia
aqui todas as notas e informações sobre a Bienal Internacional de Poesia de Brasília publicadas neste blog.

Uma Bienal de Poesia em Brasília?

Anuncia-se para setembro do próximo ano a I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, com o patrocínio da Biblioteca Nacional (leia-se Secretaria de Cultura do DF, pois a Biblioteca, juridicamente, não existe) e da Câmara do Livro do DF. O evento, de acordo com os organizadores, trará escritores, críticos e leitores (importante! Se trouxé-los, será sucesso) do Brasil e outros países para participar de leituras, conferências, debates, concursos, oficinas, exposições e apresentações públicas de todos os tipos.

Trata-se, em princípio, de uma grande notícia e é bom que comecemos a discuti-la. Portanto, todo o espaço necessário neste blog está, desde já, disponível para isso.

A primeira questão que me ocorre é a intenção de promovê-la "junto com a Feira do Livro de Brasília", um evento de responsabilidade da Câmara do Livro. Atenção: a Feira do Livro tem acontecido há vários anos em espaço absolutamente inadequado, o shopping Pátio Brasil, movido pela intenção de levar para a feira as pessoas que circulam por lá. Ora, público de shopping center não é, por definição, público leitor, embora seja, também por definição, público consumidor. Logo, uma Feira do Livro em shopping center não estimula necessariamente a leitura, embora estimule o comércio de livros.

A Feira do Livro de Brasília é um evento com intenções acima de tudo comerciais, e é preciso cuidado para não contaminar a BIP com esses propósitos. Posso parecer arrogante e purista, mas defendo que seria melhor caracterizar tal evento de poesia como um momento de contemplação, reflexão e apreciação da arte poética; uma grande confraternização de artistas que lutam, cada um em seu país, sua cidade, sua região, por um mundo menos mercantilista e mais humano; enfim, uma grande reunião de criaturas questionadoras que, ao desequilibrar a "normalidade" social, tornam o mundo um pouco mais equilibrado.

É claro que haverá venda de livros e é bom que um grande público compareça ao evento e os livros circulem bastante, como conseqüência natural de um evento de sucesso.

Contra o vínculo à Feira do Livro, um outro argumento: dois eventos que se pretendem grandes não podem acontecer juntos, ao mesmo tempo, pois fatalmente um sufocará o outro. No caso, é evidente que a Poesia sairá perdendo.

Também é importante que a organização já vacine a Bienal de Poesia, desde já, contra uma das mais graves doenças do mundo cultural brasileiro: a falta de continuidade. Em 1998, foi realizada, com grande sucesso, a I Bienal de Poesia de Belo Horizonte. Mas, como não aconteceu outra, ela desmentiu a si mesma - deixou de ser bienal - e foi lamentavelmente esquecida.

Leia aqui todas as notas e informações sobre a Bienal Internacional de Poesia de Brasília publicadas neste blog.

Cassiano, boa viagem

O poeta e professor Cassiano Nunes morreu nesta segunda-feira, 15, aos 86 anos, em Brasília. Natural de Santos (SP), Cassiano era professor doutor honoris causa pela Universidade de Brasília (UnB) e cidadão-honorário da cidade. Além dos livros de poesia que publicou, merecem destaque em sua obra os estudos sobre Literatura Brasileira, Monteiro Lobato e uma enorme coleção de cartas, que trocou com Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade e vários outros escritores.

Cassiano Nunes era alma generosa, que procurava conhecer e estimular o trabalho de novos autores. Boêmio, enturmava-se com pessoas de todas as idades, desde que tivessem afinidade com ele e gostassem de conversar sobre Literatura. Até cinco anos atrás, quando sua saúde se debilitou, freqüentava assiduamente bares e eventos culturais em Brasília, e sempre encontrava alguém com quem conversar e trocar idéias. Gostava de declamar, com seu vozeirão, poemas de seus autores favoritos, que sabia de cór. Era um defensor apaixonado de Brasília.

Descanse em paz, Cassiano. Você vai fazer falta, como já vinha fazendo.

