QUE U2, QUE NADA!


Segundo fim de semana de abril, o clima de São Paulo oscila entre sol, nuvens e ameaça de chuva e os hotéis estão superlotados. Noventa e nove por cento dos turistas que invadiram a cidade neste sábado vão se reunir todos no mesmo lugar. À noite, a banda irlandesa U2 faz um megashow no Morumbi. 
 
Nada contra. Mas o que me levou a São Paulo foi um histórico encontro, visto apenas por algumas centenas de privilegiados, nas belas instalações do Sesc no bairro de Belenzinho. Ali, Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos, músicos brasileiros de enorme prestígio internacional, se reencontraram para reinterpretar o Dança das Cabeças, álbum mitológico que gravaram na segunda metade da década de 70.
Daniel, Nádia, Egberto e Naná
 
Sem tumultos e fácil estacionamento, chegamos na companhia de Daniel e Ana, que nos garantiram antecipadamente os melhores lugares da platéia de 400 lugares: na primeira fila, de frente para o palco, onde Gismonti e Naná, com entendimento perfeito e sua reconhecida capacidade de improviso, extasiaram o público.
 
Não tenho fotos do show para mostrar. Era proibido fotografar e, mesmo que não fosse, seria difícil. A presença daqueles seres iluminados no palco criava um ambiente de tal harmonia que o simples espocar de um flash poderia quebrar. Havia tal equilíbrio entre o silêncio e as delicadas ondas sonoras emitidas pelos músicos que qualquer movimento, qualquer ruído estranho, uma tosse ou um disparador de câmera, poderiam interromper. A memória se encarregaria de gravar aquele acontecimento. Era melhor assim.
Este escriba e Naná
 
Na saída, Egberto e Naná atenderam com simpatia aos pedidos para posar para fotos e autografar discos, CDs e vinis que apareceram aos montes nas mãos de fãs deslumbrados. Dança das Cabeças vem atravessando as décadas com o mesmo encantamento misterioso que lhe valeu dezenas de prêmios ao redor do mundo. A magia sonora de dois gênios. Velhos vinis e CDs que pairam acima do tempo.
 
O show fez parte do Projeto Álbum, do Sesc Belenzinho, que propõe a recriação no palco de álbuns clássicos da música brasileira. Antes de pegar nos instrumentos, Gismonti contou a história do disco, gravado em Oslo, na Noruega, de forma improvisada. Convidado por um estúdio, ele viajava sozinho, mas dois dias antes da data marcada encontrou-se com Naná em Paris e propôs que vivessem juntos a aventura. 
Ana, Egberto e este escriba
 
“Não vai dar pra ensaiar”, respondeu Naná, depois de ouvir de Gismonti o que ele pretendia: “Levar um piano para dentro da mata e ouvir animais, rios, sentir a umidade, ver pântanos e clareiras.” Mais de 30 anos depois, lá estávamos nós, cercados por aquele mundo mágico.

O LINCHAMENTO DE MARIA BETHÂNIA

A semana que começou no Dia Nacional da Poesia, 14 de março, foi marcada por uma tentativa de linchamento, na internet, de uma das mais importantes artistas da música brasileira: Maria Bethânia. A partir da revelação, por um jornal paulista, de que o Ministério da Cultura aprovara um projeto que prevê a gravação de 365 vídeos em que a cantora lê poemas importantes da língua portuguesa, uma horda de gente preconceituosa e mal informada avançou contra ela com paus e pedras.
 
 O projeto O mundo precisa de poesia foi apresentado ao Ministério da Cultura pela Quitanda Produções Artísticas, e previa a captação de R$ 1,79 milhão, por renúncia fiscal, para a produção e veiculação dos vídeos, um por dia, durante um ano. O Ministério aprovou, reduzindo o valor para R$ 1,3 milhão. De acordo com a Lei Rouanet, esse valor poderá ser obtido junto a empresários, que descontarão uma parte dele ao pagar seus impostos de renda. Portanto, o Ministério não deu o dinheiro, apenas autorizou a produtora a solicitá-lo ao empresariado.

 
De acordo com a proposta, os vídeos serão veiculados em um blog na internet, no YouTube e outros espaços, um por dia, durante um ano, e estarão acessíveis para quem quiser vê-los e copiá-los. A seleção dos poemas será feita pela própria Maria Bethânia, que ao longo de uma irrepreensível carreira de mais de quatro décadas tem prestado inestimável serviço não apenas à melhor música brasileira, como também à poesia de língua portuguesa, levando a obra de autores como Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Sophia de Mello Breyner Andresen e inúmeros outros a um público totalmente seduzido pela beleza de suas interpretações.

 
Ao tornar acessíveis, pela internet, 365 poemas de primeira grandeza, Maria Bethânia levará a poesia a um público nem sempre íntimo dessa arte, hoje disponível apenas em livros de circulação restrita. A interpretação de Maria Bethânia resgata a oralidade da poesia, revelando sua beleza a pessoas que nem sempre compreendem os mistérios dessa linguagem. 

