Escritores desaparecidos!

Guido Heleno sumiu. Alguém sabe do paradeiro de Guido Heleno? A última vez que foi visto trajava um chapéu de feltro cor de areia, com uma fita multicolorida envolvendo a copa. O chapéu era tão vistoso que as testemunhas não souberam dar informações precisas sobre o restante do traje do Guido, a cor da camisa, o modelo da calça. As testemunhas confirmaram que Guido passou pelo Café Martinica na noite do lançamento do livro Arqueolhar. Ele entrou na fila, recebeu a dedicatória, ficou mais alguns minutos e desapareceu.

Guido Heleno é talvez o mais antigo amigo que tenho em Brasília. Eu o conheci em Belo Horizonte, apresentado pelo Antônio Barreto, outro que não tem dado notícias, mas já morava em Brasília quando vim para cá, em 1982. O primeiro livro dele que li foi o Pássaro de Luz, pequeno mas denso livro de poemas publicado naquele mesmo ano e que releio de vez em quando. Seu conto Sax noite a dentro, que faz parte da Antologia do Conto Brasiliense (Projecto Editorial, 2004), é um achado. Guido já publicou muitos livros infanto-juvenis, vários deles em parceria com o desenhista Jô Oliveira. Guido provavelmente está preparando alguma surpresa. Faz tempo que não publica nada.

Outro desaparecido é o Jason Tércio, autor de um belo romance sobre a vida dos brasileiros em Londres, num tempo em que a polícia londrina não assassinava brasileiros - Pão de queijo em Hyde Park, título que numa edição posterior ele mudou para A pátria que me pariu. O caso desse é ainda mais misterioso, porque ele voltou para Brasília depois de morar alguns anos no Rio de Janeiro, onde escreveu e organizou vários livros sobre o cronista Carlinhos Oliveira. É duplamente desaparecido.

Tércio também estava no Martinica naquela noite, e foi visto em animada conversa com Guido Heleno. Tércio é outro de meus mais antigos amigos de Brasília, e permaneceu nessa condição mesmo na época em que, durante acaloradas discussões, defendia com unhas e dentes o voto em Lula, que deu no que deu. Tércio me foi apresentado pelo Menezes y Moraes, mas esse é desaparecido nato. Não costuma aparecer nem em lançamentos de livros, e pelo jeito vai continuar assim
.
Postar um comentário