ZÉ RODRIX ERA UM GRANDE CARA

O dia começou com má notícia: a morte do músico Zé Rodrix. Sá, Rodrix e Guarabyra fizeram a trilha sonora da minha vida, a começar pela Primeira canção da estrada, que parecia falar de mim - "Eu tinha apenas 17 anos / no dia que saí de casa / e não fazem mais de quatro semanas / que estou na estrada". Quando completei um mês de Belo Horizonte, aos 17 anos, ouvi essa música o dia inteiro. Ela nunca mais parou de tocar.

Nessa época, Elis Regina gravou Casa no Campo, de Zé Rodrix e Tavito. Irônico, criativo, lírico, sarcástico, Zé Rodrix sabia captar em sua poesia o lado inusitado das coisas banais, ou revelar o ridículo das coisas sérias. Mas também abordava com lirismo alguns temas universais.

Depois Zé Rodrix se afastou do trio e eu continuei seguidor de Sá e Guarabyra. Até que em 2001 Zé Rodrix voltou a se unir ao grupo. Eles gravaram um CD, Outra vez na estrada, cheia de canções memoráveis e novas canções surpreendentes - entre elas, uma de suas obras-primas, Jesus numa moto.

Em janeiro, fizeram em Brasília um show de pré-lançamento do CD novo, Amanhã, que misteriosamente ainda não chegou às lojas. Cantaram todas as músicas do novo disco e estavam num astral ótimo, entrando numa nova fase da carreira, num daqueles recomeços que dão toda energia ao impulso criativo.

O Brasil perdeu um grande cara, criativo, e nossa música ficou mais pobre. Espero que Sá e Guarabyra, que voltarão a ser dupla por força da fatalidade, não se abalem e sigam em frente.

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