 
O episódio merece reflexões profundas. É assustadora a reação das pessoas, entre as quais há até mesmo poetas brasileiros que deveriam ter aplaudido a iniciativa, pois, afinal, como diz o próprio título do projeto, o mundo precisa de poesia, e o Brasil muito mais. Sabemos que o Brasil é um país iletrado, mas pior que isso é nossa vocação para cultuar a ignorância. Entre as manifestações que se reproduziram em redes sociais, blogs e seções de comentários dos jornais, era evidente que a grande maioria dos que protestaram o fizeram pelo simples prazer de protestar, sem ler o projeto, sem saber o que é a Lei Rouanet ou conhecer suas regras, e especialmente por um sadismo pouco disfarçável, alimentado pelo covarde ataque em massa a uma pessoa que obteve prestígio nacional graças a seu talento, coerência e integridade.

 
A obtenção de recursos para produções culturais, via renúncia fiscal, é prática comum e totalmente legítima, prevista em lei. Shows, DVDs, livros, filmes, peças de teatros, CDs são produzidos dessa forma. Pode-se questionar a qualidade dos artistas e vários outros aspectos, mas a aprovação, ou não, do projeto obedece a critérios puramente técnicos, e assim deve ser. 


O mais irônico dessa história é que a maior parte dessas produções não presta qualquer contribuição à cultura brasileira, e nem por isso se organizam protestos contra essa ou aquela. Turnês gigantescas, promovidas por empresas multinacionais, com retorno financeiro garantido, e que nenhuma contrapartida oferecem, são produzidas dessa forma. Há artistas descaradamente comerciais que assim gravam CDs e DVDs, vendidos a preços de mercado. Filmes sem qualquer valor cultural, lançados com estrondosas campanhas de marketing, são patrocinados pela mesma lei. 
 
Qual é o mistério por trás da campanha contra Maria Bethânia? Eu tendo a acreditar, mesmo sem querer, que se a produtora houvesse apresentado um projeto de R$ 2 milhões, ou R$ 5 milhões, apenas para uma turnê de shows de Maria Bethânia, ou gravação de um DVD, não teria havido tal reação. Ninguém protesta contra os milhões obtidos por artistas como Ivete Sangalo, Roberto Carlos, Gilberto Gil, duplas sertanejas ou grupos de axé. O filme Bruna Surfistinha captou R$ 4 milhões da mesma forma. Ninguém protestou. A Lei Rouanet viabiliza a produção de artistas importantes, mas também patrocina o esgoto da cultura brasileira. Tudo sob respeitoso silêncio. Praticamente todos os filmes produzidos no Brasil, alguns vistos por não mais que 3 mil, 5 mil pessoas, obtêm financiamento da mesma maneira. 

 
Duas palavras mágicas desencadearam a onda de protestos contra Bethânia. A primeira é “blog”, um espaço gratuito na internet, onde qualquer um escreve o que quiser. A segunda é “poesia”, uma arte vítima de muitos preconceitos, que para alguns é apenas obra de desocupados (como se a campanha contra Bethânia não fosse também obra de desocupados). As pessoas não entenderam, ou não quiseram entender, que o projeto O mundo precisa de poesia prevê captação de recursos não para a produção de um blog, e sim para a produção de 365 vídeos de nível profissional. E também não se percebe que a Poesia pode prestar grande contribuição para melhorar a qualidade de nossa educação e, em cascata, ajudar a aprimorar nosso senso crítico e nossa capacidade de reflexão. 

 
A onda de protestos encontrou terreno fértil também na irresponsabilidade da imprensa, que adora esse tipo de polêmica, mas é incapaz de analisar a fundo o alcance de um projeto que, ao contrário de quase todos os outros, pode ser uma valiosa ferramenta para as escolas, de todos os níveis, e que levará a melhor poesia de língua portuguesa a um público imensurável. E criará um acervo de grande importância, para agora e para o futuro. Esse desdobramento previsto pelo projeto da Quitanda não existe nas produções meramente comerciais, algumas até mesmo nefastas para nossa cultura, que se multiplicam sob o patrocínio da Lei Rouanet.

 
Maria Bethânia tem uma história irrepreensível e merece respeito. A Poesia também.

[O proprietário deste blog tomou a liberdade de usar a foto de Juan Guerra, da Agência Estado, para ilustrar este texto] 

DIA NACIONAL DA POESIA

Este ano começou bem. Começou no Dia Nacional da Poesia, 14 de março, que desta vez veio colado ao Carnaval, que terminou no dia 13 de março, não na quarta-feira de Cinzas, como exigem os calendários, mas como os foliões preferem. Se no Brasil o ano só começa depois do Carnaval, melhor ainda que o primeiro dia do ano seja o Dia Nacional da Poesia, quando se comemora o aniversário de Castro Alves. 

AMANHECER EM BRASÍLIA

Clique sobre a foto para ampliá-la.
Amanhecer na Asa Norte, em Brasília. Com o fim do horário de verão, é melhor fotografar o por do sol. 

REYNALDO JARDIM ESTÁ VIVO

Reynaldo Jardim e a moça tatuada,
na Bienal de Poesia em 2008


A imagem de Reynaldo Jardim morto não combina com ele. Era o que havia de estranho no velório realizado no Teatro Nacional, em Brasília, na tarde desta quarta-feira, 2 de fevereiro. Reynaldo, genial jornalista, poeta e artista plástico, se é que se pode falar assim de um homem rompedor de limites, no auge da juventude aos 84 anos, foi abatido por um aneurisma. Mas seus amigos e admiradores, artistas de todos os naipes, subverteram sua morte e o declararam vivo.

