O ÚLTIMO SHOW DE ZÉ RODRIX
A TV Brasil, conhecida por aí como "a TV do Lula", apresentou ontem, quarta-feira, 27, no programa Cena Musical, o que teria sido o último show gravado pelo músico Zé Rodrix, que morreu no dia 22. Ao lado de seus parceiros Sá e Guarabyra, Rodrix interpretou os eternos sucessos do trio, agora que está para ser lançado um novo CD de canções inéditas do grupo. O show gravado pela emissora incluía trechos de entrevistas dos músicos. Foi emocionante. O ponto fraco do programa é a péssima qualidade sonora da TV Brasil. Parece que o dinheiro público investido no equipamento da emissora foi insuficiente... Ou será que uma parte dos recursos tomou outros destinos?
ZÉ RODRIX ERA UM GRANDE CARA

Nessa época, Elis Regina gravou Casa no Campo, de Zé Rodrix e Tavito. Irônico, criativo, lírico, sarcástico, Zé Rodrix sabia captar em sua poesia o lado inusitado das coisas banais, ou revelar o ridículo das coisas sérias. Mas também abordava com lirismo alguns temas universais.
Depois Zé Rodrix se afastou do trio e eu continuei seguidor de Sá e Guarabyra. Até que em 2001 Zé Rodrix voltou a se unir ao grupo. Eles gravaram um CD, Outra vez na estrada, cheia de canções memoráveis e novas canções surpreendentes - entre elas, uma de suas obras-primas, Jesus numa moto.
Em janeiro, fizeram em Brasília um show de pré-lançamento do CD novo, Amanhã, que misteriosamente ainda não chegou às lojas. Cantaram todas as músicas do novo disco e estavam num astral ótimo, entrando numa nova fase da carreira, num daqueles recomeços que dão toda energia ao impulso criativo.
O Brasil perdeu um grande cara, criativo, e nossa música ficou mais pobre. Espero que Sá e Guarabyra, que voltarão a ser dupla por força da fatalidade, não se abalem e sigam em frente.
BRASÍLIA, O LIXO E OS TURISTAS
Cento e sessenta toneladas de lixo, segundo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU); 21 esfaqueados, sendo um morto, segundo a Polícia Militar; presença de mais de um milhão de pessoas, segundo o Governo do Distrito Federal, que despendeu R$ 10 milhões para transformar a Esplanada dos Ministérios, área nobre de Brasília, numa gigantesca muvuca. Não dá para entender o sentido de uma bagunça desse porte. O governo local está empenhado em atrair turistas para Brasília, uma cidade tombada pela Unesco como patrimônio da humanidade graças à beleza e leveza de sua arquitetura. Será que turistas do Brasil e do mundo vêm a Brasília em função dessa festa?
LÁ SE FOI UM AMIGO
Na foto que ilustra esta postagem, Kido, à esquerda, me apresenta algumas cervejas belgas, entre elas a irresistível Westmalle, feita por monges trapistas. Estávamos em Louvain-la-Neuve, Bélgica, onde ele viveu de 1993 a 1996 e me recebeu durante dois dias no pequeno apartamento em que morava com a esposa, Tânia. Nessa ocasião, Kido me apresentou algumas canções que havia composto sobre poemas que lhe cedi quando ele deixou o Brasil.
Na volta, no fim de 1996, Kido mergulhou em atividades profissionais e me informou que música, a partir de então, seria só para relaxar. Lamentei a decisão, pois Kido tinha talento, que demonstrou nos anos heróicos de Brasília - quando a cidade era um deserto decorado por um prédio aqui, outro ali - e depois, já repórter do Jornal do Brasil, quando uma vez por semana se apresentava num bar da Asa Norte ao lado de Ney Flávio Meirelles.
De Louvain-la-Neuve eu trouxe um presente precioso, que guardei com carinho - uma gravação em fita cassete, voz e violão, de nossas incipientes parcerias. Kido era uma pessoa generosa e eu o considerava um amigo. Soube com dois dias de atraso que ele não estava mais entre nós. Este texto é uma tentativa de prestar-lhe uma homenagem, aquela inútil homenagem que nos sentimos tentados a fazer, como se pudéssemos operar algum milagre.
OS 49 ANOS DE BRASÍLIA [4]