Um poema...



PARÓDIA

as flores de nosso jardim
foram implantadas à sombra
para não perderem a cor

ainda que plásticas
sugaram da terra a seiva
natural
e morreram todas de saudade
do sol.

Um texto de Rui Werneck

Estremeço/quando penso/em estrelas...
Poemas sempre foram algo como uma casa sem portas, cheia de corredores, diversas paredes – nem todas retas –, chão deslizante, teto aberto para as estrelas. Um labirinto que desemboca onde a imaginação do leitor o levar.
Poemas de amor desembocam sempre numa saudade. Na nossa – atiçada pelo poeta. Saudade de outros tempos, outros lugares, outros céus.
Poemas por amor são diferentes. Mas só um pouco. Eles nos levam a imaginar um coração de poeta dançando sobre as estrelas. em vez de apenas contemplá-las.
Assim, os poemas do livro do Alexandre Marino são poemas por amor. Você viaja com o poeta tentando desvendar a intimidade, os silêncios, os abraços, as mãos dadas em um postal de Paris, o primeiro encontro, os disfarces, os pequenos tesouros em forma de ramos de flores ou lençóis... Tudo isso e outras ilhas desertas, porém habitadas por palavras que correm alegres pela areia, pelos aconchegos, pelas carícias, pelas mudas leituras de lábios.
Depois de tentar imaginar as peripécias do poeta para cantar sua amada, você tem ainda a belíssima edição do livro. Na capa, um terno abraço de amantes – nada menos que um quadro de Pablo Picasso. A mão do rubro, porém terno, amante no ombro da amarela e tímida amada. E duas mãos que se tocam de leve prometendo uma vida eterna de amor.
Assim são os poemas por amor de Alexandre Marino – dedicados a uma só mulher, mas propriedade legítima de todos os leitores que sabem apreciar estrelas pelo teto aberto de uma casa feita de palavras.
Alexandre Marino é poeta mineiro exilado em Brasília, o livro foi produzido pela Editora Varanda, em 2007, numa edição fora do comércio. Quer dizer, você deve entrar em contato com o Alexandre, via e-mail (varanda.ce@gmail.com) para poder achar o endereço da casa sem portas, cheia de corredores, diversas paredes – nem todas retas –, etc., que levarão você onde sua imaginação puder.
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Rui Werneck, escritor e publicitário paranaense, no sítio Shvoong (http://pt.shvoong.com/), sobre o mais recente livro deste escriba, Poemas Por Amor, Varanda Edições, 2007.

Vinte anos de Martinho da Arcada

Fundado em 1782, o Martinho da Arcada, situado na Praça do Comércio, é o mais antigo café de Lisboa. Por lá circularam, entre outros clientes ilustres, Mário de Sá-Carneiro, Cesário Verde e Fernando Pessoa, que até hoje tem sua mesa reservada, e sobre ela uma xícara e alguns livros. Na parede, uma foto e um poema, redigido ali mesmo. Em outubro de 1987, um poeta brasileiro foi conferir o ambiente e receber fluidos do ilustre português, que espiritualmente ainda circula por lá. E voltou, exatamente 20 anos depois. É claro que o Martinho, do alto de seus 225 anos, não mudou muito nesse curto período. O que surpreende é que o poeta brasileiro, que lá tomou uma Sagres e guardou o rótulo como lembrança, também está muito bem conservado.

Gerúndio perde emprego

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, demitiu o Gerúndio. A medida foi oficializada pelo Decreto 28.314, de 28 de setembro, publicada no Diário Oficial do DF desta segunda-feira, 1 de outubro. O artigo 1 detemina que "fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal".
Espera-se, agora, que o presidente da República do Brasil nomeie o Plural.

De volta

Após um mês de férias, este escriba está de volta à mesa de trabalho. Aos internautas que navegaram por aqui ao longo desse período, agradeço e convido para novas visitas. É um prazer reencontrá-los.