Reynaldo morreu em Brasília, mas é um personagem da cultura brasileira, imune a fronteiras, espaciais ou temporais. Nos anos 50, criou o Caderno B do Jornal do Brasil, promovendo uma revolução na imprensa que perdurou pelas décadas seguintes. No ano passado, seu livro Sangradas Escrituras ficou em segundo lugar na categoria Poesia do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. A notícia da premiação o enfureceu, por considerar que sua obra merecia apenas o prêmio máximo. Ninguém o contestou.

Nos últimos anos, tive o prazer de ver Reynaldo Jardim em inspiradas performances poéticas, durante vários eventos em Brasília. Ele foi uma das grandes personagens da I Bienal Internacional de Poesia, realizada pela Biblioteca Nacional de Brasília em 2008. A segunda bienal, que deveria acontecer no ano passado, foi adiada para este ano. Homenageado na primeira edição, será novamente homenageado na segunda. E não duvido que ele nos prepare alguma surpresa.

UM CERTO DIA EM DEZEMBRO DE 1980

Um festival de Poesia em Minas, anos 80: estado poético permanente
Lembro-me nitidamente do que fazia no dia 8 de dezembro de 1980, há exatos 30 anos. Recém-formado em Comunicação Social na Universidade Católica de Minas, sobrevivia como jornalista e publicitário free-lancer e estava em lua de mel com Belo Horizonte. Um ano antes eu lançara meu primeiro livro de poemas, Os operários da palavra, e descobrira que livros de poesia de autores novos e desconhecidos não se vendem espontaneamente. Assim, meus fins de semana eram uma mistura de diversão e trabalho: eu enchia uma mochila de livros e saía pelos bares da cidade para mostrá-los a possíveis leitores e, à medida do possível, vendê-los.

O dia 8 de dezembro era uma segunda-feira, o fim de semana havia rendido alguma grana e eu estava mais ou menos folgado. Namorava uma estudante de jornalismo da Universidade Federal, que morava na rua Aimorés, ao lado da Igreja de Lourdes. Havíamos combinado de almoçar juntos no bandejão da Faculdade de Direito, localizada na Praça Afonso Arinos, próxima à casa dela. Por volta de 11 horas da manhã, eu vinha descendo a avenida Augusto de Lima em direção à praça, pensando em minhas próximas aventuras poéticas, quando um jornaleiro saiu da rua Goiás em minha direção.

Na rua Goiás ficava a sede do Estado de Minas, e no final da manhã saía a edição do Diário da Tarde, tendo como principal atrativo os resultados e comentários sobre os jogos de futebol. Mas, naquela segunda-feira, o jornaleiro, esbaforido, bradava uma manchete que nada tinha a ver com o caderno de esportes. “Mataram John Lennon”, gritava, sem se incomodar com o peso dos jornais que carregava.

Como acreditar naquelas palavras impressas em letras garrafais que ocupavam metade da capa do jornal? Paguei ao jornaleiro e me sentei num banco, a alguns metros da porta do restaurante da universidade. O cara que escrevia canções e promovia eventos e performances para pregar a paz – assassinado a tiros?

Eu tinha 24 anos e vivia em estado poético permanente, como costumávamos dizer, eu e o grupo de poetas com quem editava revistas, promovia saraus e tomava de surpresa bares e outros ambientes para declamações surpresa – as guerrilhas poéticas. A maioria dessa turma já publicara um ou vários livros, alguns editados de forma rudimentar, mas com muito amor. A poesia, para nós, era uma arma ao mesmo tempo poderosa e pacífica, e com ela haveríamos de colocar as coisas em seus devidos lugares.

A notícia que o jornal esfregava na minha cara naquele 8 de dezembro desmentia minhas convicções. Não havia como dar um jeito no mundo. Guardo hoje a sensação de que ali, naquele lugar e naquele momento, perdi pela primeira vez a esperança na humanidade.

Talvez não tenha sido de forma definitiva. Tanto que outras vezes perdi a esperança. Mas continuei escrevendo, lendo, ouvindo e vivendo poesia. Talvez John Lennon gostasse de saber disso. Afinal, ele também deve ter perdido a esperança várias vezes, para fazê-la renascer em seguida. Não foi ele que nos conclamou a imaginar um mundo perfeito? A música de Lennon continua ao nosso alcance, diante do edifício Dakota ou na praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte. Dane-se a esperança; a poesia nos salvou a todos.  

VIVA MONTEIRO LOBATO!

Monteiro Lobato foi um dos autores que marcaram minha infância. Eu sonhava em ser como aquelas crianças que frequentavam o Sítio do Picapau Amarelo. Suas histórias me transmitiam um clima de amizade e aventura que me fascinava.

Agora, alguns supostos "educadores" querem me convencer que a obra de Monteiro Lobato é racista. Fico estarrecido. A sensação que guardei das leituras da infância, sobre a relação entre aquelas crianças e a Tia Nastácia, a personagem negra que os tais "educadores" supõem vítima de racismo, é de amor, respeito e amizade. 


Minha geração cresceu lendo Monteiro Lobato. Ninguém se tornou racista por causa disso. 

O "escritor" e "pesquisador" Alberto Mussa defendeu, durante o Fórum das Letras de Ouro Preto, a proibição da obra de Monteiro Lobato nas escolas. O nigeriano Felix Ayoh´Omidire, presente ao Fórum, concordou com ele. Nada sei de um ou outro, mas acho estarrecedor.