Destaques: Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional (sábado, 18h), Liga Tripa (foto - sábado, 19h), Mapati (domingo, 10h), Bumba meu boi do Seu Teodoro (domingo, 13h), Brazilian Blues Band (domingo, 19h40), Móveis Coloniais de Acaju (domingo, 21h) e Plebe Rude (domingo, 22h).
Apesar dos bons nomes reunidos, faltou ao GDF inspiração para uma programação realmente criativa, com ocupação de diferentes espaços e eventos artísticos mais diversificados.
OS 49 ANOS DE BRASÍLIA [3]

Os grandes pensadores do governo do DF acreditam que sim. Acham que pagar R$ 500 mil para a decadente "artista" fingir que canta seu playbacks no alto de um palco na Esplanada vai encher Brasília de turistas.
A multidão que deverá comparecer aos gramados (e enchê-los de lixo, mijo e merda) não é formada por turistas. É formada por moradores das várias cidades que compõem o Distrito Federal e seu entorno. São pessoas que buscam lazer barato. São pessoas que não têm opção de lazer, entretenimento e cultura, a não ser a tediosa televisão.
O governo do DF não tem política cultural. Não investe em bibliotecas, centros culturais. Não incentiva o aparecimento de artistas entre a juventude da periferia. Não mantém uma política de formação de música, de artes plásticas, teatro. Não investe em política de incentivo à leitura. Não compreende que a arte é o melhor remédio para combater a ociosidade, a droga e o crime.
É por isso que a Esplanada ficará lotada para ver Xuxa e os bregas que comemorarão os 49 anos de Brasília.
Apoiar a cultura não é necessariamente lotar o palco com artistas que moram na cidade, embora muitos deles mereçam uma chance de se apresentar a seu público.
Apoiar a cultura é estimular as atividades culturais entre a população, para que todas as pessoas entendam que a vida é muito mais que lutar o dia inteiro pela sobrevivência e à noite amortecer diante das novelas da Globo (ou mediocridades que tais).
OS 49 ANOS DE BRASÍLIA [2]

Os festejos deste ano terão, além de Xuxa e Cláudia Leite, duplas breganejas e algumas outras bobagens, como demonstração de motocross (será que vão sacrificar os gramados?) e cavalhada. Toda a programação é pensada pela Brasiliatur, empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Turismo. A Brasiliatur está sendo investigada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas.
A Secretaria de Cultura não participa porque a Secretaria de Cultura não existe. Há algum tempo, o virtual secretário, Silvestre Gorgulho, declarou que a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional é uma das melhores orquestras do mundo. Então por que não dão a oportunidade ao povo de Brasília de ouvir sua orquestra, ao ar livre?
No ano passado, Brasília foi eleita a Capital Latino-Americana da Cultura. Eleita é modo de dizer. O governo local comprou o título, para divulgar o nome da cidade e atrair turistas. O governo não sabe que turistas, especialmente internacionais, não são burros.
O que aconteceu nesse ano em que Brasília foi a Capital Latino-Americana da Cultura? O único evento digno de nota foi a Bienal Internacional de Poesia, que aconteceu graças aos esforços do diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, Antonio Miranda, ao apoio de algumas embaixadas e à parceria com órgãos federais. A Bienal de Poesia aconteceu apesar do governo do DF, e não graças ao governo do DF.
O que seria necessário para atrair turistas, o governo local continua não fazendo. Manutenção permanente de nossos monumentos. Transporte público decente, pontual, seguro e com informação de percursos. Sinalização abundante. Abertura de monumentos e palácios para visitação. Melhora dos acervos de museus e galerias, hoje abandonados. Preparo e educação de funcionários. E colaboração da iniciativa privada. Afinal, o atendimento em estabelecimentos comerciais, de todas as espécies, de butiques a restaurantes, é disparado o pior do Brasil.
OS 49 ANOS DE BRASÍLIA [1]