Poesia de Brasília no Guiness

O Coletivo de Poetas, grupo criado em Brasília há 17 anos, promove neste mês de setembro, no Clube da Imprensa, o Sarau da Primavera - 100 Horas de Poesia na Roda. O projeto é ambicioso - levar a poesia do DF para o Guiness Book. O evento, que terá início às 20h do dia 19 (quarta-feira) e será encerrado a zero hora do dia 23 (domingo), pretende ser o mais longo sarau já realizado no mundo, com leituras, lançamentos de livros e CDs, apresentações musicais, minipalestras, feira de arte, exposições. À frente de tudo isso está o poeta Menezes y Moraes. Ele informa que o grupo já entrou em contato com os responsáveis pelo Guiness, que estão fazendo pesquisas em vários países sobre esse tipo de evento. Contatos: menezesymorais@gmail.com.

Woodstock no interior de Minas


Um grande festival de rock´n´roll realizado numa fazenda no interior dos Estados Unidos, em 1969, entrou para a história da música e tornou-se o principal símbolo da contracultura e da era hippie. Agora, mais de 40 anos depois, o espírito Woodstock permanece vivo numa cidade do interior de Minas – ainda que limitado ao espaço físico de um bar lotado, um palco onde tocam bandas formadas por uma garotada talentosa, tudo isso animado por um maestro que carrega a alma desse tempo.

Se o Festival de Woodstock levou quase 500 mil jovens a uma fazenda, debaixo de chuva e em meio a lama, para quatro dias de celebração da paz e da boa música, o que acontece agora no Sudoeste de Minas provoca um sentimento de nostalgia a quem viveu o espírito da época. Mas a maior parte do público está ali para provar que o rock está mais vivo do que nunca – que o digam os meninos atentos aos covers de Pink Floyd, Creedence Clearwater Revival e muitos outros.

A cidade é Passos, o lugar mágico se chama Woodstock Bar e o mentor de tudo é o guitarrista Magrão, nascido em São Paulo mas ligado à cidade desde sempre. O Woodstock Bar localiza-se numa rua bucólica, quase deserta, entre terrenos baldios, no final do bairro de São Francisco. É ali que a coisa ferve nas noites de quinta, sexta, sábado e domingo.

O bairro de São Francisco é um dos mais tradicionais de Passos, que em 2008 completa 150 anos de emancipação política. Nasceu ao redor do morro do mesmo nome, onde foi construída uma simpática capelinha, ainda nos primeiros tempos da cidade. A capelinha sobreviveu intacta até a década de 70, mas a partir daí começou a sofrer sucessivas reformas, até que a demoliram e construíram no lugar uma nova igreja, autêntico exemplar do mau-gosto da arquitetura pós-moderna. Parece uma nave alienígena.

A capelinha foi uma perda, mas não era mais possível salvá-la. Ao longo das últimas décadas, os padres lotearam o morro e o bairro subiu pelas suas encostas, descaracterizando-o. Mas o bairro mantém até hoje suas principais características de cidadezinha do interior, com casinhas singelas, ruas tranqüilas por onde as pessoas caminham, trocam um bom-dia e conversam, a caminho da padaria ou do botequim. Foi nesse ambiente tipicamente interiorano que nasceu o Woodstock Bar. É por isso que os que o procuram, noite adentro, têm às vezes dificuldade para encontrá-lo – pior ainda, quem está em Passos para uma visita. O cara percorre ruas escuras, vira esquinas desertas, e de repente se depara com uma rua lotada de carros e motos e é despertado por um som que parece vir de uma outra época. E vem mesmo.

O Woodstock Bar deveria ser incluído no roteiro turístico oficial de Passos, uma cidade simpática que recebe visitantes atraídos por suas lojas de roupas modernas e ecoturistas em busca das belas cachoeiras da região. E, é claro, os imortais roqueiros.

