Um poema [4]

Alguns visitantes deste espaço têm observado a dificuldade de encontrar aqui os poemas do livro. Esclareço que alguns poemas foram publicados nos meses de agosto e setembro (basta clicar nos links à esquerda). Mas, para facilitar a leitura, segue abaixo uma pequena amostra do Arqueolhar.


Paisagem Doméstica

É inverno, não importa o tempo, as horas.
O inverno se esconde nos raios do sol.
O fim de tarde arranha as gargantas.
Seres invisíveis inventam a escuridão.

Fecham-se as portas, a gente desvaira.
Um cheiro de café aponta o horizonte.
Deus implora abrigo entre as cortinas.
Pássaros guardam os cantos no terraço.

Vozes velejam no limiar do silêncio.
Notícias antigas no rádio invisível.
Vestígios de velhas fábulas.

Ninguém sabe a história inteira.
Evocam-se vazios invulneráveis.
O tempo é feito de destroços.
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