Este é o "grande evento" programado para as comemorações de aniversário de Brasília. A platéia também ouvirá Cláudia Leite, brega da axé music. A moça receberá R$ 450 mil, e assim já se vão R$ 950 mil da festa dos 49 anos.
Gente idiota é o que mais existe no mundo e, em particular, no Brasil e, mais especificamente ainda, em Brasília - assim parece pensar o Governo do Distrito Federal. Nesse aspecto, não deixará de ter razão, se conseguir o que pretende - reunir 1 milhão e meio de pessoas para ver as grandes atrações da festa.
Os mentores dessa aberração comemorativa são o governador José Roberto Arruda e o vice Paulo Octávio.
O presidente da Brasiliatur, empresa do governo vinculada à Secretaria de Turismo, Rôney Nemer, deixou o cargo na semana passada, às vésperas do aniversário da cidade. Há rumores de que ele se recusou a pagar metade do cachê de R$ 800 mil para o obscuro "cantor" baiano Edu Casanova para divulgar Brasília em Salvador (essa é outra aberração de que falarei depois).
No dia 8 de abril, quarta-feira, Nemer participou da divulgação da programação dos eventos comemorativos dos 49 anos. Demissionário ou não, ele é tão cara-de-pau quanto Paulo Octávio, que acumula o cargo de secretário de Desenvolvimento e Turismo. Tanto que exibiram sorrisos amarelos para contar a glória de gastar quase R$ 1 milhão com Xuxa e Cláudia Leite.
E a Secretaria de Cultura, como fica nessa história?
É uma ilusão de ótica. Seu titular, Silvestre Gorgulho, não é da área, nada entende de cultura, e não passa de um fantoche da área de turismo do GDF. A política cultural do governo Arruda simplesmente não existe, mas o Silvestre circula com orgulho em quase todos os eventos que o pessoal do turismo inventa para fins culturais. Como bom carneirinho, ele balança a cabeça.
Veja aqui.
ADEUS, CALIANDRAS!!

Em desabafo poético, o ator e escritor Adeilton Lima apresenta dois lados de Brasília: o romântico, que se esconde no passado, e o real, que parece apontar para o futuro... Com a publicação deste texto, este blog faz uma homenagem ao amigo Adeilton Lima e dá uma cutucada comemorativa nos 49 anos de Brasília, na esperança (?) de que os 50 anos nos reservem uma comemoração mais digna.Velhos tempos os de Eduardo e Mônica, personagens da canção de Renato Russo. Eles iam ao Parque da Cidade passear, à Cultura Inglesa ver um filme, à Escola Parque assistir a uma peça de teatro, e também ao Teatro Galpão, não perdiam o Concerto Cabeças, etc. Tempos em que podiam jogar uma conversa fora embaixo do bloco onde moravam; ou mesmo, sem qualquer preocupação, pegar um ‘busão’ e se mandar para Taguatinga para acompanhar a programação do Teatro Rola Pedra.
O romantismo acabou. A cidade cresceu, ou melhor (pior), inchou. Foram tantas as doses de botox político nos currais eleitorais do Centro-Oeste, que hoje quase não se reconhece mais o velho Distrito Federal doutros tempos, agora obeso, maltrapilho e jogado na sarjeta. De tempos em tempos, alguém se lembra de lhe dar um prato de sopa, sob o viaduto fedorento, frio e desnudo da miséria, das drogas e da violência.
Vive-se hoje em Brasília, e no Distrito Federal como um todo, na base da paranóia coletiva, com o medo constante da própria sombra, e cada vez mais as pessoas se vendo trancafiadas atrás de grades, alarmes e câmeras de segurança, etc. Isso, para os que têm dinheiro, porque quanto ao pobre, ele continua sofrendo discriminações e estupros no bolso, na carne e na alma. Se de um lado, o trabalhador é assaltado pelo político, por outro, levam-lhe as parcas economias numa esquina qualquer da cidade que não tinha esquinas...
Investir em cultura e educação ninguém quer, não dá voto, não dá lucro. Preferem inaugurar postos policiais de fachada para “combater a violência”. Tudo tão medíocre e hipócrita quanto o choro de Joaquim Roriz ou de José Roberto Arruda na tribuna do Senado.
Brasília está tão descaracterizada que Eduardo e Mônica soam distantes e amarelados na memória, como o gramado nos tempos da seca. A cidade está secando moral, cultural e politicamente. O bom gosto, a irreverência e o rock se foram.
Imperam agora a violência, os playboys e o axé music.
Adeus, caliandras!
Adeilton Lima mantém o blog Transe Teatro.
FORA DO AR
Este blog ficou inacessível desde o sábado, 28 de março, até ontem, 31, terça-feira, devido a problemas técnicos nos servidores. A interrupção reduziu a quase zero a visitação, que vinha crescendo diariamente há alguns meses. Peço desculpas aos internautas e convido para novas visitas, agora que o problema está sanado.
LEMBRANDO CECÉU

