Gerúndio perde emprego
De volta
Poesia de Brasília no Guiness
Woodstock no interior de Minas

Se o Festival de Woodstock levou quase 500 mil jovens a uma fazenda, debaixo de chuva e em meio a lama, para quatro dias de celebração da paz e da boa música, o que acontece agora no Sudoeste de Minas provoca um sentimento de nostalgia a quem viveu o espírito da época. Mas a maior parte do público está ali para provar que o rock está mais vivo do que nunca – que o digam os meninos atentos aos covers de Pink Floyd, Creedence Clearwater Revival e muitos outros.
A cidade é Passos, o lugar mágico se chama Woodstock Bar e o mentor de tudo é o guitarrista Magrão, nascido em São Paulo mas ligado à cidade desde sempre. O Woodstock Bar localiza-se numa rua bucólica, quase deserta, entre terrenos baldios, no final do bairro de São Francisco. É ali que a coisa ferve nas noites de quinta, sexta, sábado e domingo.
O bairro de São Francisco é um dos mais tradicionais de Passos, que em 2008 completa 150 anos de emancipação política. Nasceu ao redor do morro do mesmo nome, onde foi construída uma simpática capelinha, ainda nos primeiros tempos da cidade. A capelinha sobreviveu intacta até a década de 70, mas a partir daí começou a sofrer sucessivas reformas, até que a demoliram e construíram no lugar uma nova igreja, autêntico exemplar do mau-gosto da arquitetura pós-moderna. Parece uma nave alienígena.
A capelinha foi uma perda, mas não era mais possível salvá-la. Ao longo das últimas décadas, os padres lotearam o morro e o bairro subiu pelas suas encostas, descaracterizando-o. Mas o bairro mantém até hoje suas principais características de cidadezinha do interior, com casinhas singelas, ruas tranqüilas por onde as pessoas caminham, trocam um bom-dia e conversam, a caminho da padaria ou do botequim. Foi nesse ambiente tipicamente interiorano que nasceu o Woodstock Bar. É por isso que os que o procuram, noite adentro, têm às vezes dificuldade para encontrá-lo – pior ainda, quem está em Passos para uma visita. O cara percorre ruas escuras, vira esquinas desertas, e de repente se depara com uma rua lotada de carros e motos e é despertado por um som que parece vir de uma outra época. E vem mesmo.
O Woodstock Bar deveria ser incluído no roteiro turístico oficial de Passos, uma cidade simpática que recebe visitantes atraídos por suas lojas de roupas modernas e ecoturistas em busca das belas cachoeiras da região. E, é claro, os imortais roqueiros.
Feira do Livro começa na sexta
A Câmara havia anunciado que o evento voltaria a ser realizado no Centro de Convenções, mas a promessa não se concretizou. Outra possibilidade anunciada para o ano que vem é sediar a Feira no Complexo Cultural da República, ao ar livre, entre o Museu e a Biblioteca.
A 26a. Feira do Livro homenageia Ariano Suassuna e dá uma atenção especial ao cordel. A CBDF anuncia a presença da escritora portuguesa Alice Vieira, conhecida mundialmente por suas obras infanto-juvenis; Lira Neto, biógrafo da cantora Maysa; o poeta amazonense Thiago de Mello; o contista Ronaldo Cagiano, que depois de se mudar para a capital paulista volta a Brasilia para participar do Café Literário. Também comparece, acreditem ou não, o paulista Marcelo Mirisola. Será que não havia ninguém mais interessante disponível em São Paulo?
No mais, haverá as atrações de sempre - oficinas, peças de teatro, apresentações musicais, palestras, debates... Quem sabe as livrarias não promoverão, desta vez, significativos descontos nas vendas dos livros, o que, afinal, deveria ser uma característica de tudo aquilo que se chama de "feira"? Fica a sugestão.
Quarta-feira literária
Drummond: 20 anos
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
É uma estrofe do poema Procura da Poesia, do livro Rosa do Povo. Nessa meia dúzia de versos está contida, em minha modesta opinião, toda a essência daquilo que chamamos poesia.
Guerrilheiros [2]

Guerrilheiros

Gaia no Balaio

A poesia de Ana Ramiro é feita de versos elegantes e delicados, que atraem o leitor para um pacto de cumplicidade. Ana Ramiro cria imagens de grande sensualidade, em poemas densos e concisos.
A poeta estará acompanhada de Virna Teixeira, tradutora de Na Estação Central (Editora UnB), coletânea do escocês Edwin Morgan, e da antologia Ovelha Negra (Lumme Editor), também de poesia escocesa. Também será lançado o livro 8 Femmes, que reúne trabalhos de oito autoras.
E quem comparecer verá ainda um pocket show do poeta Marcelo Sahea, com participação do baterista Renato Dias.
Tudo isso numa noite de sexta-feira...
Justa homenagem