Há algumas semanas, a "professora" Nilma Lino Gomes, integrante do Conselho Federal de Educação (CNE), defendeu a mesma proibição em um parecer solicitado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República.

Quem levantou o assunto foi o técnico em Gestão Educacional Antônio Gomes da Costa Neto, da Secretaria de Educação do DF, que faz mestrado em Educação na Universidade de Brasília. De que tipo de educação esse cara entende?

 
O fato é extremamente preocupante. Além da ameaça de atirar um manto de maldição sobre um autor clássico da literatura brasileira, é um sinal de que muito mais vem por aí. Estamos caminhando com passos firmes e ligeiros rumo ao pior obscurantismo.

Esses "escritores", "pesquisadores" e "educadores" sectários deveriam entender que a causa de todo o racismo é a ignorância, e ignorância se combate ensinando literatura de qualidade nas escolas.

Preparem-se. Brevemente vão propor a proibição de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e outros autores clássicos de nossa literatura. É assim que se destrói uma cultura.

BRASÍLIA VOLTA À POESIA


O II Simpósio de Crítica de Poesia, promovido pelo Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília e coordenado pela professora Sylvia Cintrão, traz novamente a poesia para o coração da cidade. Maltratada cidade. Agora vamos falar do que realmente importa. Como disse Mário Quintana, fora da poesia não há salvação.

  O II Simpósio faria parte da II Bienal Internacional de Poesia de Brasília (II BIP). Com o cancelamento desse evento, o Simpósio segue sozinho. Menos mal. O tema geral do Simpósio é Poesia contemporânea: olhares e lugares.

Segunda, terça e quarta-feira próximas (8, 9 e 10), pesquisadores, professores, estudantes, poetas e leitores estarão reunidos no Auditório do Instituto de Biologia da UnB para seis mesas de debate e oito mesas de comunicação, sempre para discutir poesia.

Este escriba participará da mesa Poesia contemporânea: Brasília 50 anos, ao lado de Amneres Santiago, com mediação de Alexandre Pilati. Será na terça-feira, 9, às 15h30. Vamos tentar dirigir nossos olhares para a poesia que se faz no Brasil atualmente e, mais especificamente, em Brasília, em momento extremamente marcante. Afinal, os 50 anos de Brasília, comemorados este ano, em meio a intensa crise política, têm que provocar algum tipo de tremor também na poesia que se faz na cidade.

Essas questões provavelmente serão discutidas também por Nicolas Behr e Luís Turiba, com mediação de Augusto Rodrigues, na mesa anterior, que tem como tema Do local ao global (às 14h).

Outras mesas de debates reunirão Eliana Yunes, Sylvia Cintrão e Julliany Mucury; Rodrigo Garcia Lopes, Antonio Miranda e Sérgio Leo; José Castello, Sérgio de Sá e Maurício Melo Jr. Nas mesas de comunicação, pesquisadores de diversos estados apresentarão trabalhos em sessões abertas.

Na quarta, 10, às 9h30, o poeta Fabrício Carpinejar conversa com o público.

A abertura oficial será na segunda-feira, 8, às 14h. No mesmo dia, às 19h, será apresentado no auditório I do Museu da República (Esplanada dos Ministérios) o espetáculo Brasílias de luz, com o grupo Vivoverso, que presta uma homenagem ao músico e compositor Oswaldo Montenegro, convidado especial do Simpósio, e aos poetas da cidade.

A programação completa do II Simpósio de Poesia e Crítica está aqui

OS CAMINHOS ATÉ LEONARD COHEN

Estrasburgo: uma das mais belas cidades da França

A bordo de um trem TGV francês, vejo passarem pela janela as belas paisagens da Alsácia. Estou a caminho de Estrasburgo, cidade sede do Parlamento Europeu, quase fronteira com a Alemanha. O trem é veloz, o dia está bonito, ligeiramente nublado, mas é impossível evitar uma certa ansiedade.  É manhã de sábado, véspera de realizar um antigo desejo: estar na platéia de um concerto de Leonard Cohen, um personagem quase lendário entre minhas admirações musicais.


Na bagagem, uma camisa de malha preta, em que mandei imprimir a frase “From Brazil to see Leonard Cohen in Strasbourg”, e dois ingressos, comprados quase por impulso, em 11 de fevereiro, pela internet. Naquela noite, soube pelo site “Leonard Cohen Files”, desenvolvido na Finlândia, maior fonte de informações sobre o compositor canadense, que os shows previstos para os primeiros meses deste ano haviam sido adiados para o segundo semestre. Por causa de dores na coluna, Cohen deveria se submeter a seis meses de fisioterapia. O adiamento me soou como um convite. Eu teria tempo de planejar a viagem. Com um simples clique no mouse, garanti meu lugar e tornei próximo um sonho distante.

O ticket: sete meses de espera

Na viagem de duas horas
entre Reims e Estrasburgo, penso em Leonard Cohen, suas histórias e lendas. Nascido em Montreal em 1934, Leonard dedicou-se à poesia desde muito jovem, para desespero de sua família, de origem judaica, que o pretendia um brilhante homem de negócios. Por não obter renda suficiente com os vários livros que publicou, decidiu fazer da música um veículo para seus belos e sensíveis poemas, e assim atingir um público maior. Passo a passo, chegou em 1968 ao primeiro disco, batizado apenas de Songs, ou canções. Tinha 34 anos quando estreou no mercado musical.