Angélica Torres, Ariosto Teixeira, Ana Ramiro, Carla Andrade, Fernando Marques e Ivan Sérgio, sob a coordenação deste escriba que lhes escreve, ocuparão o palco do Palavra Solta para uma apresentação de cerca de uma hora. O projeto Palavra Solta dá continuidade aos saraus do Poemação, evento realizado dentro da programação da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, em setembro do ano passado, que levou muita gente a bares e cafés da cidade.
O Palavra Solta começa às 21h. O Café Martinica fica na Comercial da 303 Norte, bloco A. Apareçam por lá. A poesia falada é um ótimo programa de sexta-feira.
PROGRAMA LEITURAS

Quem se interessar, ainda tem duas chances, no próximo sábado, 14, para ver o programa - às 9h30 e às 20h. E é bom lembrar que a 14 de março se comemora o Dia Nacional da Poesia. Agradeço a atenção de quem assistiu a entrevista e aos que a comentaram. Vai também um agradecimento especial a Maurício Melo Júnior e à equipe de produção do programa pelo espaço que me deram.
POESIA NA TV SENADO

CIRCO NO GIRAPEMBA

CASTRO ALVES NO CAFÉ

Castro Alves será o poeta homenageado no II Palavra Solta, encontro poético que acontece mensalmente no Café Martinica, na 303 Norte, em Brasília. O evento será realizado a 13 de março, véspera do Dia Nacional da Poesia.
Para esta edição, Angélica Torres, Ariosto Teixeira, Carla Andrade, Fernando Marques, Ivan Sérgio, Paulo José Cunha e este que lhes escreve farão leituras de poemas autorais e também de Castro Alves. A eles se juntará um poeta convidado, cujo nome ainda não está definido.
O I Palavra Solta, que aconteceu no dia 23 de janeiro, teve ótima recepção do público. O homenageado foi Manuel Bandeira. Em fevereiro, excepcionalmente o evento não será realizado, devido aos feriados de Carnaval.
Para esta edição, Angélica Torres, Ariosto Teixeira, Carla Andrade, Fernando Marques, Ivan Sérgio, Paulo José Cunha e este que lhes escreve farão leituras de poemas autorais e também de Castro Alves. A eles se juntará um poeta convidado, cujo nome ainda não está definido.
O I Palavra Solta, que aconteceu no dia 23 de janeiro, teve ótima recepção do público. O homenageado foi Manuel Bandeira. Em fevereiro, excepcionalmente o evento não será realizado, devido aos feriados de Carnaval.
FLIPIRI

