Um brinde ao Dia Nacional da Poesia

Sangria

um amor triste
expulso do recinto
revolto, revolta-se,
bate à porta, insiste

sou um deus farto de fantasmas
e orações inúteis
pobre diabo
só cometo pecados fúteis

poeta vulgar
rastejo no assoalho
doente de miopia
tateio o alcadafe —
será vinho ou sangria?

na paisagem bordô
sonho um bacanal
paixão sem pudor
o líquido se agita
o amor nada

entre os cacos da garrafa
o sorriso ferido do retrato
ah, sonho de cabernet!
ah, pobre zurrapa!
Postar um comentário