Hoje, é um dos últimos grandes ídolos que, surgidos nos anos 60, deram à música jovem um status que jamais tivera. Os Beatles, Bob Dylan, Lou Reed, Pink Floyd, Bob Marley e uma lista significativa de artistas transformaram um divertimento de adolescentes em veículo de reflexão, que propôs novos comportamentos e reinventou o mundo. A diferença entre Leonard Cohen e todos os outros é que Cohen começou apenas como poeta – como se fosse pouco.

Eu havia conhecido Cohen
com enorme atraso, na década de 80, quando um amigo, o jornalista João Alberto Ferreira, me deu um extraordinário presente de aniversário, o vinil I´m your man. A música título é uma de suas obras clássicas, mas o que me pegou pelo coração naquele álbum irretocável foi uma canção construída sobre um poema de Federico Garcia Lorca, Take this waltz, ou Pequena valsa vienense, título do poema original. 

Ao fundo, o Zenith

Com esse álbum,
Cohen começava a confrontar um mundo em desintegração, segundo sua própria leitura, o que se evidenciava na canção First we take Manhattan. O choque total veio no álbum seguinte, The future, em que sentenciava, logo na primeira faixa: “Prepare-se para o futuro, ele é assassino.”  A poesia de Cohen sempre abordou os conflitos humanos e sociais e a inútil busca da salvação, seja pelo amor, pelo sexo ou pelos caminhos religiosos. Mas parecia, com esse disco, ter chegado a um impasse. Logo em seguida, Cohen saiu de cena, e desapareceu por mais de 10 anos.

Desde 1993, Leonard Cohen não se apresentava em público. Passou cinco anos recluso no mosteiro budista de Mont Baldy, nos arredores de Los Angeles. Mas reapareceu em 2001, quando lançou o CD Ten new songs, em parceria com a cantora e compositora Sharon Robinson. Para Cohen, é um álbum de celebração. Talvez a redenção que foi buscar no mosteiro, onde escreveu as letras das canções. 

Doze mil fiéis súditos de Cohen

A turnê mundial iniciada
em 2008 é uma megaprodução, com uma superbanda, formada não apenas por artistas contratados para acompanhá-lo, mas músicos que são, acima de tudo, súditos a serviço de seu mestre. Esse grupo harmonioso tem se apresentado em espaços de alto prestígio, sempre lotados.  O Zenith de Estrasburgo, por fora, parece um ginásio de esportes. Por dentro, é uma casa de espetáculos de alto nível, com uma acústica inimaginável para os padrões brasileiros. Tem precisamente 12.079 lugares. Estava totalmente tomado por pessoas que foram não apenas ouvir Cohen, mas reverenciá-lo. 

Eu e meu amigo inglês

Um público enorme,
mas nenhum sinal de tumulto, nenhuma fila, nenhum estresse. Uma hora antes, os portões estão abertos, as pessoas aos poucos vão tomando o hall que cerca as entradas da platéia. Há alguns bares e quiosques onde são vendidos CDs, livros e camisetas. Minha camisa de brasileiro exótico chama a atenção. Algumas garotas pedem para tirar fotos comigo. Já na platéia, eu e minha esposa, Nádia, explicamos a um grupo de ingleses que Leonard Cohen nunca esteve no Brasil, onde tem um público sofisticado e reverente, mas supostamente pequeno.

O concerto vai começar. Os músicos assumem seus lugares e tocam os primeiros acordes de Dance me to the end of love. Vemos apenas seus perfis, no palco em penumbra. Então, a intensidade da luz aumenta e Cohen entra correndo, com um largo sorriso. Traja um terno bem cortado e o mesmo chapéu que o acompanha nos últimos anos. Está a dois dias de completar 76 anos. Quando sua voz inconfundivelmente grave se projeta e hipnotiza o público, sinto que vivo um momento especial. Aquelas horas vividas ali na platéia do Zenith ficarão congeladas no tempo. 

Cohen, com as Webb Sisters ao fundo: emoção

As canções mais emblemáticas
de Cohen, que tive o privilégio de ouvir como se ele as cantasse para mim, fizeram de seus discos verdadeiras obras primas. Suzanne, Famous blue raincoat, Sisters of mercy, Hallelujah são algumas delas. Bird on the wire é uma espécie de projeto de vida de Leonard. “Como um pássaro no fio, como um bêbado numa cantoria noturna, vou buscando meu jeito de ser livre”, diz a letra. Cohen cita um conhecido verso dos Beatles antes de cantá-la: “Dizem que tudo que precisamos é amor, mas penso que é liberdade”, diz ele. Nessas alturas, já está difícil conter as lágrimas.

Cohen disse certa vez
ao jornalista Mikal Gilmore, da revista Rolling Stone, que encontrou na arte conforto e força – “ao fazer canções, muito da dor da minha vida se dissolvia.” É este Leonard Cohen que vemos ao longo de quase três horas de concerto, cantando de olhos fechados, muitas vezes de joelhos, prestando total reverência a cada palavra com que construiu seus poemas e às belas melodias com que os vestiu. Creio que aqui reside minha maior identificação com Leonard Cohen, a crença de que a poesia é a cura para os males da vida. 