A Flipiri é uma idéia da empresária Íris Borges, ex-presidente da Câmara do Livro do Distrito Federal. A festa deste ano é modesta, mais voltada para o público local que para os turistas. Mesmo assim, estão previstas 84 atividades ligadas à literatura, com a participação de 17 escritores, a maioria de Brasília (João Bosco Bonfim, Lucília Garcez, Rosângela Rocha, Alexandre Lobão, entre outros).
Com certeza, a Flipiri vai pegar. E teremos uma razão a mais para viajar a Pirenópolis.
OS SUBTERRÂNEOS DA PRAÇA

Apesar de Oscar Niemeyer ter desistido de impor a Brasília a sua Praça da Soberania (veja postagem anterior), "ao menos provisoriamente", a população da cidade precisa refletir sobre esse episódio e lembrar-se de algumas coisas.
DESTRUIÇÃO CIVIL
O governador José Roberto Arruda governa em nome das grandes construtoras, que vêem em Brasília uma mina de ouro e não estão preocupadas com a qualidade de vida da população. Seu governo planeja a construção de grande número de setores habitacionais, uma verdadeira invasão de áreas verdes e de mananciais. Os monumentos também satisfazem a fome das construtoras.
O SONHO DA ESTÁTUA
A idéia da praça nasceu de uma sugestão do presidente Lula, que deseja a construção, em Brasília, de um local “para abrigar a memória da República brasileira”. Esse local estava previsto no projeto de Niemeyer. “Um prédio baixo, em curvas e pilotis, dedicado à memória dos presidentes da República”, descreveu o arquiteto, segundo matéria do Correio Braziliense de 10 de janeiro. Lula, o messias, pretende virar estátua.
PROPRIEDADE PRIVADA
Oscar Niemeyer, que se diz comunista, é aliado de todos os poderosos que passam pelos palácios do Planalto ou do Buriti. Aos 101 anos, do alto de seu escritório que dá frente para o mar de Copacabana, ele se considera legítimo proprietário de Brasília, mais do que as pessoas que vivem e padecem dos problemas urbanos na capital federal.
REJEIÇÃO AO PROJETO
A desistência foi anunciada em manchete pelo Correio Braziliense, na edição de 4 de fevereiro.Uma enquete realizada pelo jornal, com 4.066 internautas, indicou a rejeição da proposta por 75,87% dos votantes.
Se a população de Brasília não estiver mobilizada, é possível que Lula, Arruda e Niemeyer estejam apenas aguardando a hora certa de nos enfiar essa aberração pela goela abaixo.
DESTRUIÇÃO CIVIL
O governador José Roberto Arruda governa em nome das grandes construtoras, que vêem em Brasília uma mina de ouro e não estão preocupadas com a qualidade de vida da população. Seu governo planeja a construção de grande número de setores habitacionais, uma verdadeira invasão de áreas verdes e de mananciais. Os monumentos também satisfazem a fome das construtoras.
O SONHO DA ESTÁTUA
A idéia da praça nasceu de uma sugestão do presidente Lula, que deseja a construção, em Brasília, de um local “para abrigar a memória da República brasileira”. Esse local estava previsto no projeto de Niemeyer. “Um prédio baixo, em curvas e pilotis, dedicado à memória dos presidentes da República”, descreveu o arquiteto, segundo matéria do Correio Braziliense de 10 de janeiro. Lula, o messias, pretende virar estátua.
PROPRIEDADE PRIVADA
Oscar Niemeyer, que se diz comunista, é aliado de todos os poderosos que passam pelos palácios do Planalto ou do Buriti. Aos 101 anos, do alto de seu escritório que dá frente para o mar de Copacabana, ele se considera legítimo proprietário de Brasília, mais do que as pessoas que vivem e padecem dos problemas urbanos na capital federal.
REJEIÇÃO AO PROJETO
A desistência foi anunciada em manchete pelo Correio Braziliense, na edição de 4 de fevereiro.Uma enquete realizada pelo jornal, com 4.066 internautas, indicou a rejeição da proposta por 75,87% dos votantes.
Se a população de Brasília não estiver mobilizada, é possível que Lula, Arruda e Niemeyer estejam apenas aguardando a hora certa de nos enfiar essa aberração pela goela abaixo.
[A foto de Niemeyer foi tomada emprestada do sítio Debatedouro]
ARQUITETURA DO ESTORVO

