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O poeta Afonso Félix de Sousa será o homenageado desta quarta-feira, 23, no programa Tributo ao Poeta, realizado pela Biblioteca Nacional de Brasília. Afonso morreu há sete anos, deixando uma poesia de grande força, "telúrica, lírica e mística", na definição de Antonio Carlos Secchin. A participação nesta homenagem me leva a um mergulho mais profundo em sua obra e me desperta a vontade de ler todos os seus livros. A pequena amostra que apresentaremos no evento nesta quarta-feira já revela alguns aspectos interessantes de sua poesia, especialmente para quem a lê em voz alta, tentando compreender seu complexo processo de criação e abrir o coração para a emoção veiculada em seus versos.
Aí está o Paulo Tovar, personagem da história da música e da poesia brasilienses. É co-autor, ao lado de Aldo Justo, de Juriti ("Meu coração tem um desejo imenso / de ver o dia nascer pelo avesso / meu coração mão de pilão / tem um jeito do avoar"), que toda a moçada cantou junto com o grupo Liga Tripa nos anos 70/80, e continua cantando até hoje. Publicou vários livros de poesia, seus e de autores amigos, e tocou muitos projetos guiados por incurável inquietação. O último desses projetos a chegar às mãos de seu público, o CD H2Olhos, é uma leitura ensandecida do universo cultural brasiliense, a começar pela mistura de ritmos. Mas o incansável Paulo Tovar meteu o pé no balde: acuado por um câncer, refugiou-se em sua cidade natal, Catalão (GO), onde permanece para sempre. Brasília não o esquecerá.
O tempo trouxe maturidade e levou embora um tanto daquela arrogância que Caetano Veloso parecia gostar de exibir. Mas o gênio, o olhar aguçado, a sensibilidade e a capacidade de observação continuam afiados, a julgar pelo que se vê no documentário Coração Vagabundo, lançado nacionalmente no final de julho e ainda circulando pelos cinemas do Brasil.