II BIENAL DE POESIA É CANCELADA

 Aconteceu a tragédia anunciada. A Biblioteca Nacional de Brasília acaba de cancelar a II Bienal Internacional de Poesia (BIP), prevista para acontecer na primeira semana de setembro.

Os escritores convidados, que já haviam confirmado sua participação, estão sendo comunicados pelo diretor da biblioteca e organizador do evento, o poeta e professor Antonio Miranda. A carta atribui a decisão à insuficiente captação de patrocínios, provocada pelo atraso na aprovação do projeto do festival pelo Ministério da Cultura e o contingenciamento de recursos do governo federal.

A página da II BIP ainda estava na internet, às 14h desta terça, 20. Lá está a lista dos poetas confirmados para o evento: Ernesto Cardenal (Nicarágua), Humberto Ak´abal (Guatemala), Leo Lobos (Chile), entre muitos outros. Marina Colasanti, Augusto de Campos, Antonio Cícero, Marco Lucchesi, Floriano Martins, Miriam Fraga, Eucanaã Ferraz, Fred Maia, Wilmar Silva, Ruy Espinheira Filho eram alguns dos brasileiros já confirmados.

Os poetas homenageados da Bienal seriam Cardenal, Augusto de Campos, Ferreira Gullar e o compositor Oswaldo Montenegro, que teve sua formação em Brasília.

A grave crise política que transtorna o Distrito Federal desde o final do ano passado foi uma das causas do cancelamento da Bienal, mas não a principal delas. Qualquer evento cultural de porte, em Brasília, sempre acontece apesar do governo local, e não graças a ele. A principal razão foi a desistência da Petrobrás de patrocinar o evento, depois de haver se comprometido a contribuir. A decisão da Petrobrás é ordem do governo federal.

A Petrobrás também retirou o patrocínio, na última hora, para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A diferença é que o governo do Estado do Rio reconheceu a importância do evento e injetou R$ 1,5 milhão para viabilizá-lo. Já o atual governador do Distrito Federal, o quarto em um único mandato, depois da prisão do primeiro, da renúncia do segundo e da passagem do terceiro, não chegou a pensar no assunto.

Qualquer grande evento cultural, seja no Brasil ou em Brasília, depende de muita luta e da disposição de indivíduos que acreditam e o levam adiante, como verdadeiros quixotes. O poeta Antonio Miranda é um desses personagens. Infelizmente, o sucesso da bienal de 2008 não foi suficiente para sensibilizar os patrocinadores.

A II Bienal de Poesia era a última esperança de que algum evento realmente importante marcasse o calendário de 2010, ano em que Brasília comemorou melancolicamente seus 50 anos de inauguração.
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