Feira do Livro começa na sexta

A Câmara do Livro do Distrito Federal anuncia para a próxima sexta-feira, 31 de agosto, a abertura da 26a. Feira do Livro, que mais uma vez será realizada nos corredores externos do Pátio Brasil Shopping. Alô, Walter Silva, quando é que vão arranjar um lugar melhor para a Feira? Os livreiros adoram, porque o local tem grande circulação de pessoas, com feira ou sem. Mas para o público consumidor de livros, e especialmente para quem pretende acompanhar palestras e debates, deixa muito a desejar.

A Câmara havia anunciado que o evento voltaria a ser realizado no Centro de Convenções, mas a promessa não se concretizou. Outra possibilidade anunciada para o ano que vem é sediar a Feira no Complexo Cultural da República, ao ar livre, entre o Museu e a Biblioteca.

A 26a. Feira do Livro homenageia Ariano Suassuna e dá uma atenção especial ao cordel. A CBDF anuncia a presença da escritora portuguesa Alice Vieira, conhecida mundialmente por suas obras infanto-juvenis; Lira Neto, biógrafo da cantora Maysa; o poeta amazonense Thiago de Mello; o contista Ronaldo Cagiano, que depois de se mudar para a capital paulista volta a Brasilia para participar do Café Literário. Também comparece, acreditem ou não, o paulista Marcelo Mirisola. Será que não havia ninguém mais interessante disponível em São Paulo?

No mais, haverá as atrações de sempre - oficinas, peças de teatro, apresentações musicais, palestras, debates... Quem sabe as livrarias não promoverão, desta vez, significativos descontos nas vendas dos livros, o que, afinal, deveria ser uma característica de tudo aquilo que se chama de "feira"? Fica a sugestão.

Quarta-feira literária

A literatura agita esta semana em Brasília. Mais precisamente esta quarta-feira, 22: no mesmo dia, haverá nova edição do Conjunto em Prosa com o escritor paranaense Cristóvão Tezza, que fala sobre O Filho Eterno (no Espaço Cultural do Conjunto Nacional); o lançamento de dois livros de Gustavo de Castro no Carpe Diem (104 Sul), um de poesia (Os Ossos da Luz) e um de ensaio literário (Ítalo Calvino, Pequena Cosmovisão do Homem); e no Feitiço Mineiro (306 Norte), apresentação do novo livro de Climério Ferreira (Memorial de Mim - As Lembranças Poéticas de um Menino de Angical do Piauí). No Auditório da Biblioteca Nacional de Brasília, o poeta Antonio Miranda apresenta recital conferência em homenagem a João Cabral de Melo Neto. Tudo isso ao mesmo tempo, às 19h.

Drummond: 20 anos

O poeta Carlos Drummond de Andrade morreu há 20 anos, mas sua poesia vive para sempre. Pouparei aos meus quatro ou nove leitores qualquer tratado a seu respeito, preferindo reproduzir alguns de seus versos mais emblemáticos:

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?


É uma estrofe do poema Procura da Poesia, do livro Rosa do Povo. Nessa meia dúzia de versos está contida, em minha modesta opinião, toda a essência daquilo que chamamos poesia.

Guerrilheiros [2]

Mais um flagrante do grupo de guerrilheiros poéticos que espalhou seus versos pela Belo Horizonte do início dos anos 80. Li Egg (primeira à esquerda), Sérgio Fantini (de boné), Avanilton, Fátima e Raimundo Nonato, Marcos Lunán (de chapéu), Alexandre Marino (exibindo seu livro recém-lançado, Todas as Tempestades), Almir Rosa, Marco Bellini (encoberto) e Luci Soalheiro. A foto, de autor desconhecido, foi feita no campus da Universidade Católica de MG. Alô, poetas, dêem notícias!!!

Guerrilheiros


Aí está um grupo de guerrilheiros poéticos que andou agindo em Belo Horizonte nos anos 80, flagrados em pleno recital no campus da Escola de Belas Artes da UFMG numa tarde daqueles tempos. Em primeiro plano, Almir Rosa, posteriormente cognominado Almir Almas, e ao fundo os demais participantes - Avanilton de Aguilar, Sérgio Fantini e este escriba, entre outros (não pela ordem).