Literatura no PNC

O Ministério da Cultura promove nesta terça-feira, 5/12, em Brasília, uma Oficina sobre Produção Literária, com a finalidade de levantar subsídios para a redação do Plano Nacional de Cultura. Esse documento pretende traçar as linhas gerais de uma política cultural para o Brasil. De acordo com informações oficiais, a criação literária deve ser pensada como parte das políticas públicas de estímulo à leitura, acesso ao livro e promoção da literatura brasileira dentro e fora do País.

Escritores como Ademir Assunção e Cláudio Daniel levantaram essa discussão há dois anos, propondo o movimento Literatura Urgente e lançando um manifesto, apoiado por grande número de escritores, em que se reivindicava uma política pública para a Literatura, e não apenas para o livro. Há uma grande diferença.

Para a reunião desta terça, algumas questões foram colocadas. O Estado tem algum papel a desempenhar no estímulo à criação literária? Programas de apoio ou subsídio seriam favoráveis à atividade do escritor? Nesse caso, como fica a independência? Quais as alternativas para o estímulo à criação literária no Brasil? Como seria um programa público com esse fim?

Há muito o que discutir, e é ótimo que esse debate seja proposto. Para esse primeiro encontro, foram convidados os escritores Augusto Massi, Fábio Weintraub, José Almino, Guiomar de Grammont, Paulo Bentancur; o historiador e crítico literário Francisco Foot Hardman, e a consultora cultural Gina Guelman Gomes Machado. Também participa meu amigo Sérgio Fantini, poeta e ficcionista, um dos integrantes do Literatura Urgente.

Sempre defendi que o maior estímulo à criação literária é uma política consistente de formação de leitores, com a necessária multiplicação de bibliotecas bem administradas, renovadas e acessíveis à população. Existem iniciativas incipientes nesse sentido. Mas a ação do Ministério revela ao menos uma intenção de incluir a Literatura entre as atividades reconhecidamente importantes para o enriquecimento cultural do País, assim como a música e o cinema. Espera-se que os escritores brasileiros estejam atentos e contribuam para essa discussão.
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