ESPANTO
“Toda capital deve ter uma praça aonde o povo chega e se espanta”, disse Niemeyer, ao justificar a “necessidade” de construção da praça. Na referência a esse projeto, o verbo “espantar” deveria ser lido no sentido de “rejeitar”, e não de “admirar”, como supõe-se que o arquiteto usou. A principal característica desse projeto é a aridez. Uma praça que não tem um gramado, uma única árvore, um único espaço acolhedor, vai espantar o povo para longe.
CONJUNTO CULTURAL
Veja-se o exemplo da mais recente obra de Niemeyer inaugurada em Brasília, o Conjunto Cultural da República. O amplo espaço que se estende desde a Catedral até a rodoviária é inóspito como um deserto. Ou se caminha debaixo de um sol abrasador, ou debaixo de chuva. Não há um abrigo, um local que convide o passante a uma parada para admirar a paisagem. É desagregador. O contrário do que deveria ser um espaço que reúne um museu e uma biblioteca.
INADEQUAÇÃO
Visto em fotografia, o Conjunto pode até atrair admiração, apesar das controvérsias. Mesmo assim, é questionável, por oprimir a imagem da Catedral, esta sim uma obra-prima. Além disso, é falho na funcionalidade: o Museu é uma enorme bola de concreto e no seu interior não entra um único raio da intensa luz natural disponível em Brasília, obrigando o dispêndio permanente de energia com iluminação artificial. Já a Biblioteca abre-se toda para o sol, tanto do lado leste quanto do oeste, inviabilizando a armazenagem de livros. Não foi à toa que a Secretaria de Cultura já gastou R$ 6,5 milhões para a sua readaptação, e muitos problemas permanecem. É um prédio totalmente inadequado para as funções às quais se destina.
TOMBAMENTO
Em artigo no Correio Braziliense, o arquiteto ditador de Brasília argumenta, em defesa de seu projeto, que em Paris, “se seu plano urbanístico original fosse mantido, não existiriam nem os Champs Elysées nem o Arco do Triunfo”. O que é isso? Niemeyer defende agora a agressão ao plano urbanístico de Brasília, feito por Lúcio Costa? Parece que sim. Mais à frente, ele diz que, no Rio de Janeiro, o prefeito Pereira Passos derrubou morros e prédios para abrir grande avenida, “uma solução que uma cidade tombada não permitiria”. A julgar por sua argumentação, Niemeyer agora combate o tombamento de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade, um título que salva a cidade da ganância imobiliária.
NATUREZA
Os grandes arquitetos souberam e sabem integrar suas obras à natureza, como o próprio Niemeyer fez, por exemplo, no Palácio do Itamaraty e no Palácio da Alvorada. Mas, tanto no Conjunto Cultural quanto no projeto da Praça, ele parece ter a natureza como um estorvo, como inimiga. A natureza deve ser extirpada, para que, a distância, sua obra apareça livre e bela, como desenhada sobre o papel. Nem que para isso seja necessário espantar o povo...
ABERRAÇÃO
Niemeyer, aos 101 anos, goza de boa saúde e está muito ativo. Tem aparecido constantemente na imprensa, onde seus artigos defendem idéias cada vez mais estapafúrdias. Recentemente, na Folha de S. Paulo escreveu uma exaltação a Stalin, glorificando um dos grandes criminosos do século XX. Se apenas defendesse idéias que as pessoas já não levam a sério, faria menos mal. Mas impor essa aberração arquitetônica a Brasília, com a conivência do governador, chega a ser covardia.
[A ilustração deste texto foi tomada emprestada ao Correio Braziliense]
SURPRESA
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