A biblioteca do futuro [2]

O jornalista Mário Salimon participou da 14a. Reunião Interamericana de Bibliotecários, Documentaristas e Profissionais da Informação, na Universidade Autônoma do México, em 2006. A tônica das discussões foi o valor das bibliotecas no futuro. Salimon conta que as principais conclusões foram as seguintes:
1) Biblioteca tem que ter livros. Os repositórios organizados de arquivos digitais, que incluem áudio, fotografia e vídeo, são Infotecas;
2) os profissionais das bibliotecas devem sair da postura passiva de esperar que alguém os procure para buscar formas de compilar referências condizentes com as necessidades estratégicas da sociedade;
3) As pessoas, incluindo os acadêmicos, estão se acostumando a buscar informação no Google sem maior preocupação com validade e consistência do material encontrado.

O escritor Ezio Flavio Bazzo aproveitou para reclamar da redução do horário de funcionamento da Biblioteca Demonstrativa de Brasília, estabelecida por "ordens superiores", segundo ele - medida publicada no Diário Oficial. Ezio observa que o Ministério da Cultura deveria formular políticas públicas de incentivo à leitura e abertura de bibliotecas, viabilizando seu funcionamento 24 horas por dia. A Biblioteca do Congresso argentino, compara ele, fica aberta até de madrugada e ainda serve sopas para os mendigos.

Pois é, nenhum sinal de civilização à vista.

2 comentários:

Mão Branca disse...

Oi, Alexandre.
Sabe, acho que a literatura e as bibliotecas deverão mudar a forma, não há mais espaço para o formalismo e a dureza do livro.
Parece loucura, mas acho que a interNerd é o futuro das letras. Hoje prefiro ler revistas literárias virtuais que pegar um livro de um autor desconhecido. No primeiro posso escolher e ainda nada gasto com isso.
Enfim, do jeito que tá não fica.
[]s

Alexandre Marino disse...

Não compreendi bem o que você quis dizer com "formalismo e dureza do livro". Da mesma forma que você prefere escolher o que lê em revistas literárias virtuais que "pegar um livro de autor desconhecido", eu prefiro folhear um livro de papel que ler na tela. Em ambos você pode escolher. Isso não é uma questão tecnológica, é uma questão de gosto pessoal. O meio virtual é efêmero, incapaz de guardar documentos para o futuro. Edições históricas não teriam se conservado em meio eletrônico por longo tempo, como ocorreu com o papel. E o conhecimento humano se alimenta da preservação, é óbvio. Não sou contra a publicação e leitura via internet, mas o papel será sempre imprescindível.
Abraços, Alexandre.