A música a serviço da poesia

Cohen canta em estado de êxtase,
trocando reverências com os músicos, que parecem tão deslumbrados quanto o público. Ao apresentá-los – o produtor musical e baixista Roscoe Beck, o tecladista Neil Larsen, os guitarristas Javier Mas e Bob Metzger, o baterista Rafael Gayol, o saxofonista Dino Soldo e as vocalistas Hattie e Charley, as Webb Sisters – Cohen compõe um poema para cada um. Quando um deles apresenta um solo, Cohen tira o chapéu, segura-o junto ao peito e ouve atentamente.

A maior parte deles trabalha com Cohen há décadas. “Podemos jogar pela janela tudo que sabemos sobre música, porque o importante é interpretar as letras de Leonard”, afirma Metzger, no documentário Songs from the road, recém-lançado. O espírito da turnê é revelado pelo produtor Rob Hallett: “Não estamos tentando vender nada, nem quebrar recordes... apenas promover encontros entre Cohen e seus fãs.”

“Não sei quando voltaremos, mas estejam certos que eu e os músicos damos o melhor de nós”, diz Leonard. Os dois telões, ao lado do palco, mostram closes dele e dos músicos, e todas as canções são legendadas em francês. A música mais aplaudida, The partisan, fala de um personagem da resistência francesa, formada por civis que tentavam sabotar a dominação alemã durante a segunda guerra mundial. 


Leonard Cohen, canções para sempre na memória

Iniciado às 20h20,
o concerto só termina às 23h30. No bis, Cohen canta mais seis canções, até que o público se acalma e cessa de chamá-lo de volta. Uma dessas canções – If it be your will – ele apenas declama, passando a tarefa de cantar para as vocalistas Webb Sisters. Outro momento de emoção. Cohen tira novamente o chapéu e fecha os olhos. No final, entrega a elas um buquê de flores que alguém colocou no palco. Cohen é o mesmo cavalheiro cortês de sempre, agora de cabelos grisalhos e rosto vincado. O tempo passa e o concerto chega ao fim, mas as canções permanecem no ouvido, no cérebro, no coração. Dou uma última olhada para o palco, já vazio, antes de sair. Eu sei que, sempre que ouvir de novo aquelas canções, estarei de volta a Estrasburgo. 


Esta crônica foi publicada no Correio Braziliense, Caderno Pensar, em 23/10/2010

BIBLIOTECA PROMOVE A PRÉ-BIENAL

O poeta Antonio Miranda, diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, não desistiu de promover a II Bienal Internacional de Poesia (II BIP),embora a tenha cancelado por insuficiência de patrocínio. Programada para setembro passado, será realizada em 2011, garante Miranda. Vamos acreditar.

Nesta quinta, 14, e sexta, 15, dois eventos fazem o lançamento público da II Bienal. Chamados de Pré-Bienal, é um "ato de afirmação da poesia", segundo o poeta, reúnem no auditório da Biblioteca poetas nacionais e de países hispano-americanos, além dos cantores Zeca Baleiro e Célia Porto. Célia canta em homenagem a Renato Russo, nesta quinta. Na sexta, Zeca Baleiro lança discos e livro.

O poeta brasiliense Jarbas Junior, o uruguaio Roberto Bianchi, a argentina Maria Casiraghi e a nicaragüense Milagros Terán participam dos dois eventos. O grupo OiPoema, formado por Amneres, Angélica Torres, Bic Prado, Cristiane Sobral, Luis Turiba e Nicolas Behr, encerra o primeiro dia de atividades com o lançamento da Coleção OiPoema.

Na sexta, recital com o poeta brasiliense Sids Oliveira e com a argentina Ana Guillot, além de lançamento do livro Poesia em tránsito: Antologia de poetas argentinos y brasilenõs contemporâneos, edição bilíngue português/espanhol, que inclui os brasilienses Anderson Braga Horta, Isolda Marinho, Antonio Miranda e  Salomão Sousa.

Tudo a partir das 19h. Força a Miranda e à Bienal de Poesia, ainda que ela se transforme em trienal!

A FEIRA DO LIVRO E OS ESCRITORES

 A Feira do Livro de Brasília acontece este ano no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. Começa nesta sexta-feira, 8. Finalmente a retiraram do shopping Pátio Brasil, o que é uma grande evolução. No entanto, a Câmara do Livro do DF segue cometendo seus equívocos e pouco fazendo para aproximar o público brasiliense da leitura e, mais importante, de seus escritores.

Na página da feira na internet, o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho, publica um artigo sobre as virtudes do livro. Será que ele se lembra do desprezo demonstrado pelo governo do DF pela Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que teve que ser cancelada este ano? Aliás, se o governo local tivesse algum apreço pelos livros, a Biblioteca Nacional de Brasília já estaria consolidada há muito tempo.

Mas os escritores de Brasília seguem em frente. Este ano, cinco deles - Reynaldo Jardim, Sérgio Maggio, José Rezende Jr, Anderson Braga Horta e Graça Ramos - foram finalistas do Prêmio Jabuti, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), e os três primeiros, premiados. O poeta Ronaldo Costa Fernandes recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio de melhor livro de poesia do ano com A máquina das mãos.  No entanto, não vi o nome de nenhum desses autores na programação da Feira do Livro de Brasília, nem para uma palestra, um bate-papo com os leitores ou um lançamento. Assim é difícil.

