Meu sétimo livro de poemas, Hiatos, dá continuidade ao exercício que venho praticando desde que
entendi as infinitas possibilidades da poesia, na minha interação com o mundo e
comigo mesmo. Eu costumo dizer que a poesia reforça, fortalece e aprofunda
minha experiência de viver. A linguagem poética abre espaço para que as
palavras adquiram uma aura de novos significados, muito além daqueles
registrados nos verbetes dos dicionários, gerando sentidos e emoções muito
particulares para cada leitor, assim como para o próprio autor. Penetrar no
mistério e na magia da poesia, eis o meu grande barato.
Hiatos começou a
surgir no momento de uma experiência pessoal intensa, daquelas que nos fazem
dirigir o olhar para trás e para frente – rompendo os limites de um dia a dia em
que tudo aparentemente se repete – e para nossos interiores – como é descrito
metaforicamente no primeiro poema do livro. Experiências intensas são hiatos em
nosso cotidiano: o mundo para para que elas aconteçam, e depois retoma seu
ritmo.
Assim, a vida, que nada mais é do que um hiato entre o nada
e o nada, também é feita de hiatos. O curso da História tem momentos de
suspense e de vazios. O que há entre a luz e a escuridão, entre um silêncio e
outro, senão hiatos?
Hiatos é lançamento
da Editora Patuá, de São Paulo. E o selo da Patuá tem um sentido da maior
importância. É uma das muitas editoras de pequeno porte do país, mas tem se
destacado pela ousadia, pelos autores e livros que publica e pelos prêmios que
tem recebido, alguns deles de propriedade quase exclusiva das grandes editoras.
A poesia não é uma mercadoria. Produzir poesia para um suposto mercado cultural
é um equívoco. A Patuá não tem essa pretensão, está investindo em literatura
sincera. Por isso não concorre com as grandes – corre por fora. Em seis anos de
trabalho, Eduardo Lacerda e sua pequena equipe já publicaram mais de 500
livros, alguns deles vencedores ou finalistas de prêmios como Portugal Telecom,
Jabuti ou Oceanos. Só tenho que agradecer à Patuá por fazer parte de seu
catálogo.