Aos 80 anos, Garcia Márquez pode viver à sombra das grandes obras que produziu, embora sua inquietação o leve a prosseguir escrevendo histórias geniais. Ele contribuiu para o acervo literário latino-americano com alguns dos melhores livros aqui escritos, colocou seu país e nosso continente no mapa da literatura mundial e trouxe para cá um Prêmio Nobel. Apesar de tudo isso, jovens escritores (ou nem tanto) hispano-americanos tentam criar um novo modismo: falar mal de Garcia Márquez. Uma razão a mais para as incontáveis homenagens que têm sido feitas a ele e suas obras.
Uma esperança para a Biblioteca
Erguida na Esplanada dos Ministérios durante o governo Joaquim Roriz sem qualquer planejamento quanto à origem, aquisição e administração de seu acervo, a Biblioteca Nacional começa a dar sinal de vida. Um dos grandes responsáveis por isso é o professor e poeta Antonio Miranda, que ainda nem foi oficialmente nomeado diretor da instituição, mas já está na luta para viabilizar o elefante branco. Graças a ele, a Universidade de Brasília (UnB) fez uma significativa doação à Biblioteca, em processo de catalogação.
A doação dos livros foi anunciada pelo embaixador Lauro Moreira, ex-marido de Marly, que na última sexta-feira, 20, fez uma palestra sobre ela e uma apaixonada leitura de seus poemas no auditório da própria Biblioteca. Moreira é embaixador do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa. E especialista em leitura de poesia.
Brasília sob a neve
It´s only rock´n´roll, but I like it!
Octávio Scapin e banda apresentam "Ressaca", um rock básico composto por Scapin sobre poema de Alexandre Marino. Siga a letra abaixo.
Ressaca
Tenho mania de recordar o futuro
e gritar te amo, te amo,
como se atingisse o orgasmo
a cada erro de concordância
Mas sou apenas uma ilha deserta,
sem palmeiras ou náufragos.
Minha diversão é atirar ao mar
mensagens de amorem garrafas de açúcar
(Nem alcanço a praia
nem o mar fica mais doce)
Navegante de águas mortas
nem aprendi a tossir
e já tenho uma cicatriz no coração
(minha filha se chamaria Tarsila
mas morreu antes da ejaculação)
Nesta noite, há bares e homens tristes
e essa mania de desvendar o futuro
como procuro desejos
Mas agora meu coração está de ressaca.
E vomita atrás de um muro a indigestão dos beijos.
[Do livro O Delírio dos Búzios, Varanda Edições, 1999, esgotado]
Bric-a-Brac: nova festa!

Haverá recital poético, reexibição do clip-documentário produzido pelo poeta Luís Turiba, ex-editor da revista, e pelo cineasta André Luiz Oliveira e, o mais esperado, lançamento do catálogo da exposição Bric-a-Brac Maior Idade, que será distribuído gratuitamente aos presentes.
O Catálogo, com 112 páginas, representará na prática o derradeiro número da revista, já que veiculará poemas e textos inéditos de poetas de Brasília e outras cidades brasileiras, além de refinada edição de fotos e trabalhos gráficos e plásticos.
Um poema de Manoel de Barros, datilografado em sua velha máquina de escrever, e um fac-símile de um manuscrito de Paulo Leminski, criado em Brasília durante sua visita à cidade em 1984, são duas das atrações do Catálogo, que deverá atrair tanta atenção da mídia cultural brasileira quanto as seis edições da revista.
Quem estiver em Brasília não deve perder essa!!
Bombas sobre Macondo
O que o realismo mágico fez pela literatura deste continente miserável, ignorante e iletrado não foi pouco. Deu-nos pelo menos um Prêmio Nobel, merecidíssimo (estou me referindo a García Marquez) e descreveu nossas tragédias com as tintas da criatividade e da arte. Cem Anos de Solidão, assim como outros livros do mesmo autor, com seus personagens absurdos e situações nonsense, traça um retrato psicológico fiel do povo latino.
A matéria da Folha - "Latinos debatem uma Macondo em ruínas", Ilustrada, pág. E3 - é assinada pela repórter Sylvia Colombo. Ela parece concordar com os neo-rebeldes, tanto que chama o movimento que combatem de "cadáver insepulto". Fotos de vários desses autores ilustram a página. Seus livros são publicados por grandes editoras daqui, de lá ou multinacionais. Márquez, Juan Rulfo, Julio Cortázar e muitos outros, quando começaram, não tinham a alta tecnologia marqueteira em que se apoiar, apenas seu talento.
Este escriba não combate a literatura feita por esses novos autores e acredita que escrevam bons livros, a julgar pelo pouco que conhece de alguns deles. O realismo urbano que eles propõem faz sentido, já que nos últimos 30 anos houve intensa urbanização dessas sociedades. Mas cuspir na obra dos grandes autores do continente não passa de rebeldia infantil.
Além disso, o continente latino-americano, depois de séculos de opressão econômica e cultural, com seus governantes populistas e "ridículos tiranos", como disse Caetano Veloso, será sempre um pouco surrealista.
O piano
Arte e mercado
Um poeta de vida simples

Para ler O Piano e outros poemas do Arqueolhar, acesse o sítio Ave Palavra, do jornalista e escritor Carlos Machado, clicando aqui. No Sítio do Alexandre Marino, você acessa poemas de vários livros deste autor.