Para completar, os potenciais visitantes da Feira não parecem muito preocupados com livros ou leitura. Quase todos os internautas que inseriram comentários no site da Feira do Livro estão preocupados com shows de música que, depois de anunciados, foram cancelados. Ninguém pergunta, por exemplo, por que o poeta Ferreira Gullar, que este ano completou 80 anos, lançou um novo livro e foi homenageado em vários cantos do país, não foi convidado para comparecer.

E depois querem fazer de Brasília a capital da leitura... 

CENÁRIO BRASILEIRO

 Vinte dias fora de Brasília, e retornamos com a primeira chuva. A cidade nos recebe sem a luminosidade dos ipês, mas os gramados ainda guardam o tom pastel que mais de 120 dias de seca impuseram como marca da paisagem.

Brasília está coalhada de lixo, forrada de farrapos de papel, restos de uma campanha eleitoral medíocre. Há quem diga que não é sujeira, é democracia; como se a democracia não fosse feita de propostas concretas para levar uma sociedade à evolução, como se a democracia se restringisse a papeizinhos impressos com sorrisos falsos.

Neste sábado, a primeira chuva, o cansaço, uma última tentativa de isolamento de uma realidade deprimente. O senso crítico apurado por anos de jornalismo leva-me a rejeitar notícias. No domingo, o voto obrigatório. As opções que me apresentam não correspondem a meus sonhos de democracia.

No Distrito Federal, o candidato do partido do governo tem ligeira vantagem sobre uma desconhecida. Surpreendo-me. Mas é a esposa do candidato, e não o candidato... Ameaçado de ter sua candidatura cassada, renuncia e inscreve a própria mulher em seu lugar. O tribunal aceita.

Nas eleições para a presidência da República, uma outra desconhecida lidera. É a máscara de um presidente que não pode disputar o terceiro mandato. O outro candidato parece envergonhado, não defende as ideias e realizações do próprio partido. E há outra mulher tentando se eleger. Não corta os cabelos porque a religião não lhe permite, mas acredita ser capaz de dirigir um país.

No domingo, a chuva que fingiu chegar vai-se embora. Visto meu traje de votar e dirijo-me às modernas urnas eletrônicas que não me permitem escrever mensagens na cédula. Mas basta teclar o número zero e confirmar para anular meu voto. Mais simples que eleger um canalha.

BONS TEMPOS AQUELES

Trabalhei na sucursal de Brasília do Jornal do Brasil entre 1985 e 1988, e considero esse período a mais importante experiência da minha vida profissional. O JB, apesar da fama de empresa eternamente endividada, era um dos quatro grandes da imprensa nacional, e na opinião da maioria dos jornalistas, o melhor de todos. Ali estava o jornalismo mais criativo, o melhor texto, as reportagens mais originais.

Hoje, 31 de agosto de 2010, circula pela última vez a edição impressa do Jornal do Brasil, fundado há 119 anos e mergulhado numa dívida de R$ 800 milhões. As últimas edições tiveram tiragem de 30 mil exemplares, segundo o próprio jornal, que, nos anos 60, chegou a tirar 230 mil exemplares aos domingos. A partir de agora, o JB será lido apenas na internet, em "nova e melhor fase", anunciada por um editorial que enaltece o "primeiro jornal 100% digital"...

Em meados dos anos 80, quando a redação brasiliense tinha uns 30 jornalistas, os grandes jornais brasileiros adotavam a impressão offset, com fotos a cores e importantes mudanças gráficas. Só o JB, primo pobre, continuava com o anacrônico sistema leterpress, pouco mais evoluído que a tipografia. As fotos, sempre em preto-e-branco, tinham baixa nitidez, o que não tolhia o talento dos fotógrafos.

Ricardo Noblat era o editor executivo da sucursal, dirigida por Luiz Orlando Carneiro. O braço direito de Noblat era João Santana, um talentoso ex-poeta, que no passado era conhecido como Patinhas e escrevia belas letras para as canções da banda baiana Bendegó. Hoje ele abandonou também o jornalismo e transformou-se em vendedor de ilusões... Que evolução!

O lendário colunista político Carlos Castelo Branco publicava todos os dias na página dois, e eventualmente aparecia na redação para entregar sua coluna datilografada. Luiz Orlando raramente saía de sua sala, afastada da redação, mas de vez em quando aparecia para um comentário interessante, um papo rápido com os repórteres presentes. Além de jornalista, Luiz Orlando é um dos maiores especialistas brasileiros em jazz, essa forma elevada de música, e desenhista diletante. Dois de seus desenhos a crayon, de temática jazzística, decoram uma parede de meu apartamento.

"Jornalista trabalha melhor sob tensão", ensinava Noblat, que atribuía a si essa nobre missão - estressar os repórteres. Contam as lendas da época que todos os jornalistas da redação mantinham agenda semanal com a mesma psicanalista. Ao chegar um novato, ela advertia: "Fale-me de sua mãe, porque do Noblat eu já sei tudo."

Bons tempos aqueles. Acho que estou ficando velho. Não há mais JB nas bancas e tenho cada vez mais histórias para contar. 

