O vácuo



Brasília ganhou neste último mês de 2006 o Complexo Cultural da República, conjunto arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer no Eixo Monumental de Brasília. Foi aberto ao público a 16 de dezembro. Poderia ser uma das grandes notícias do ano, se não fosse um pequeno detalhe: o Complexo, formado por um Museu e uma Biblioteca, ambos monumentais, estão vazios. Ocos. Cheios de vácuo. O prédio da Biblioteca, com espaço para abrigar 500 mil volumes impressos, não tem um único livro sequer.

O Complexo ocupa 91,8 mil mestros quadrados, custou R$ 110 milhões e foi construído em quatro anos. Faz parte do projeto original de Brasilia, e fica próximo à Catedral e ao Teatro Nacional, dois cartões postais conhecidos no mundo inteiro. Bem ao seu estilo, o ex-governador Joaquim Roriz, recém-eleito senador pelo DF, construiu o Conjunto indiferente aos custos, da mesma forma como levantou quase 30 viadutos e pontes nos dois últimos mandatos. No entanto, em momento algum trocou idéias com sua equipe sobre o acervo dos dois edifícios - de onde viriam as coleções, as obras, os livros, como seria administrado.

Roriz já deixou o governo. Ficaram como herança dois belíssimos prédios, à altura dos demais monumentos da principal via de Brasília. Mas ficou, também a incômoda sensação de que vivemos num país de fachada, de aparências, sem grandeza, que não consegue compreender as suas reais necessidades de educação, de formação cultural, de compreensão do mundo e da humanidade.
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