INCLUSÃO CULTURAL

O escritor e jornalista Wilson Rossato teve a idéia de escrever o livro O sonho de Fernão - Uma aventura com Fernão Dias Paes ao descobrir que é descendente do bandeirante. Com essa obra, voltada para o público infanto-juvenil, Rossato dá prosseguimento a um interessante projeto, o de contribuir para a inclusão cultural de jovens carentes. Ao vender o exemplar ao preço simbólico de R$ 1,00, ele permite que os estudantes das escolas que visita adquiram o livro, e estimula a leitura ao conversar com eles sobre seu trabalho. Para os leitores tradicionais, Rossato lança o livro na próxima quinta-feira, 26, a partir das 19h, no Açougue Cultural T-Bone (312 norte). A eles o livro também é vendido a R$ 1,00, mas Rossato sugere que quem puder pague um pouco mais, levando apenas um exemplar, contribuindo, assim, para a distribuição de mais volumes. O projeto de inclusão cultural promovido por Rossato começou em 2008, com o livro O DJ e as armas proibidas. Total apoio ao Wilson. 
 

A REINVENÇÃO DO ESCRITOR

Jornalista e crítico literário, Sérgio de Sá lança nesta terça-feira, 24, no Restaurante Carpe Diem (104 sul), A reinvenção do escritor: literatura e mass media. O livro, publicado pela Editora da UFMG, analisa as conexões entre a vida literária latino-americana e seu contexto histórico e social, e questiona o papel da literatura e do escritor no mundo urbano. Sérgio de Sá tem tido importante participação no movimento literário de Brasília.

MARCELO SAHEA EM BRASÍLIA

O poeta Marcelo Sahea volta a Brasília para apresentar sua performance poética intermídia e lançar seu novo livro, Nada a dizer - além, é claro, de rever os velhos amigos e incorporar os novos.

Vamos encontrá-lo na Galeria Objeto Encontrado (102 Norte, Bloco B, Loja 56, Asa Norte), a partir das 19h, na próxima terça-feira, 24.

Sahea é diretor de arte, além de artista visual e sonoro, e participou de exposições coletivas como a Obranome II, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio, no ano passado, e na I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, em 2008. No mesmo ano fez uma individual na Mostra Sesc de Artes, em São Paulo.

Artista inquieto e criativo, Sahea tem investido em performances poéticas que reúnem palavras a sonoridades diversas. Em seus livros, utilizando conhecimentos de artes gráficas e as possibilidades ilimitadas da informática, ele desenvolve um trabalho absolutamente pessoal. Será uma bela experiência comparecer e ver o que ele nos reserva.
 

DESENVOLVIMENTISMO DESTRUIDOR


Esta foto, feita por Wilson Pedrosa e publicada no jornal O Estado de S. Paulo desta quinta-feira, 19, ilustra com perfeição o tipo de desenvolvimento proposto pelo bando de Dilma Rousseff e seu partido e que a mim, como eleitor, não interessa. Ela mostra o avanço da Ferrovia Transnordestina, como um tanque de guerra, sobre a histórica igreja de São Luiz Gonzaga, no povoado de Fazendinha, sertão de Moxotó, Pernambuco.
 
A igreja, de acordo com reportagem de Leonêncio Nossa, é um raro símbolo do Brasil Colônia, encravado na caatinga desde o século 18. Antes de chegar às proximidades da igrejinha, as máquinas sedentas do desenvolvimentismo a todo custo passaram por cima de velhas baraúnas, também cultuadas pelas cerca de 200 famílias descendentes de africanos e portugueses, que vivem no local.

Há um livro que conta a história do povoado e da igreja, e cita os ancestrais dos nativos enterrados dentro da igreja, alguns deles personagens históricos. Uma equipe de arqueólogos contratados pela Odebrecht já andou revirando as ossadas.

Muitos dos nativos vivem da bolsa-família, mas todos sabem do óbvio: a ferrovia passará pelo povoado como um bólido, sem deixar qualquer benefício. Os políticos locais estão em cima do muro, preocupados apenas com votos a ganhar ou a perder. E a ferrovia, que poderia muito bem fazer uma volta ao redor do sítio histórico, aguarda apenas a destruição de mais um de nossos bens culturais para seguir em frente.


[Foto: Wilson Pedrosa, Agência Estado]

NOVOS POEMAS DE ANDERSON HORTA

  O poeta Anderson Braga Horta (à esquerda, na foto) lançou em Brasília, na última quarta-feira, 4, seu livro Signo - Antologia Metapoética. No livro, o poeta conta um pouco da história da poesia por meio de seus próprios poemas, criados ao longo de décadas e fiéis a diferentes estilos e vanguardas. O livro foi publicado pela Thesaurus Editora, de Brasília, e lançado no restaurante Carpe Diem. 

 Mineiro de Carangola, Anderson Braga Horta vive desde 1960 em Brasília, e sua presença enriquece o meio literário da cidade. Não apenas pelo grande poeta que é, como também pela amizade e prestatividade. Quando publiquei o livro Poemas por amor, reunindo versos dedicados a minha companheira, Nádia (a meu lado na foto), Anderson escreveu um belo texto de apresentação, publicado na contracapa, em que ficava evidente sua sensibilidade de leitor. 

Na primeira foto, aparece também o tradutor e poeta Jeronymo Rivera (à direita).